

Curitiba
Do G1 PR
Os professores e funcionários da rede estadual de ensino do Paraná decidiram suspender a greve deflagrada no dia 9 de fevereiro, nesta segunda-feira (9). A decisão foi a escolha da maioria dos milhares profissionais que compareceram à assembleia realizada no Estádio da Vila Capanema, em Curitiba. Mais de 950 mil estudantes foram prejudicados pela paralisação e terão o calendário escolar reformulado. A previsão é de que as aulas comecem na quinta-feira (12).
Durante os 29 dias de greve, os educadores ficaram acampados em frente à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e fizeram vários protestos. No dia 10 de fevereiro eles chegaram a invadir o Plenário da Casa. Na quarta-feira (4), após assembleia que decidiu pela continuidade da greve, cerca de 20 mil docentes marcharam rumo à Alep.
No mesmo dia, o Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) volta imediata dos professores e funcionários das escolas públicas estaduais ao trabalho. O sindicato foi notificado oficialmente sobre a decisão na sexta-feira (6).
Conforme aprovado na assembleia, caso as reivindicações dos professores e demais funcionários da educação estadual não sejam atendidas pelo governo estadaal, a greve pode voltar na totalidade. A direção do sindicato afirmou que a categoria deve voltar ao trabalho na quarta-feira (11), porém, as aulas devem começar no dia seguinte.
Exceções
Em meio à greve, a Escola Estadual Nossa Senhora de Salete, no Bacacheri, em Curitiba, decidiu retomar as aulas. Na segunda-feira (2), por exemplo, dos 231 estudantes matriculados no período da manhã, cerca de 120 compareceram ao colégio.
No Colégio Estadual Pedro Ernesto Galer, no distrito de Sede Alvorada, em Cascavel, no oeste, as aulas também voltaram na segunda-feira. O colégio conta com 160 alunos do 6º ao 9º ano e do ensino médio e funciona no mesmo prédio de uma escola municipal.
Situação semelhante foi verificada em outras escolas estaduais. Mesmo em meio ao movimento grevista, as instituições iniciaram o calendário letivo.
Prejuízo para os alunos
Os professores e funcionários de escolas públicas do Paraná estão parados desde o dia 9 de fevereiro, quando mais de 950 mil estudantes deveriam ter começado o ano letivo. Desde então, os trabalhadores estão acampados em frente à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep-PR). A mobilização dos servidores reúne cerca de 100 mil pessoas em todo o estado.
O psicólogo especialista em educação, Marcos Meier, explicou que os alunos podem ter sido os principais prejudicados durante o período. "Toda greve vai causar algum tipo de prejuízo. Isso é verdade e não tem como escapar. O calendário escolar da rede estadual é elaborado com 200 dias de aulas. Então, se diminuirmos essa quantidade de dias fora de sala de aula, o calendário vai precisar ser refeito com, por exemplo, aulas aos sábados ou até mesmo durante o período de férias, caso a greve continue".
O pior dos prejuízos com relação aos estudantes, aponta Meier, é a desmotivação. "Muitos dos alunos que já estão em casa porque as aulas podem começar a qualquer momento poderiam ter estendido o período de férias, por exemplo. Ou seja, o aluno está em casa esperando que as aulas comecem e as aulas não começam. Isso pode, sim, deixá-los sem motivação", acrescenta.
Meier também defendeu o lado dos grevistas. "Quando a gente fala nesses prejuízos, temos que olhar o outro lado. Permanecer com professores desmotivados em sala de aula também é um prejuízo não só para os alunos, mas para a sociedade em geral. Se eles [os professores] não fizessem greve, não fizessem manifestação, estariam desmotivados e, com certeza, isso implicaria, também, no conteúdo aplicado", detalha o especialista. "Então, apesar de o remédio ser ruim ou amargo, ele é remédio".