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Curitiba precisa dobrar ritmo das obras

Nos próximos dez meses, o poder público tem de acelerar a execução dos projetos se quiser terminá-los antes do início do Mundial em Curitiba

Por:
31/07/2013 às 11h14
Curitiba precisa dobrar ritmo das obras

Curitiba

Raphael Marchiori


 

No ritmo atual, segundo o TCE-PR, as obras do Corredor Aeroporto–Rodoferroviária não ficam prontas antes de 2016


O ritmo de execução dos projetos de mobilidade urbana da Copa do Mundo em Curitiba vai precisar dobrar nos próximos meses para que todas as obras sejam entregues dentro do prazo. A projeção foi feita com base no 6.º relatório da Comissão de Fiscalização da Copa 2014, divulgado neste mês pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR). Segundo o documento, até maio, o ritmo médio mensal de avanço do cronograma físico/financeiro das obras foi de 3,73%. Para que tudo fique pronto até de junho de 2014, quando tem início o Mundial da Fifa, esse porcentual deverá saltar para 7,38%.

 

A tarefa não é fácil, principalmente quando se observa o ritmo atual desses trabalhos. Anunciada como sub-sede da Copa em maio de 2009, Curitiba viu suas primeiras obras para o evento saírem do papel apenas três anos depois. De lá para cá, somente a Rua da Pedreira, via de 7,6 quilômetros que liga Curitiba a Colombo e que entrou em obras em março deste ano, conseguiu manter o cronograma em dia. Na última medição, a intervenção tinha 5,13% dos serviços concluídos.

 

Outras obras ainda não deslancharam. O trecho mu­­nicipal do Corredor Aeroporto–Rodoferroviária, por exemplo, teve 20,22% do cronograma dos lotes 2 e 3 executados – abaixo dos 39,97% previstos para os primeiros 11 meses de execução. Os lotes 1 e 4 da obra foram contratados no final de junho sob Regime Diferenciado de Contratação (RDC), uma nova modalidade de licitação criada justamente para acelerar as obras.

 

Rodoferroviária

A requalificação da Rodoferroviária, que nesta altura do campeonato deveria ter 32,94% do cronograma executado, estava em 22,19% na época da última medição. O baixo porcentual já coloca em risco a necessidade de testes prévios no terminal.

 

“Ele será a principal porta de entrada de turistas na Copa e seria importante alguns meses de teste para avaliação da demanda e de toda parte logística”, opina o economista Ramiro Gonçalves, professor do Centro de Pesquisa e Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal do Paraná.

 

A falta de testes prévios em Pernambuco, durante a Copa das Confederações, fez com que torcedores sofressem com filas para embarcar na estação Cosme Damião do Metrô – a mais próxima da Arena Pernambuco e inaugurada apenas seis dias antes do evento. O terminal ainda foi criticado por goteiras e sinalização inadequada.

 

Outra preocupação paira sobre o ritmo de execução: a qualidade das obras. “Nessas situações podemos ter um consumo mais rápido de recursos e a possibilidade de perda de qualidade”, diz Ricardo Bertin, coordenador-adjunto do curso de Engenharia Civil da Pontifícia Universidade Ca­­tólica do Paraná.

 

Medição do TCE não é perfeita, mas é a mais real, diz especialista

As obras de mobilidade urbana da Copa em Curitiba têm financiamento do programa Pró-Transporte. Os repasses são feitos pela Caixa Econômica Federal e ocorrem por etapas, de acordo com medições que verificam o andamento da execução. É a partir dessas medições que o TCE-PR chega ao porcentual de realização de cada serviço. No caso do último relatório, a equipe técnica do tribunal somou todas as medições feitas até então – do início de cada obra até maio – e dividiu o resultado pelo valor total contratado.

 

José Matias-Pereira, professor de Finanças Públicas da Universidade de Brasília (UnB), afirma que esse método é o que mais se aproxima da realidade, apesar da possibilidade de conter falhas. “Em princípio, você precisa usar da metodologia e também do bom senso”, pondera.

 

Ele explica que há casos nos quais a empresa contratada executa serviços com recursos próprios, o que impede a medição da evolução por meio dos repasses financeiros. “Os gestores buscam um processo de entendimento com as empresas construtoras, que fazem o serviço para depois buscar o ressarcimento”, argumenta.

 

O estádio do Corinthians, por exemplo, já tem mais de 80% de execução física e ainda não recebeu os R$ 400 milhões via empréstimo do BNDES.

Arena da Baixada teve pouca evolução em suas obras




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