

Henrique Faeda Crivari
Herbácitus Farmácia de Manipulação
Que a nutrição é essencial para garantir uma gravidez saudável para a mãe e para o bebê
pode não ser novidade para muita gente. O ácido fólico, por exemplo, é uma vitamina
cuja suplementação é indicada a todas as gestantes, muitas vezes quando ainda se planeja
engravidar, para evitar más formações no tubo neural do feto. Porém, talvez outro nutriente
passe a dividir os holofotes quando o assunto é a saúde do bebê. Uma pesquisa realizada no
Centro Médico da Universidade do Kansas, nos Estados Unidos, revelou que o ácido graxo
ômega-3, um tipo de gordura insaturada, pode ajudar mulheres a terem bebês mais fortes e a
reduzir a incidência de partos prematuros. O estudo foi divulgado em fevereiro na publicação
científica The American Journal of Clinical Nutrition.

Para chegarem a essa conclusão, os cientistas estudaram 300 futuras mamães, escolhidas
aleatoriamente. Metade delas foi suplementada durante o final da gravidez com 600 mg
diárias de DHA, um tipo de ômega-3. Já as outras receberam um placebo para fazerem
parte do grupo de controle. Durante as observações, verificou-se que as gestações do grupo
suplementado foram mais longas, acima de 34 semanas, resultando em uma menor incidência
de partos prematuros. Os recém-nascidos das mamães que receberam a suplementação
também nasceram mais fortes, com peso maior, quando comparados aos bebês das mães que
receberam o placebo.
Segundo os pesquisadores, não foram encontradas contraindicações para a suplementação,
porém estudos maiores precisam ser feitos para verificar todo o potencial desse nutriente.
Outros nutrientes importantes para a gravidez.
Nem sempre a suplementação é recomendada, mas não custa reforçar a alimentação para ter
nutrientes amigos da gestação durante esses nove meses, certo? Afinal, deficiências desses
compostos podem causar baixo peso e até más-formações no feto. Conheça quais são essas
substâncias e em que alimentos encontrá-las.
Vitamina C
A gestante deve consumir cerca de 85mg por dia desse nutriente, pois, segundo a nutricionista
Simone Freire, ele participa da formação do colágeno e auxilia na formação dos ossos,
juntamente com outros minerais e vitaminas. "Essa recomendação é fácil de ser atingida, visto
que os alimentos ricos em vitamina C são facilmente encontrados no Brasil", diz. A gestante
deve ingerir frutas como acerola, goiaba, laranja, abacaxi, kiwi e caju.
Ácido Fólico
A recomendação de consumo desse nutriente para as gestantes é de 600ug por dia,
porém este valor não é atingido somente com a alimentação. A nutricionista Simone
explica que uma dieta com 2.200kcal é capaz de atingir somente 250ug de ácido fólico,
aproximadamente. "Uma das grandes funções dessa vitamina é construir o tubo neural do
bebê", afirma.
Como a formação dessa estrutura se completa até o 28º dia da gestação, o ideal é que a
gestante comece a tomar uma suplementação de ácido fólico um mês antes da gestação,
aconselha Simone. Além da suplementação, é importante comer alimentos ricos em ácido
fólico, que são folhas verdes escuras, feijões, frutas cítricas, fígado e leite.
Cálcio
Muito importante para a formação óssea do bebê, além de auxiliar no ajuste da pressão
arterial da gestante, prevenindo a hipertensão gestacional ou pré-eclampsia. Os alimentos
ricos em cálcio são: leite e derivados - como iogurtes e queijos - e vegetais folhosos verdes
escuros, esses últimos, porém, com menor aproveitamento do nutriente. "Existem opções
de extratos de soja com sabor e enriquecidos com cálcio para as pessoas com intolerância à
lactose ou alergia a proteínas do leite", lembra Simone. A recomendação é de 1000mg/dia.
Fósforo, potássio e magnésio
Segundo a nutricionista Amanda Epifânio, a ingestão adequada desses nutrientes está
associada, juntamente com o cálcio, à prevenção de hipertensão gestacional ou pré-eclampsia.
Para conseguir as quantidades adequadas, a gestante deve ter uma dieta diária com três a
quatro porções de frutas variadas (fontes de potássio); três porções de cereais integrais -
principalmente pães e arroz - (fontes de magnésio); e três porções de laticínios magros (fontes
de cálcio e fósforo).
Vitamina D
"Essa vitamina equilibra o cálcio durante a gravidez, passa pela placenta e se apresenta no
sangue fetal na mesma concentração do que na circulação materna", aponta Simone. A
vitamina D pode ser adquirida com auxílio dos raios solares - lembrando que os melhores
horários para tomar sol são antes das 10h e após às 16h -, além da ingestão de alimentos como
ovos, carnes e leites. A recomendação é de mais 10ug/dia.
Vitamina B6
A ingestão de vitamina B6 - 1,9mg/dia - é importante para a gestante no sentido de auxiliar a
formação de novos tecidos e a fabricação da niacina, outra vitamina do complexo B, essencial
para o corpo funcionar melhor e com mais energia. "Existem trabalhos apontando que a
deficiência dessa vitamina pode contribuir com quadros de depressão durante a gravidez",
conta Simone. A vitamina B6 pode ser encontrada em carnes, peixes, aves e fígado.
Vitamina A
Segundo a nutricionista Simone Freire, a vitamina A tem funções específicas na resposta
imunológica e é essencial para a visão. Recomenda-se a ingestão de 770ug por dia, o que não
é muito diferente da recomendação para mulheres não grávidas (700ug/dia), já que existem
pesquisas apontando que essa vitamina pode ser tóxica ou causar danos ao feto quando
ingerida em grandes quantidades nos primeiros meses de gestação.
Existem duas principais fontes alimentares dessa vitamina. A primeira é indireta e de
origem vegetal, incluindo alimentos alaranjados, como cenoura, mamão, manga, abóbora
e qualquer outro que contenha betacaroteno (precursor da vitamina A). A segunda fonte é
de origem animal e está na sua forma ativa, podendo ser encontrada nos ovos e nas carnes,
principalmente no fígado.
Ferro
A partir do 2º trimestre de gestação, a futura mãe adquire mais massa celular, principalmente
de glóbulos vermelhos, e o feto começa a criar a sua reserva de ferro. Por conta disso, é de
extrema importância que a gestante absorva quantidade suficiente para suprir ambas as
demandas.
O valor diário recomendado é de cerca de 27mg, alcançado apenas com suplementação. "Uma
alimentação normal chega a atingir de 6 a 7mg/dia por 1000kcal. Para atingir as quantidade
adequadas de ferro sem suplementação, seria necessário consumir 5000kcal por dia, o que é
inviável", diz Simone. Porém, mesmo que a gestante tome suplementos férreos, é importante
ter uma alimentação rica nesse nutriente.
Entre as fontes de ferro heme - melhor absorvido pelo organismo -, estão carnes e vísceras. Já
as fontes de ferro não heme - com menor aproveitamento - são os feijões, legumes, vegetais
de folha escura e ovos. "A vitamina C auxilia na absorção do ferro não heme e, por isso, é
importante que os dois nutrientes estejam juntos na mesma refeição", conta Simone.
Zinco
De acordo com Simone, "o zinco é extremamente importante para auxiliar o crescimento
celular, tanto da gestante como do feto". A recomendação é de 11mg/dia e esses valores
também só são atingidos com suplementação. É indicado, inclusive, que a suplementação de
zinco seja feita junto com a de ferro. Os alimentos ricos em zinco são ostras, frutos do mar,
peixes, fígado, peru e carnes.
Proteínas
A nutricionista Simone Freire explica que a ingestão adequada de proteínas tem relação direta
com a velocidade de formação dos tecidos da gestante e do bebê. O valor recomendado para
grávidas é de 71g por dia, sendo que metade desse valor deve provir de carnes, aves e ovos e a
outra metade, de alimentos de origem vegetal, como os feijões e derivados.

Carboidratos
A necessidade de carboidratos aumenta porque o metabolismo da gestante está mais
acelerado e, por conta disso, precisa de mais energia. A indicação é de 175g de carboidratos
por dia. Arroz, batata, massas em geral, mandioca, pães, bolachas, aveia e granola são
excelentes fontes desse elemento.
“Lembre-se, nunca tome medicamentos, suplementos ou vitaminas durante a gravidez sem a
orientação do seu médico.”
Fonte: http://minhavida.uol.com.br/familia/galerias/16287-omega3-na-gravidez-reduz-risco-de-parto-prematuro-egarante-bebe-mais-saudavel