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Queda de preços e chuva pressionam trigo e área tende a reduzir em 2015

Com estimativa de colheita recorde, recuo nos valores externos e alta nos custos de produção, agricultores devem optar entre o cereal e o milho na próxima decisão de plantio de inverno

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02/10/2014 às 10h32
Queda de preços e chuva pressionam trigo e área tende a reduzir em 2015

 

São Paulo – A poucos dias do primeiro leilão de equalização de preços (Pepro) no Paraná – maior estado produtor de trigo do País – o alto índice de chuvas preocupa os triticultores da Região Sul, pelo risco à qualidade e aumento nos custos de produção. Com preços já abaixo do mínimo, existe uma tendência clara para redução das áreas de plantio em 2015.

 

A cultura prevista para suprir esta lacuna é o milho de segunda safra, outro produto que tem sofrido com baixa de preços por oferta abundante, mas que, em contrapartida, tem mais facilidade no escoamento. A avaliação é do presidente do Moinho Pacífico, Lawrence Pih.

 

“A grande pergunta é o que o governo vai fazer para a próxima safra? O produtor está muito desestimulado e vai ter que calcular o retorno entre o milho e o trigo para decidir qual será a área para rotação de inverno. Vai ser uma decisão bastante difícil”, enfatiza o executivo.

 

Auxílio

 

No próximo dia sete serão disponibilizados R$ 150 milhões, pelo Ministério da Agricultura, para comercialização de 160 mil toneladas do trigo em grãos provenientes do Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo através do Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro).

 

O Rio Grande do Sul – segundo maior estado produtor – poderá participar de um segundo leilão, que acontece no dia 28 deste mês.

 

Nesta semana, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou a inclusão das indústrias moageiras para que tenham direito à subvenção para construção de armazéns pelo Programa de Sustentação do Investimento (PSI).

 

O presidente da Câmara Setorial de Culturas de Inverno e gerente técnico e econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Flávio Turra, lembra que ainda estão disponíveis mais de R$ 200 milhões para escoamento do cereal através de Aquisições do Governo Federal (AGF).

 

Desvalorização

 

Apesar de tudo, representantes do setor consultados pelo DCI acreditam que os auxílios do governo federal ainda não são suficientes para recuperarem os preços, visto que o mercado internacional também está em depreciação. De acordo com o presidente da Comissão de Trigo Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Hamilton Jardim, o estado ainda tem cerca de 350 mil toneladas do produto remanescente da última safra para ser negociado. “Conseguimos a redução de ICMS e estamos vendendo para Santa Catarina e Paraná, mas aqui também há uma tendência de redução na área de plantio”, comenta.

 

No mercado internacional, Pih diz que os preços norte-americanos passaram de US$ 370 para US$ 275 a tonelada em questão de dias. A safra foi muito grande e todos os países produtores estão sofrendo com a queda de preços.

 

“O mundo tem bastante trigo, mas a qualidade foi afetada pelo clima na Europa, por exemplo. Canadá e EUA ainda têm um produto melhor, e estamos aguardando o desempenho da Argentina. Só uma reação no mercado externo ou aumento no câmbio podem ajudar”, estima Pih.

 

Clima

 

A analista de mercado do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), Rafaela Moretti Vieira, alerta para o aumento nos custos de produção ocasionados pelas chuvas e a necessidade de mais aplicações de fungicidas na lavoura. “Já existe uma preocupação sobre baixa liquidez de mercado. As chuvas ainda podem prejudicar a qualidade da produção”, diz.

 

“O plantio de trigo dificilmente paga seus custos totais de produção, mas se justifica por ser uma boa cultura para rotação. Vale ressaltar é que nesta safra a rentabilidade está muito próxima de não cobrir nem o desembolso do produtor (custo operacional), em regiões como Guarapuava, no Paraná”, completa o pesquisador do Cepea, Renato Ribeiro.

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