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Combustível na Argentina chega a ser R$ 0,70 mais barato que no Brasil

Diferença da carga tributária é o principal motivo do preço mais baixo. Proteção impede a importação de alguns produtos na tríplice fronteira.

Por:
30/04/2013 às 09h53
Combustível na Argentina chega a ser R$ 0,70 mais barato que no Brasil

 

 

 

 

Fabiula WurmeisterDo G1 PR


 

O brasileiro que vai até Puerto Iguazú, na Argentina, para encher as sacolas nos supermercados ou nas feiras de produtos típicos, chega a economizar até 80% em alguns produtos, como óleo de cozinha, farinha de trigo e material de limpeza. Com o combustível não é diferente. A gasolina chega a custar até R$ 0,70 a menos que no Brasil por causa da diferença da carga tributária.

Mas barreiras fitossanitárias impedem a importação de alguns produtos, como o leite e derivados, carnes, embutidos, frutas, verduras e legumes. Em pouco mais de três meses, o volume de cebolas tiradas de circulação pelos fiscais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), nas pontes da Amizade e Tancredo Neves, que ligam respectivamente Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, a Ciudad del Este, no Paraguai, e Puerto Iguazú, superou o total de 2012. De acordo com o balanço, foram quase cem toneladas de janeiro a meados de abril, contra pouco mais de 90 toneladas em todo o ano passado.

Nas primeiras semanas de abril, o quilo da cebola do lado argentino podia ser encontrado por menos de R$ 2, ou um terço do praticado do lado brasileiro. “Isso é frequente. Hoje é a cebola, antes foi o tomate, assim como acontece com a farinha de trigo e até com a carne”, explica o chefe do escritório local do Mapa, Antônio Garcez.

Menor preço

A proximidade entre as três cidades de fronteira, separadas pelos rios Paraná e Iguaçu, e cuja ligação é facilitada pelas duas pontes, também auxilia na integração econômica. Uma das estratégias para convencer os turistas a optar pelo destino trinacional é o slogan “tome café em Foz do Iguaçu, almoce no Paraguai e jante na Argentina”. “Este hábito dos moradores locais tem bastante apelo entre os turistas que optam por conhecer a região”, aponta o guia turístico Diego Augusto Furtado.

Nos restaurantes, bares, supermercados e lojas de produtos argentinos em Puerto Iguazú, os brasileiros são maioria. Em uma das casas de vinhos mais procuradas da cidade, os brasileiros formam 80% da clientela. “Orientamos os clientes que vêm do Brasil, onde o consumo de vinho passou a ganhar atenção mais recentemente”, observa o gerente Mauro Emmanuel Ojeda. 

O conhecido paraíso das compras de importados onde, de meados dos anos 1990 até 2005, chegou a movimentar mais de US$ 12 bilhões por ano, hoje não passa de US$ 1,5 bilhão de acordo com o Centro de Importadores e Comerciantes de Alto Paraná. O aumento da fiscalização e a variação cambial do dólar fizeram com que os brasileiros freassem o consumo.

Mas uma série de mudanças como atendimento voltado aos turistas de compras, diversificação e preocupação com a qualidade dos produtos mudou o perfil do centro comercial de Ciudad del Este. Os "sacoleiros" perderam espaço e uma leva de consumidor mais exigente, que vai em bisca de roupas de grife, relógios, bebidas caras passou a cruzar a ponte.

“Antes ia ao Paraguai uma ou duas vezes no ano, para comprar alguns presentes. Agora virou costume cruzar a ponte pelo menos uma vez por mês com as amigas para comprar roupas e acessórios”, conta a dentista Priscila Oliveira, de 42 anos. “Virou um passeio divertido e uma forma de conseguir produtos exclusivos, que antes só conseguia em São Paulo ou nas viagens para os Estados Unidos e Europa, e pagar menos por isso.”

A integração econômica natural da fronteira também tem ganhado estímulos por meio de parcerias entre comerciantes e empresários dos três países. Está programada para junho a segunda edição da Black Friday Cataratas, evento inspirado na megaliquidação anual dos Estados Unidos, com descontos de até 70% em serviços e mercadorias. Em 2012, a promoção envolveu centenas de estabelecimentos de Foz do Iguaçu, Ciudad del Este e Puerto Iguazú, desde hotéis e restaurantes, passando por lojas de roupas, eletrônicos e móveis, até agências de viagens.

 

 

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