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Os 26 segundos que mudaram os EUA

Há 50 anos, o presidente Kennedy foi assassinado num desfile em Dallas, diante da câmera do empresário Abraham Zapruder

Por:
22/11/2013 às 11h16
Os 26 segundos que mudaram os EUA

Redação

com O Globo


 

Kennedy e Jackie, pouco antes dos tiros disparados por volta das 12h30 de 22 de novembro de 1963. Assassinato mobilizou a cobertura televisiva pela primeira vez, por quatro dias


Vinte e seis segundos de gravação eternizaram, nas mentes de espectadores americanos e estrangeiros, o assassinato de John Fitzgerald Kennedy, o 35.º presidente dos EUA, num desfile em carro aberto em Dallas, Texas, há exatos 50 anos.

 

Funeral no Cemitério Nacional de Arlington, em Washington


O filme, gravado pelo empresário Abraham Zapruder com uma câmera Bell & Howell em 8 mm, é tão icônico quanto o protagonista, não só pelo valor histórico. Visto e revisto ao redor do mundo há cinco décadas – primeiro em fotogramas publicados na revista Life em 1963 e posteriormente na tevê, a partir de 1975 –, o registro transformou o trágico fim em produto de massa.

O desfecho casa perfeitamente com a trajetória midiática de JFK. Político ambicioso, com apoio da família e da mulher, Jacqueline, ele se valeu da mídia em cada etapa da carreira para forjar a imagem que conquistou os EUA.

 

Fez da televisão ferramenta de promoção pessoal e arma das políticas doméstica e externa. Em vida e na morte, Kennedy foi um presidente-espetáculo.

 

Os ensinamentos vieram de casa. A matriarca Rose era filha de um ex-prefeito de Boston e entendia as necessidades da vida pública: estar nos holofotes, transitar na imprensa e frequentar as páginas dos jornais. Já o patriarca Joseph foi produtor de Hollywood na década de 1920. Sabia os ângulos e gestos perfeitos, a linguagem de maior apelo e a melhor forma de vender uma ideia. Foi assim que o casal construiu a imagem de clã e dinastia que serviria a JFK anos mais tarde: desde 1938, a Life registrava os nove filhos dos Kennedy. Quando John tornou-se a opção familiar na política, os pais sabiam que sua juventude, estirpe cosmopolita e seu passado de herói de guerra eram ativos.

 

Mais do que uma estratégia de marketing, a criação cuidadosa da imagem de Kennedy tinha função vital para a ambição política do clã: mascarar o fato de que ele passara a juventude tratando uma doença degenerativa nas costas que o perseguiu até a morte.


 

 

 

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