

Cambará
C.Roberto Francisquini
“Tenho paixão pela agricultura” diz Aparecido Domingos Scoparo (49), produtor rural em Cambará. Ele conta que nasceu no meio rural e que sua vida é indissociável do meio agrícola.
O agricultor contou à reportagem de o Rural, que, apesar do revés da atividade e a ausência de políticas agrícolas por parte do Governo, nunca se viu em outra atividade.
Seu Aparecido é a síntese do homem do campo moderno, pessoa simples e muito bem informada. Conhece os segredos da atividade e tem seus objetivos bem traçados. “Produzir mais e melhor, sempre” contou. Scoparo diz que um dos entraves que barram o desenvolvimento da agricultura no país é a ausência de políticas do preço mínimo que garantiria estabilidade para a classe produtiva. Ele criticou o modelo adotado no Brasil e sugeriu que o agricultor só precisa de um mercado que garanta fazer planos. “Eu acredito que o governo poderia nos dar nem bastante nem pouco, eu acho que tinha que ter um preço para que a gente tenha a noção de quanto investir. Às vezes se investe um valor pensando num tipo de programação e acabamos recebendo a indigesta notícia de que produto ora valoriza, perde força e cai 30%, o plano muda e a conta fica para quem produz, isto não está certo” indaga, “Nossa margem é muito pequena e esta instabilidade pode levar o produtor a perder o que tem” pondera.

Pensando nisto, seu Aparecido se desdobra para economizar o máximo que pode. “Tento fazer tudo por aqui, só recorro a outros meios quando não há outro jeito” explica. No que diz respeito à mão de obra, o agricultor revela o segredo. “A questão é a seguinte, para o pequeno produtor como eu, se for para pagar mão de obra que seja qualificada, que fará a diferença, no mais, o segredo é programar cada dia de trabalho e por em prática, criar um ambiente de trabalho e executar” recomenda.
Aparecido é casado com Gilmara Marta de Paula Scoparo, a família se completa com as filhas do casal, Gabriela (13) e Beatriz (08). Aparecido diz ser um apaixonado pela agricultura e relata que sua maior felicidade é ver a lavoura ir bem. “A minha felicidade é ver o chão roxo se cobrindo de um verde vivo que tem a cor e o cheiro da esperança de dias melhores...” conta.
Para driblar as adversidades de clima e mercado, Aparecido acorda bem cedo, e inicia sua jornada. Ele cultiva sozinho toda a propriedade. “Conto somente com o apoio de minha esposa, que me ajuda no que está ao seu alcance e, juntos, labutamos para continuar na atividade” explica.
Dona Gilmara fala, com brilho nos olhos, do amor e da força de vontade que o marido nutre pela profissão. “É nosso herói” resume.
Para ajudar o marido, dona Gilmara fica responsável pelas atividades domésticas e cuida da família, mas, se preciso for, assume o volante do trator e vai para a roça também. “Estamos juntos para o que der e vier” diz dona Gilmara.
Na propriedade do casal, tudo é bem organizado, e conta com um pouco de tudo, uma pequena horta cultivada no capricho, algumas galinhas no terreiro, frutas em abundância e harmonia familiar. Esta última, o maior tesouro da família.
