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Engenheiro Agrônomo sugere reflexão a sociedade

João Edino Del Antonio faz alerta sobre o avanço da erosão na região Norte do Paraná

Carlos Roberto Francisquini
Por: Carlos Roberto Francisquini
26/12/2013 às 15h07
 Engenheiro Agrônomo sugere reflexão a sociedade

 

 

 

 

 

Cambará

João Edino Del Antonio


 

A monocultura é o plantio extensivo de um único vegetal. Trata-se de modalidade auto sustentável, mas apenas por um determinado período de tempo, pois possui o condão de proporcionar desvantagens ambientais, uma vez que exaure o solo com o tempo, reduzindo assim a biodiversidade.

 

Não obstante, tem-se também desvantagens sociais, as quais se operam com a redução do uso da mão de obra no campo,  afugentando as populações  rurais. E ainda há desvantagens econômicas, que apresentam enormes riscos, já que uma única doença, praga pode provocar a queda do preço do produto.

 

A erosão é uma das formas mais prejudiciais de degradação do solo, uma vez que reduz a capacidade produtiva das culturas, além de causar  sérios danos ambientais, tais como: assoreamento e poluição das fontes de água (ZARTL el al., 2001; COGO et al., 2003).

 

A mesorregião do Norte Pioneiro do Estado do Paraná está localizada em parte, no Segundo Planalto, o qual se insere na bacia do Paraná e em parte no Terceiro Planalto, o qual é constituído por derrames basálticos, que formam uma paisagem  bastante uniforme, em relevo suavemente ondulado (Fonte: Ipardes).

 

Os solos que se destacam pela fertilidade natural, localizam-se predominantemente no Terceiro Planalto. São do tipo terra roxa estruturada, compostos de solos bem desenvolvidos, profundos, argilosos, bem drenados e com elevada fertilidade natural.

 

Esta região viveu por longo período desde os desbravamentos das florestas até o início da década de 1990, sob a tecnologia do uso do arado e posteriormente da grade de arrasto, proporcionando desta forma, prejuízos incalculáveis de perda de solo, sua fertilidade e decréscimo do nível de matéria orgânica, com reflexo na produção e produtividade.

 

O governo do Estado fez investimentos volumosos em todas as regiões do Paraná, consubstanciando-se em modelo para outros Estados, como São Paulo, além de implementar as micro bacias com construção de terraços (base estreita, larga e até mesmo os condenáveis “murunduns”), quebra de barrancos, readequação das estradas, proteção das nascentes, abastecedouros, incentivos ao reflorestamento com cessão de mudas etc.

 

No passo seguinte introduziu-se o plantio direto na palha, com ótima aceitação e apresentando resultados fantásticos ao longo do tempo, tratando-se de técnica promissora e com ótimas perspectivas de aumento de safras, exceto  pelos baixos preços das commodities  em determinadas safras agrícolas.

 

É plausível que os resultados de contenção de erosão sejam muito significativos e auspiciosos para a área agrícola e aos produtores que dela dependiam para sua sustentabilidade e vivência no campo. O agricultor começou a resgatar sua dignidade de protetor do campo, deixando de ser considerado com a “pecha” de destruidor das matas, do solo, das águas e poluidor com altos índices de uso de pesticidas.

 

Com as frequentes crises do petróleo, provocando diminuição dos estoques mundiais e a consequente alta nos seus preços, bem como a influência dos altos índices de dióxidos (CO2), gases prejudiciais e responsáveis pelo efeito estufa, o governo federal criou mecanismos de incentivos para produção do etanol e biodiesel, originários de uma fonte que se pretende limpa, fazendo com que a cana de açúcar alcançasse este status de fonte de energia limpa e renovável.

Entretanto, com os preços das commodities (etanol, açúcar) em alta, os agricultores optaram pela produção da cana de açúcar, afinal naquele momento se mostrava vantajoso, uma vez que possuía mão de obra abundante e preços atraentes. Em outros dizeres, a cultura da cana de açúcar se revelou altamente compensadora.

 

Por outro prisma, é importante dizer que ao olharmos somente para aspecto econômico, passou-se a minimizar o uso a mão de obra pelo agricultor, pois, posteriormente se tecnificou o sistema de colheita, passando-se a adotar colheitadeiras alta performance, eficientes e produtivas. Mas os agricultores, técnicos, usineiros e a sociedade esquecem de um aspecto primordial e básico que é o substrato onde implantamos a cultura, isto é, o solo, uma vez que o sistema não é totalmente condizente com as características do solo e suas peculiaridades, necessitando de implantação sob um sistema de pesquisa e orientação adequados e prévios.

 

O solo, que no início se apresenta fértil, profundo e rico em matéria orgânica e minerais, posteriormente se mostra empobrecido pela ação das grades e pelo uso do fogo, perdendo-se milhares de toneladas de solo pela erosão.

 

Apenas uma centésima parte desse solo é recuperada com a introdução das técnicas de conservação de solos e plantio direto na palha, ao se implementar a tecnologia da colheita mecânica, altamente rentável e eficiente, onde uma máquina pode fazer serviço de 80 homens ou mais, por dia.

 

Adaptamos e implementamos nosso plantio em função da rentabilidade das máquinas, quando o correto  seria empreender as máquinas em função das características dos nossos solos, do relevo, da manutenção e recuperação do solo, rotações de culturas, manejo de pregas e doenças, das técnicas da incorporação dos adubos verdes para manutenção e ganho de fertilidade dos solos.

 

Em verdade, não pensamos, discutimos e planejamos qual a melhor técnica a ser adotada. O sistema atual é consistente e nos leva a ganhos imediatos, mas pensando o futuro, quanto tempo a estrutura do solo comportará o uso do fogo, a tecnificação e o transporte pesado sobre este solo? Qual a principal causa e efeito do plantio morro abaixo empregado na nossa cultura? A nossa projeção precisa ser voltada para o futuro, com ganhos a longo prazo, com rentabilidade contínua e crescente.

 

A erosão laminar que está presente diuturnamente em nossos campos é preocupante. Se faz imprescindível que seja analisada e encarada com seriedade e responsabilidade, pois a cultura com um sistema vegetativo vigoroso encobre estes inimigos silenciosos, mas muito danosos.

 

Por fim, conclamamos a todos, leigos, técnicos, a sociedade como um todo, a analisar os aspectos positivos e negativos que o sistema oferece e possamos discutir o futuro e a sobrevivência da nossa região como fonte produtora de matéria prima para a biodiversidade e sustentabilidade em energia limpa, lembrando que as condições de depauperação ambiental da região é acentuada devido à ausência de áreas significativas de florestas.

 



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