

Curitiba
Renyere Trovão / Da Redação Gazeta do Povo
No início deste ano o analista de sistema Antonio Carlos Wolf Junior, 41 anos, de Curitiba, decidiu trocar de carro. Consultou a tabela Fipe – um dos principais termômetros de preço médio do mercado – e viu que seu Fiat Stilo 2005 estava cotado a R$ 22,5 mil. Colocou o hatch à venda e recebeu várias propostas, mas nenhuma próxima ao valor Fipe. Acabou fechando negócio por R$ 18,5 mil ou 18% a menos do que pretendia, pois desejava entrar de férias de carro novo poucos dias depois.
Para não perder dinheiro novamente, na hora da escolher qual modelo levaria para a garagem ele fez questão de acrescentar na compra o fator depreciação. Após rápida pesquisa, constatou que o Chevrolet Onix se enquadrava neste quesito e também na faixa dos R$ 40 mil que pretendia desembolsar. Financiou o compacto em 18 meses e em julho de 2015, quando pagar a parcela derradeira, fará uma nova troca por outro modelo, já sabendo que desta vez a desvalorização do seu carro não passará de 10%.
Para ser mais exato, Wolf Jr. deverá vender o seu Onix por um preço apenas 8,5% inferior ao que ele pagou quando tirou da concessionária, é claro, considerando o bom estado de conservação do veículo. Este foi o porcentual verificado pela Agência AutoInforme na 1ª edição do ‘Prêmio Maior Valor de Revenda’. No levantamento baseado em dados da tabela Molicar, outra ferramenta de consulta do varejo, o índice obtido pelo hatch da Chevrolet é o menor entre os 100 modelos mais vendidos no país. A pesquisa considerou os preços médios do mercado nacional (e não os de tabela da fábrica) para o zero km vendido no período de novembro de 2013 a novembro de 2014. Outros 15 veículos foram contemplados pelo prêmio em suas respectivas categorias.
Bem avaliado
Quem também terá o carro pouco desvalorizado quando passar adiante é o bancário Ayrton Pires Ribas Filho, 41 anos, também da capital. Há menos de três meses ele adquiriu um Ford EcoSport, que, segundo a AutoInforme, deprecia 11,1% nos primeiros doze meses após deixar a concessionária. O jipinho possui o maior valor de revenda entre os SUVs compactos. “Já tinha outro EcoSport, que foi bem avaliado pela concessionária. Então decidi trocar por um novo, que não era a minha ideia inicial. Mas as condições e o valor pago pelo meu usado foram fundamentais na escolha”, diz o proprietário. O bancário fez um financiamento de 36 meses e quando terminar de pagá-lo fará a troca de carro. “Ele ainda estará na garantia e valorizado. Não perderei muito na negociação”, salienta.
Estímulo
De acordo com Joel Leite, idealizador do prêmio e diretor da Agência AutoInforme, a iniciativa tem como objetivo estimular montadoras e importadoras a valorizar seus próprios produtos. Ele ressalta que esse estudo vem sendo feito há mais de dez anos e este ano decidiu transformá-lo num prêmio. “Em vez de questionar por que um carro perde valor, deveríamos perguntar por que um carro mantém um valor de mercado tão alto e por tanto tempo”, destaca.
Leite explica que a depreciação depende de vários fatores. “Do tamanho do carro, da marca, da rede de revendedores, do cuidado que a marca tem em relação ao pós-venda, ao segmento, a origem, ao fato de ter grande volume de venda e à sua aceitação no mercado”, lista.
