
Da Redação com informações do Ministério Público
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Encontro internacional reuniu nesta terça e quarta-feira (11 e 12 de junho) representantes de municípios de todo o Estado, membros do Ministério Público Estadual e do Trabalho e interessados nas causas ambiental e de saúde para a discussão de problemas ligados ao uso de agrotóxicos e do amianto e também de soluções para o fomento à produção de alimentos orgânicos e à agroecologia.
O evento promovido pelo Ministério Público Estadual, Ministério Público do Trabalho e Secretaria de Estado do Trabalho e Economia Solidária foi realizado no Centro de Convenções de Curitiba, com a participação de especialistas e pesquisadores do Brasil, Argentina e Itália.
No primeiro dia, a tônica do evento foi o problema da utilização do amianto, fibra mineral, usada principalmente na construção civil. O amianto já foi abolido em 55 países, mas ainda é usado em muitas nações (em 2007 foram consumidos mais de 2 milhões de toneladas do produto), incluindo o Brasil, onde são produzidos quase 3 mil produtos industriais, principalmente telhas, caixas d´água, pastilhas e lonas para freio. O país é um dos cinco maiores produtores, consumidores e exportadores de amianto no mundo, representando 5% do consumo. A China é o maior consumidor (30%), seguido por Índia (15%), Rússia (13%) e, empatado, Cazaquistão (5%).
A única mina de amianto hoje localiza-se no Brasil, em Goiás, a mina de Cana Brava, controlada pela SAMA Mineração de Amianto, do grupo Eternit.
| O secretário Luiz Cláudio Romanelli, da Secretaria de Estado do Trabalho e Economia Solidária |
Os expositores falaram sobre os prejuízos que a exposição ao amianto ou asbesto traz à saúde, causando doenças como a asbestose, o câncer de pulmão e o mesotelioma, tipo de câncer que ocorre nas camadas mesoteliais da pleura, pericárdio, peritônio e da membrana serosa do testículo, doenças que podem levar até 45 anos para se manifestar.
“O amianto tem que ser extirpado da face da terra, quanto mais tempo demorarmos para abolir o amianto, mais gente vai morrer por causa dele”, afirma o presidente da Associação Nacional dos Expostos ao Amianto (ABREA), Eliezer João de Souza. “Nós já fomos contaminados; é um caminho sem volta, porque o amianto não sai do nosso corpo; a luta hoje é preventiva, para que a nova geração não morra contaminada”, diz Souza, que trabalhou durante 13 anos em empresa que utilizava a fibra mineral.