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Parques: é possível conviver neles e preservá-los

O Paraná possui 68 Unidades de Conservação, sendo uma delas “Parque Estadual”. Ao todo, 22 unidades são abertas à visitação do público e possuem programas de interação

Por:
21/10/2014 às 10h19
Parques: é possível conviver neles e preservá-los

Curitiba

Luciane Honorio


 

 

Receber um reconhecimento de boa administração pública é uma conquista não apenas do Governo, mas de toda a população. Cuidar de parques estaduais é uma tarefa que cada vez mais vem sendo feita pelos paranaenses.

 

O Parque Estadual de Vila Velha, em Ponta Grossa, nos Campos Gerais, recebeu o Certificado de Excelência concedido pelo site TripAdvisor. O prêmio é oferecido aos pontos turísticos de 45 países e os vencedores são eleitos pelos viajantes através das avaliações e pontuações que compartilham no site.

 

Uma das Unidades de Conservação mais visitadas no Estado e administrada pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), o local recebeu, em 2013, mais de 71 mil visitantes brasileiros e estrangeiros. A boa administração e o cuidado com limpeza são fatores que contribuem para resultados positivos como este.

 

Tarcísio Mossato Pinto, presidente do IAP, explica como mudanças na administração dos parques estaduais mudaram o cenário turístico do Paraná. Natural de Jacarezinho, na região do Norte Pioneiro, Tarcísio é funcionário público de carreira do Instituto, onde trabalha na área de licenciamento e fiscalização ambiental.

 

Entre suas atividades anteriores, coordenou os Estudos de Impacto Ambiental das usinas termelétricas de Figueira e Canoas 1 e 2. Contabilista, ele foi chefe do escritório regional do IAP em Jacarezinho e hoje preside o órgão a nível estadual.Também é membro do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), e primeiro secretário da Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Meio Ambiente (Abema).

 

Quantos parques estaduais o Paraná possui e como está sendo feita a administração deles?

 

O IAP é responsável por 68 Unidades de Conservação de diferentes categorias de uso, sendo uma delas “Parque Estadual”. Dessas, 22 são abertas à visitação para opúblico, as demais servem como locais para a conservação e pesquisas.

 

Desde que assumimos a administração do IAP, adotamos a ideia de que quando a pessoa conhece e tem contato com o meio ambiente, melhor ela vai preservar, não só o local como todos os outros que tiver um significado ambiental.

 

Priorizamos investimentos em infraestrutura para dar melhores condições para que os visitantes conheçam mais dos biomas do nosso Estado. A maioria das Unidades de Conservação que possuímos não tinha nem mesmo um centro de visitantes adequado para receber os turistas.

 

Investimos em melhorias nas áreas já existentes porque de nada adianta ficar criando muitas novas áreas de conservação, pois elas demoram anos para sair do papel, para fazer a desapropriação e só depois investir em um ambiente próprio para receber os turistas. É um trabalho que pode levar anos.

 

Recentemente, o Parque Estadual de Vila Velha, em Ponta Grossa, nos Campos Gerais, recebeu o Certificado de Excelência concedido pelo site TripAdvisor. O que influenciou para garantir o reconhecimento?

 

Acredito que o certificado é o reconhecimento de um esforço conjunto. Especificamente para o Parque Estadual de Vila Velha, o IAP tem um contrato com a EcoParaná (hoje Paraná Projetos) que faz a gestão de uso público do parque. Com isso, nós conseguimos dar o melhor atendimento possível para o público que frequenta o local.

 

Nós também desenvolvemos novas atividades com o objetivo de explorar cada vez mais e melhor o parque e promover maior contato dos visitantes com a natureza. Foram criadas a trilha da fortaleza e as caminhadas noturnas, que acontecem sempre em noites de lua cheia. Ambos os passeios são com número limitado de participantes para garantir a segurança de todos e o menor impacto ambiental.

 

Além disso, o Parque também participa do Programa Parque Escola, uma parceira com a Secretaria de Educação para que alunos de escolas públicas estaduais e municipais possam ter aulas de educação ambiental e passar o dia nos nossos Parques Estaduais. A idéia é que os alunos tenham aulas práticas e de campo para entender a importância da conservação ambiental e do desenvolvimento sustentável.

 

Além da administração e limpeza dos parques, há outras ações para incentivar o turismo nesses pontos?

 

Sim. Nós estamos tentando abrir mais os Parques para a comunidade, fazendo testes de eventos, passeios e métodos de conservação que não necessariamente façam parte da rotina do local.

 

Por exemplo, no Parque Estadual de Vila Velha foi realizado, neste domingo, a Meia Maratona de Ponta Grossa. É um teste para atrair a participação da sociedade. Considerando a categoria de uso do local e a área que será utilizada para o evento, chegamos a um consenso de liberar 700 pessoas, para avaliar o impacto de um evento esportivo no local. Para liberar essa corrida na Unidade de Conservação, o Conselho Consultivo do Parque também precisou aprovar o evento.

 

Esta foi a primeira vez que o Parque recebeu um evento Esportivo. Esperamos, com isso, promover um maior contato da população com o meio ambiente para que eles vejam que é possível conviver de maneira saudável com o meio ambiente e preservá-lo.

 

Além do Parque Estadual Vila Velha, outros parques já foram reconhecidos nacionalmente e até mesmo mundialmente?

 

Em geral nossos parques são reconhecidos nacionalmente em programas ambientais, justamente pela conservação e manutenção dos biomas nessas áreas, mas o Parque de Vila Velha é o primeiro a receber uma certificação como essa voltada para o Turismo.

 

Até mesmo a Ilha do Mel, onde 95% do território é Unidade de Conservação, que é reconhecido internacionalmente como um ponto turístico ainda não recebeu uma certificação desse porte. As pousadas da Ilha sim, mas não as unidades de conservação.

 

Caso a população tenha denúncia sobre descaso com parques estaduais, como ela deve ser feita?

 

As denúncias de descaso e desrespeito ao meio ambiente não só nas nossas Unidades de Conservação, mas em todo o Estado, podem ser feitas através do nosso site (www.iap.pr.gov.br) no link “Fale Conosco”. A denúncia pode ser anônima e será acompanhada pela ouvidoria da instituição e pela ouvidoria geral do Estado.

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