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Claudio Stringari
Na última década, a hipertensão fez mais de 70 milhões de vítimas no mundo. Dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) revelam que, no Brasil, a doença atinge 30 milhões de pessoas, o que representa 30% da população adulta no País. A maior parte dessas pessoas sequer faz qualquer tipo de tratamento ou acompanhamento médico.
O levantamento da entidade aponta também que a hipertensão arterial ou pressão alta é responsável por 80% dos casos de acidente vascular cerebral (AVC) e 47% dos infartos, fatais ou não, em todo o mundo. Chama-se hipertensão quando a pressão que o sangue faz na parede das artérias para se movimentar é muito forte, com valor superior a 120/80 mmHg (ou 12 por 8).
Se não tratada corretamente, a hipertensão arterial é um importante fator de risco para doenças cardiovasculares como AVC (derrames), cardiopatias, enfarte do miocárdio, insuficiência renal, arterosclerose e lesões oftalmológicas - como perda de visão. "Contamos com tratamentos muitos eficazes para a pressão alta, porém atualmente, no Brasil, ainda há um número extremamente baixo de pacientes que conseguem controlar a hipertensão e fazer um tratamento adequado para evitar lesões em órgãos alvos (rins, coração e cérebro) com consequências sérias na sua qualidade de vida, explica o cardiologista Geraldo Henrique Scheffer, do Hospital VITA Batel.
O especialista lembra também que junto com a predisposição genética outros fatores como sedentarismo, obesidade, estresse e preocupações, ingestão de drogas, alimentos ricos em sódio, fumo, álcool, podem levar ao desenvolvimento e o não controle do quadro de hipertensão arterial.
"Na maioria das vezes, a hipertensão arterial pode não apresentar sintomas. Além disso, muitas pessoas desconhecem que são portadoras de hipertensão", alerta Scheffer. Por isso, segundo ele, é necessário aferir a pressão frequentemente, principalmente se tem história familiar de hipertensão ou se já apresentou níveis pressóricos elevados em exames anteriores.
A hipertensão arterial está fortemente associada ao aumento do peso, estilo de vida e ao diabetes. Para o cardiologista, ter hábitos de vida saudáveis, como praticar atividades físicas e ter uma alimentação saudável (alimentos com pouco sal e baixo índice de gordura, ricos em frutas e legumes) são essenciais para evitar o problema. "Não nascemos com hipertensão, podemos sim ter uma predisposição, a doença se desenvolve com o passar dos anos", explica. Além disso, segundo Scheffer, quanto maior a idade, maior será o risco da pessoa se tornar hipertensa. O problema atinge homens e mulheres, principalmente a partir da quinta década de vida, por isso, "Não podemos esquecer de mensurar a pressão arterial e fazer avaliações médicas periódicas", finaliza o especialista.