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PARANÁ PODERÁ PRODUZIR 42 MILHÕES DE TONELADAS DE GRÃOS

Volume é 3% superior ao do ciclo passado. A área total, de 10,2 milhões de hectares, é 2% maior, segundo previsão da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento

Por: Fonte: AEN
26/03/2021 às 15h36
PARANÁ PODERÁ PRODUZIR 42 MILHÕES DE TONELADAS DE GRÃOS
Lavouras de soja e milho foram impactadas por estiagem e mais tarde por excesso de chuva.

 

A safra de grãos 2020/2021 do Paraná poderá somar 42 milhões de toneladas, volume 3% superior ao do ciclo passado. A área total, de 10,2 milhões de hectares, é 2% maior. As informações são do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento.

O relatório mensal, divulgado nesta quinta-feira (25), inclui a primeira estimativa da safra de inverno, cuja produção deve ser de 4,5 milhões de toneladas em 1,4 milhão de hectares. Do total, 3,8 milhões de toneladas correspondem à cultura do trigo, volume 21% maior do que na safra passada.

Entre os dados divulgados neste mês, também destacam-se a evolução da colheita da soja (75%) e do milho da primeira safra (74%), culturas impactadas pela seca no início da safra e, posteriormente, pelo excesso de chuvas.

“Apesar das dificuldades devido aos fatores climáticos, os produtores de soja estão bem remunerados”, diz Salatiel Turra, o chefe do Deral.

O atraso no início do plantio do milho chegou a preocupar os produtores quanto ao abastecimento, e também o setor de proteína animal, pois o grão é o principal insumo dessa cadeia. 

SOJA – A colheita de soja no Paraná avançou significativamente neste mês de março e atingiu 75% da área, mas ainda está atrasada comparativamente às safras anteriores, causando atraso no plantio do milho. A cultura sofreu impacto da estiagem no início do plantio e, mais tarde, das chuvas excessivas. No mesmo período do ano passado, o estado tinha 85% da área de soja colhida.

Com a reavaliação realizada pelos técnicos do Deral, estima-se a produção de 20,1 milhões de toneladas. No último mês, foram feitos ajustes principalmente nos números da região Oeste. A perspectiva, no início do ciclo, era de cerca de 20,6 milhões de toneladas.

“De modo geral, esta safra ainda é considerada boa. O volume está dentro da média esperada para o Paraná, sendo 3% inferior ao produzido na safra 19/20”, explica Marcelo Garrido, o economista do Deral

O preço da saca de 60 kg ficou próximo de R$ 153 nesta semana. No mesmo período do ano passado, os produtores recebiam, em média, R$ 70 pelo produto. A ocorrência de doenças em algumas lavouras e o reajuste no preço dos insumos, com a alta do dólar, geraram aumento nos custos de produção. Por outro lado, o câmbio favoreceu as exportações. Já o índice de comercialização segue um padrão semelhante ao da safra 2019/20, de 53% neste período.

Nos próximos dias, o clima deve ser benéfico para o andamento da colheita. A produtividade teve uma pequena redução em relação ao ano passado, de 3.700 kg/hectare para 3.600 kg/hectare. Quanto à qualidade, 82% das lavouras estão em boas condições, 17% médias e 1% ruim. Para a segunda safra, o Deral estima a produção de 108 mil toneladas de soja em 38 mil hectares, concentrados principalmente no Oeste do Estado. A colheita da segunda safra deve iniciar em abril.

MILHO PRIMEIRA SAFRA – A colheita do milho da primeira safra evoluiu para 74% da área de 363 mil hectares nesta semana. Espera-se a produção de 3 milhões de toneladas, volume 14% inferior ao do ciclo 19/2020.

“Essa redução segue uma tendência dos outros estados do Sul e do País como um todo. O Brasil soma um volume de 23 milhões de toneladas”, explica o técnico Edmar Gervásio. 

MILHO SEGUNDA SAFRA – O plantio da segunda safra atingiu 88% e 94% das lavouras estão em boas condições. O volume produzido deve ser de 13,4 milhões de toneladas, 12% maior do que o do ciclo 19/20. A estimativa para a área é de 2,4 milhões de hectares, um recorde para o Estado, com crescimento de 3% em relação à safra anterior.

Apenas no último mês, a área plantada teve um ajuste positivo de aproximadamente 12 mil hectares. Os preços estão satisfatórios para os produtores. A saca de 60 kg foi comercializada por R$ 78,68 nesta semana, em média.

“A tendência é de que os preços continuem elevados ao longo do ano”, diz Gervásio.

FEIJÃO PRIMEIRA SAFRA – Com área de 152 mil hectares, semelhante ao do ciclo passado, o Paraná produziu 255,4 mil toneladas de feijão na primeira safra. O recuo foi de 19% em relação à safra anterior e se deve à estiagem que impactou as lavouras no ano passado e às chuvas em excesso em janeiro deste ano. A comercialização atingiu 87% nesta semana.

“As outras 32 mil toneladas que ainda estão nas mãos dos agricultores são principalmente de feijão-preto, que representou 70% da primeira safra e tem preços melhores”, explica Carlos Alberto Salvador, o engenheiro agrônomo do Deral.

Segundo ele, geralmente a produção de feijão preto e feijão-cores é bem equilibrada no Paraná, próximo de 50% para cada. Porém, os bons preços do feijão-preto alteraram a proporção neste ano.


Foto: Iapar

FEIJÃO SEGUNDA SAFRA – Cerca de 99% da área de 251 mil hectares está plantada e espera-se bons resultados. Essa área é 12% maior que a do ano passado. A produção, estimada em 491 mil toneladas, indica um crescimento de 83% comparada com a safra anterior, que foi afetada pela estiagem. A produtividade é de quase 2.000 kg/hectare. As condições das lavouras estão 81% boas, 16% medianas e 3% ruins.

A saca de 60kg de feijão-cores é comercializada, em média, por R$ 287,95 e o feijão-preto por R$ 275,73, contra R$ 288 na semana anterior. No entanto, na comparação com as médias mensais, os preços recebidos pelo grão estão equilibrados no primeiro trimestre de 2021. O engenheiro agrônomo do Deral destaca que o aumento dos custos de produção da cultura, impulsionados principalmente pelos insumos, reduziu o lucro dos produtores. 

A saca de 60kg tinha um custo variável de produção de R$ 95 em fevereiro deste ano. Já em fevereiro de 2020, o custo era de R$ 74 - aumento de 28%. O custo total chegou a R$ 135, contra R$ 107 no ano passado, aumento de 26%. 

TRIGO – A projeção inicial do Deral para a cultura do trigo indica produção de 3,8 milhões de toneladas em condições climáticas ideais, volume 21% maior do que na safra 19/20, em uma área de 1,14 milhão de hectares, 2% superior. As áreas do Sul do estado são o destaque, com incremento de 10%, ganhando espaço especialmente sobre cultivos de aveia. No Oeste também espera-se incremento de 10%, em substituição ao milho de segunda safra.

Nas demais regiões, a melhor liquidez e rentabilidade projetadas para o milho representaram recuo de 5% nas áreas de trigo, segundo o engenheiro agrônomo do Deral, Carlos Hugo Godinho.

“No próximo mês, com o avanço no plantio, essas projeções devem estar melhor definidas”, diz.

A saca de 60 kg foi comercializada por R$ 80,50 na última semana, em média. 

ARROZ – No Brasil, a produção de arroz nesta safra deve atender ao consumo interno, próximo de 11 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Cerca de 70% do volume produzido concentra-se no Rio Grande do Sul. No Paraná, de acordo com o Deral, a área está estimada em 18 mil hectares para arroz irrigado e 2,6 mil hectares de arroz de sequeiro, que tem produtividade de cerca de 1.900 kg/hectare. A área é semelhante à da safra passada. 

No entanto, a produção dos dois tipos de arroz deve ser, respectivamente, 2% e 3% menor. A produção total deve ser de 148 mil toneladas. Como o volume não atende à necessidade de consumo interno, parte do produto é adquirida dos demais estados do Sul.

Cerca de 77% da produção de arroz irrigado no Paraná está no núcleo regional de Paranavaí, 13% em Umuarama e 8% em Paranaguá, segundo o economista Methodio Groxko. Tanto a colheita, que atingiu 50% da área nesta semana, e a comercialização, têm um bom andamento. Neste momento, a saca de 60 kg é comercializada por aproximadamente R$ 122.


Foto: Jose Fernando Ogura/AEN

MANDIOCA – O Paraná deve produzir 3,4 milhões de toneladas de mandioca em uma área de 146 mil hectares. Esses índices representam redução de 3% e 2% com relação à safra anterior, respectivamente. Segundo Groxko, houve ajuste de área em núcleos regionais como Umuarama e Campo Mourão.

Parte das indústrias de fécula já retomaram a produção.

“Espera-se que os preços melhorem nos próximos meses”, diz o economista do Deral.

A tonelada do produto foi comercializada por aproximadamente R$ 405 nesta semana. A saca de 25 kg de fécula é comercializada por R$ 65. 

CEVADA – As primeiras estimativas para a produção de cevada no Paraná apontam para 303,6 mil toneladas, volume que supera em 12% o resultado da safra passada.  A área esperada é de 66 mil hectares, 3% superior à da safra 19/20. Segundo o engenheiro agrônomo do Deral, Rogério Nogueira, neste período 33% da área da cultura já está comercializada.

CAFÉ – No Brasil, o último ano atingiu recorde na exportação de café - o País destinou 45 milhões de sacas ao mercado externo. No total, foram produzidas 50 milhões de sacas, contra 63 milhões na safra anterior. O consumo mundial em 2020 não caiu, mas cresceu abaixo do esperado. 

No Paraná, o Deral estima a produção de 52,3 mil toneladas de café, 9% a menos do que na safra passada, em uma área de 33,2 mil hectares, 4 % inferior. Atualmente, os preços cobrem os custos de produção, que são de aproximadamente R$ 564. Nesta semana, a saca de 60 kg de café é comercializada, em média, por R$ 654. No ano passado, o valor médio recebido era próximo de R$ 470 - mas os custos de produção se aproximavam dos R$ 500. 

Segundo o economista Paulo Franzini, do Deral, essa recuperação atual é extremamente necessária para os produtores, que estavam desestimulados com a cultura, o que explica a redução da área.

“Cerca de 50% desse custo corresponde à mão-de-obra. Por isso, os produtores paranaenses estão buscando a mecanização”, explica.

De acordo com ele, a confirmação do volume de produção depende dos índices de chuva no mês de abril, quando parte do café paranaense começa a florescer. A comercialização já chegou a 92% no Estado.

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