

Cambará
Roberto Francisquini/EMBRAPA
A busca por melhoria de qualidade de vida quer seja através do consumo de alimentos saudáveis ou no requerimento de um meio ambiente limpo e
sustentável, está provocando uma mudança no modelo de exploração do palmito no Brasil, cuja atividade fora alimentada até a década de 80
apenas pelo extrativismo das palmeiras juçara (Euterpe edulis Mart.) e açaí (Euterpe oleracea Mart.). O produto obtido de extrativismo apresenta
qualidade abaixo do padrão, pois com a redução dos estoques naturais, a extração é realizada em palmeiras ainda jovens, originando palmitos fibrosos e de tamanhos irregulares.
Estas características comprometem o mercado mundial de palmito, assim como, a regeneração natural das espécies que tem seus ciclos reprodutivos interrompidos, com o corte prematuro das palmeiras.
Esse panorama motivou os proprietários da Fazenda Santa Mariana da Fatura, localizada no município de Cambará a investir no cultivo de palmeiras produtoras de palmito pupunha, por apresentar precocidade da colheita, rusticidade e perfilhamento, que são as características que a destacam entre os palmiteiros tradicionais, sendo o perfilhamento sua principal característica.
De acordo com Pedro Deruza, administrador da fazenda, o Sistema de Produção apresenta a tecnologia do processamento do palmito de pupunheira em agroindústria artesanal ecologicamente correta, montada na fazenda.
“Aqui, desde o plantio, manejo e a colheita, peças são trabalhadas artesanalmente seguindo padrões de higiene exigido pelo mercado” comentou Deruza.
A produção do palmito in-natura é feito em pequena escala, mantendo-se sua característica natural.
A atividade teve inicio há quinze anos com três alqueires, hoje são cinco direcionados a produção da pupunha.
Um aspecto positivo observado na propriedade diz respeito a cultura ecologicamente correto, pois ao formar pequena mata e sua rápida recuperação após a colheita, o meio ambiente fica preservado o que proporcionou o repovoamento de aves e animais silvestres que há muito não era visto na propriedade.
“Quando ingressei na fazenda era grande o número de serpentes na propriedade o que dava sinais claros do desequilíbrio ambiental” comenotu Pedro, “é notório que havia a ausência de predadores naturais nas imediações” acrescentou o administrador.
A Seriema, ave de rara beleza é vista com facilidade na propriedade. “Esta ave é um importante predador de cobras, desde que foi vista na região o número de serpentes diminuiu gradativamente” comentou o administrador.
O Palmito da Pupunha ou Pupunheira, vem se consolidando como um agronegócio extremamente viável sob os aspectos econômicos, sociais e ambientais. O palmito da Pupunheira possui uma característica única entre os demais, ele não escurece após o corte, podendo ser consumido da maneira tradicional em conserva, como também In Natura ou Minimamente Processado e Resfriado o que abriu o caminho para a comercialização.
A Fazenda Santa Mariana da Fartura abastece o mercado regional com produção estimada em cerca de 100k de palmito dia, que são distribuídos em três formatos. Bandeja de bolacha (rodelas) Coração (peça inteira) e Picados. (foto). Silene da Silva Borges (foto) é quem prepara as peças – limpa e embala - antes de serem comercializadas.
VANTAGENS DA PUPUNHA NA PRODUÇÃO DE PALMITO
Rusticidade. Não é muito exigente em solos, mas se desenvolve melhor com a adubação. Precisa de água para crescer, porém, não tolera encharcamento. Clima quente, úmido e precipitação pluviométrica (chuvas) bem distribuída, ou seja, acima de 1.600 milímetros por ano. Racionalidade no cultivo, possibilidade de colheita em quase todos os meses do ano. Vigor e rápido crescimento, precocidade em produzir: o primeiro corte acontece a partir de 18 meses do plantio. Perfilhamento, ou seja, a planta forma touceira como a bananeira e, após o primeiro corte, os filhotes crescem permitindo produção permanente. Isso não acontece com a espécie juçara pois, ao se retirar o palmito, mata-se a planta.
Baixos índices de substâncias oxidantes, o que proporciona alterações mínimas no sabor e no aroma do palmito, além de demorar a escurecer. Apesar de o sabor do palmito da pupunheira ser um pouco mais adocicado e sua coloração mais amarelada do que as espécies tradicionais, juçara e açaí, essas diferenças ficam quase imperceptíveis após seu processamento, sendo bem aceito.
DA PUPUNHA APROVEITA-SE QUASE TUDO
Os frutos, ricos em vitamina A e em amido (carboidratos), podem ser consumidos ao natural, cozidos em água ou fermentado na água para refresco. Deles, ainda pode se obter vinho, vinagre, manteiga, azeite, além de excelente farinha para consumo ao natural ou o preparo de mingaus, bolos e outros pratos.
Do mesocarpo, ou seja, da polpa dos frutos preparam-se picles. As folhas, o tronco, inclusive os frutos, são usados na ração animal. Do tronco pode-se extrair a celulose. Sua madeira também é aproveitada por ser de grande resistência e elasticidade. A parte apical, de onde se extrai o palmito, é macia e de sabor suave. Chama-se palmito a parte cilíndrica, localizada na parte superior da estipe, representada pelo conjunto de bainhas das folhas, em cujo centro se encontra a parte comestível.
Por isso tudo e também porque a atividade palmiteira extrativista do Brasil está esgotando estoques naturais, a pupunha apresenta potencialidade para a exploração racional do palmito, com objetivos econômicos.
Fonte: Embrapa



