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Conjuntivite tem causas diversas e tratamentos específicos

A conjuntivite tem várias causas. E, embora não seja uma doença grave, ela pode evoluir para um quadro complicado se não for bem tratada

Por:
01/07/2013 às 17h16
Conjuntivite tem causas diversas e tratamentos específicos

Gita Leder

Da Abril Saúde


 

Os primeiros sintomas são um prenúncio do que está por vir: olhos vermelhos e marejados. Isso na melhor das hipóteses. É que, dependendo do tipo de conjuntivite, as pálpebras se grudam e surge uma secreção amarelada bem no canto interno dos olhos. Quem já teve o incômodo fica tentado a aplicar o mesmo colírio que o oftalmologista indicou anteriormente. Errado. Há várias causas e vários tipos do mal. O tratamento, portanto, nem sempre é o mesmo. E aí medicamentos mal usados podem levar a problemas bem mais graves do que a própria doença. 

A conjuntivite tem várias causas. E, embora não seja uma doença grave, ela pode evoluir para um quadro complicado se não for bem tratada


Como o próprio nome sugere, o alvo é sempre o mesmo: a conjuntiva, aquela membrana que reveste a parte branca do globo ocular, que é rica em minúsculos vasos sangüíneos. "A inflamação faz com que eles fiquem mais irrigados e, consequentemente, a aparência do olho se torna muito vermelha", explica Luís Paves, oftalmologista da Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp. O quadro dura de uma semana a 15 dias e geralmente compromete os dois olhos - primeiro um, depois o outro. 


A conjuntivite só é contagiosa quando provocada por vírus ou bactérias. E há casos em que esses dois agentes agem em conjunto. Isso porque, algumas vezes, o tipo viral facilita a evolução de uma infecção bacteriana. "Isso torna o caso mais grave e obriga a uma alteração do tratamento", alerta o oftalmologista Ronaldo Boaventura Barcellos, do Instituto Penido Burnier, em Campinas, no interior paulista.


"Os agentes infecciosos não são transmitidos pelo ar, mas pelo toque", avisa o oftalmologista Ricardo Nunes Eliezer, do Hospital Samaritano, em São Paulo. Então, basta um aperto de mão ou o uso compartilhado de uma toalha de rosto, por exemplo, para o contágio acontecer.


O tipo menos frequente de conjuntivite é aquele provocado por agentes químicos, que irritam os olhos e desencadeiam um processo inflamatório. Quem vive nos grandes centros urbanos nem sempre fica imune à poluição atmosférica - exemplo clássico dessa manifestação da doença. É que as partículas em suspensão no ar atingem em cheio a conjuntiva. O excesso de cloro na água da piscina e até o uso indiscriminado de colírios também são agressores externos. Essa forma de conjuntivite, no entanto, não é transmissível. 


Segundo um estudo do Instituto Penido Burnier, até mesmo o filtro solar pode causar conjuntivite química. Após avaliar 368 pacientes com idades entre 16 e 45 anos, no período de 2004 a 2006, os pesquisadores de Campinas concluíram que o protetor foi responsável por 46% dos casos de conjuntivite química observados em consultório. Isso não significa que esses produtos devem ser evitados, mas sim que é preciso tomar alguns cuidados para que não afetem os olhos. A dica é enxugar o suor do rosto com lenços descartáveis e lavar os olhos para remover resíduos de creme ou gel. Outra recomendação é passar o filtro até a altura das sobrancelhas e, depois, abaixo das pálpebras inferiores. 


Para o leigo, por mais bem informado que ele esteja sobre os vários tipos de conjuntivite, saber qual é qual não é tarefa fácil. Então, mantenha certa distância de quem está com os olhos visivelmente irritados. Outra recomendação que não custa repetir: consulte o oftalmologista assim que surgirem os primeiros sinais. Isso porque os mesmos microorganismos da conjuntivite bacteriana podem atacar a córnea e causar uma úlcera, algo bem mais complicado — principalmente quando se insiste em usar lentes de contato com os olhos irritados. Enquanto durar a vermelhidão, o certo é deixá-las de lado e só voltar a botá-las quando o especialista permitir.

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