
Redação
com Agência OGlobo e EFE
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| Bispo lê a exortação apostólica do papa Francisco durante a leitura pública do documento |
O papa Francisco divulgou nesta terça-feira (26) um documento no qual delineia a missão de seu pontificado, detalhando como a Igreja Católica e o próprio papado devem ser reformados para criar uma igreja mais missionária e misericordiosa, destinando atenção especial aos pobres. É o primeiro grande trabalho que Francisco escreveu sozinho como papa.
No texto, conhecido como exortação apostólica, o Pontífice argentino faz um apelo pela renovação da Igreja Católica Romana e ataca o capitalismo irrestrito como "uma nova tirania", instando líderes globais a combaterem a pobreza e a desigualdade.
Chamada de "Evangelii Gaudium" (A alegria do Evangelho), a exortação é apresentada em estilo de pregação simples e acolhedora, distinta dos escritos mais acadêmicos de antigos papas. Francisco afirma que a renovação da Igreja não pode ser adiada e que o Vaticano e sua hierarquia arraigada "também precisam de ouvir o apelo à conversão pastoral".
Sem mudança na questão do aborto
Ainda no documento, elaborado após os trabalhos do Sínodo de Bispos, realizado de 7 a 28 de outubro de 2012, o papa Francisco afirmou que "não deve se esperar que a Igreja mude sua postura" sobre a questão do aborto pois este assunto não está sujeito a "supostas reformas ou modernizações" e opinou que "não é progressista pretender resolver os problemas eliminando uma vida humana".
No entanto, Francisco reconheceu que "também é verdade que fizemos pouco para acompanhar as mulheres que se encontram em situações muito duras, onde o aborto se apresenta como uma rápida solução para suas profundas angústias, particularmente quando a vida que cresce nelas surgiu como produto de um estupro ou em um contexto de extrema pobreza".
"Quem pode deixar de compreender essas situações de tanta dor?", perguntou.
Segundo o pontífice, "a Igreja quer cuidar com predileção das crianças por nascer, que são os mais indefesos e inocentes de todos, a quem hoje se quer negar sua dignidade humana para se fazer com eles o que se deseja, tirando-lhe a vida e promovendo leis para que ninguém possa impedir".
O bispo de Roma acrescentou que "frequentemente para ridicularizar a defesa que a Igreja faz de suas vidas, procura-se apresentar sua postura como algo ideológico, obscurantista e conservador".
No entanto, esta defesa da vida por nascer "está intimamente ligada à defesa de qualquer direito humano", sustentou.
"Representa", acrescentou o papa, "a convicção de que um ser humano é sempre sagrado e inviolável, em qualquer situação e em cada etapa de seu desenvolvimento".