
| Foto: Roberto Francisquini |
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| Qualquer plantadeira de plantio direto pode realizar o trabalho tranqüilamente, desde que esteja com seus discos de corte funcionando perfeitamente e trabalhando com a pressão certa.
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A técnica do plantio direto em nossa região se consolidou a partir da década de 90, através de uma parceria de órgãos governamentais municipal e estadual, empresas privadas e toda a classe técnica, que através de campos demonstrativos e treinamento em massa, conseguiu mudar a idéia de que nosso solo era impróprio ao plantio direto na palha. Inicialmente a grande dificuldade era em ter maquinários apropriados a nosso tipo de solo que tem alto teor de argila.
Suprida essa deficiência, deparamos com outras dificuldades, entre elas a manutenção da palhada em cobertura devido ao longo período de tempo existente entre a colheita da safra de inverno e o plantio da cultura de verão, aliada a isso, temos temperatura amena no inverno e um verão quente e úmido, o que acelera o processo de decomposição da palhada existente sobre o solo. Não que essa decomposição acelerada seja negativa, pois aumenta a quantidade de matéria orgânica (mineralizada) no solo.
| "O problema é conseguir formar uma cobertura vegetal suficiente, para vencer a estação quente". Diz João Paulo Pavan
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Uma solução para esse problema seria o plantio de forrageiras no inverno em pelo menos um terço da área, rotacionando a cada ano até que complete todo o ciclo, porém, além de comprometer parte da renda do produtor, essa técnica representa um custo adicional, tornando se assim de difícil aplicação em nossa região que é formada basicamente de pequenos agricultores.
Entre as muitas alternativas desenvolvidas pelos órgãos de pesquisas, uma que nos chamou a atenção foi o consórcio do milho safrinha com a brachiaria, (braquiaria) que consiste no plantio simultâneo do milho, intercalado com a brachiaria, aproveitando a mesma operação. Esta técnica, além de proporcionar a formação de palhada para o cultivo de verão, não irá afetar na rentabilidade da cultura de inverno e tendo como custo adicional somente a aquisição das sementes.
Para isso, através de uma parceria com a Agrisus, a Sementes Sorria disponibilizou se uma área de 1 ha na Fazenda Água do Óleo, na safra de inverno passada, essa área foi apresentada a mais de 400 produtores de Cambará e região no dia de campo realizado no mês de agosto de 2011, essa área teve como principal finalidade levar ao conhecimento de nossos produtores essa técnica amplamente usada em algumas regiões do Paraná e Mato Grosso do Sul.
Acompanhe os principais trechos da entrevista com o Engenheiro Agrônomo João Paulo Pavan Justo.
Como se sabe, outras plantas no meio da cultura podem oferecer competição na cultura principal, comprometendo assim a produção, esse é um risco que se corre?
Não, a Embrapa Agropecuária Oeste, acompanhou o desenvolvimento desse projeto, e avaliou as mais variadas formas de fazer esse consórcio, chegando à forma como ele é feito atualmente na entrelinha do milho. Essa não irá influenciar significativamente na produção do milho, pois o milho recebe todos os nutrientes na linha de plantio e tem um desenvolvimento inicial bem mais vigoroso que a brachiaria, portanto, não compromete o seu desenvolvimento.
Essa brachiaria não irá atrapalhar a colheita do milho?
Veja bem, assim que o milho fechar a rua, o capim para de receber luz direta do sol, o que fará com que ele tenha um crescimento lento, quando o milho secar, ele volta a receber luz, e novamente tem seu crescimento acelerado, e atingirá seu ápice após a colheita do milho.
E para matar esse capim, é necessário o uso de mais herbicida?
Não, porém essa operação merece uma atenção especial. Na área onde tivemos o consórcio o ano passado, o manejo foi o mesmo realizado no restante da fazenda e não tivemos nenhuma sobra dentro da área e um fator que deve ser levado em consideração é que a brachiaria Ruziziensis, é susceptível ao glifosato, mas essa planta não deve estar sobre o estresse hídrico, assim como qualquer planta sobre uma condição de seca, uma aplicação de glifosato nessa condição é um tiro no pé.
E o plantio da soja no verão se dá na forma normal?
Sim, desde que se tenha as ferramentas certas na mão. Qualquer plantadeira de plantio direto pode realizar o trabalho tranqüilamente, desde que esteja com seus discos de corte funcionando perfeitamente e trabalhando com a pressão certa. Mas com certeza teremos algumas dificuldades, é uma coisa nova, assim como na implantação do plantio direto, teremos algumas dificuldades que com certeza serão superadas.
Na área onde foi plantada soja, notou-se alguma diferença, sobre o consórcio?
A diferença podia ser vista visívelmente, principalmente em meados de janeiro, quando aquele bairro foi castigado por um veranico, muito severo, e isso foi refletido diretamente na produção. Na área onde tínhamos o consorcio tivemos um incremento de 17% na produtividade. Porém, não é comum que se tenha uma diferença tão grande no primeiro ano desse trabalho, isso só aconteceu porque tivemos um caso extremo, se tudo tivesse corrido normal, a diferença não seria tão grande, é por isso que acredito que esse trabalho tem tudo para dar certo, pois podemos dizer que, uma palhada de cobertura, e uma carta na manga, num veranico como aconteceu nesse ano.
Quais são os benefícios do consorcio?
São inúmeros, podemos destacar os principais aqui, o primeiro é que se consegue conciliar a produção do milho com a formação de palha, veja bem quando se colhe a cultura da safrinha, tem-se uma janela de no mínimo 50 dias antes do plantio da soja, com o consorcio, ao invés de ter o solo parado e a degradação da cobertura vegetal, ocorre a formação de palhada, pois a brachiaria continua crescendo até ser dessecada para o plantio. Também podemos citar como benefícios, o aumento na retenção de água e menor evaporação direta do solo. O aumento na retenção de água se deve a dois fatores, um é que devido à maior a cobertura do solo a água da chuva escorre mais devagar sobre o solo, e o outro, é os poros deixados pelas raízes, aumentam a absorção de água pelo solo, esses dois fatores também são importantes aliados da conservação do solo. A menor evaporação direta do solo pode ser explicada de uma forma muito simples, o nosso solo é muito escuro, e quando recebe a luz do sol se aquece, e a única forma de dissipar calor é perdendo água, quando se tem uma cobertura homogênea do solo, a palha reflete parte dessa luz, o que mantêm a temperatura do solo mais constante.
Alem de tudo que já foi dito, podemos ainda citar a reciclagem de nutrientes, o aumento da matéria orgânica, etc.
Como assim reciclagem de nutrientes?
A brachiaria como a maioria das gramíneas é uma C4, o que a torna mais agressiva no meio em que se desenvolve, e faz com que ela consiga extrair nutrientes, que culturas como a soja teria mais dificuldade para extrair do solo, como não se colhe nada da brachiaria, tudo aquilo que ela tirou do solo, e da atmosfera para se desenvolver, será disponibilizado para cultura sucessora, conforme sua palha for decompondo.
E qual o custo para implantação do consórcio?
O custos para implantação do consorcio, basicamente são os das sementes, pois o plantio é simultâneo com o milho safrinha, e nas linhas onde serão colocadas as sementes de brachiaria, retira-se da plantadeira o disco de corte e o facão, e a brachiaria também não recebe adubo.
Quanto de semente se usa por ha?
A quantidade de semente a ser utilizada depende do VC de cada semente, por exemplo, uma semente de VC 50 usa-se de 4 a 5 kg/ha, o que representa um estande de 20 a 30 plantas/metro, o custo disso fica em torno R$ 40,00 /ha, um custo relativamente barato.
Existe algum receio por parte dos produtores?
Com certeza, como tudo aquilo que é novidade, gera uma certa desconfiança, mas creio eu que aos poucos essa desconfiança será superada, pois fizemos uma área maior na fazenda esse ano e alguns produtores de Cambará e Barra do Jacaré, fizeram áreas pequenas para experimentar, entender como funciona, que acho o mais correto, eu recomendo.
Informações
João Paulo Pavan Justo. 43 3532 3210 – 43 9611 5903