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Contrários à mudança na previdência, professores retomam greve no PR

Projeto de lei que tramita na Alep sugere alterações na ParanáPrevidência. Esta é a segunda paralisação dos docentes do Paraná neste ano.

Carlos Roberto Francisquini
Por: Carlos Roberto Francisquini
26/04/2015 às 12h10
Contrários à mudança na previdência, professores retomam greve no PR

 

Do G1 PR

 


 

Os professores estaduais do Paraná decidiram durante assembleia realizada em Londrina, no norte do estado, neste sábado (25), entrar em greve por tempo indeterminado. O principal motivo para a paralisação é a votação do projeto de lei que promove mudanças no Regime Próprio de Previdência Social do Estado. A proposta deve ser apreciada pelos deputados estaduais na segunda-feira (27).

 

"Nós entendemos que as alterações que o governo pretende fazer são prejudiciais aos servidores públicos", diz o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato) em Londrina, Antõnio Marcos Gonçalves.


Conforme o sindicato, mais de 3 mil professores participaram da assembleia. Gonçalves destaca ainda que a categoria reivindicatambém o reajuste conforme o piso nacional, que é de 13,01%. 


Em nota, o governo do Estado informa que está cumprindo todos os itens acordados em março, durante a primeira paralisação dos professores. O governo determinou ainda que as faltas de professores e funcionários sejam descontadas em folha de pagamento. Além disso, a Procuradoria Geral do Estado vai entrar na Justiça para pedir que a greve dos professores seja considerada ilegal e abusiva.

Ainda conforme o governo, o projeto de lei que trata da revisão do plano de custeio do Regime Próprio de Previdência Social “não altera o pagamento de proventos a aposentados e pensionistas do Estado”.

A ParanáPrevidência – como é conhecido o Regime Próprio de Previdência Social do Estado – é composta por três fundos: o Militar, o Financeiro e o Previdenciário. A proposta, apresentada pelo governo estadual, sugere que 33.556 beneficiários com 73 anos ou mais sejam transferidos do Fundo Financeiro, que é arcado com pelo Tesouro estadual, para o Fundo Previdenciário, constituído a partir de contribuições dos servidores e do poder público.


O governo estadual afirma que o Fundo Previdenciário está capitalizado em mais de R$ 8,5 bilhões em investimentos. O Executivo argumenta ainda que esta migração proporcionará uma economia de R$ 125 milhões, por mês, com o pagamento de benefícios. Valor significativo para o cenário de dificuldade financeira vivido pela administração estadual.

 

O projeto prevê que o Fundo Previdenciário terá ainda o aporte de R$ 1 bilhão a partir de 2021, com o reinício de repasse ao Estado dos royalties da usina de Itaipu, que garantiria a solvência do sistema por pelo menos 29 anos.


O Fórum das Entidades Sindicais do Paraná (FES), por outro lado, não concorda com a proposta e também com a forma como o texto tramita pela Assembleia Legislativa, já que o líder do governo deputado Luiz Claudio Romanelli apresentou pedido de urgência.


Para os sindicatos, a medida impede o amplo debate sobre o assunto. Além disso, o FEss é contrário a proposta e apresentou uma série de considerações e sugestões. A exigência dos sindicatos dos servidores é para que o governo retire o projeto e reestabeleça o processo de negociação com as categorias.

 

Segunda paralisação

Os professores entraram em greve em fevereiro, e paralisaram as atividades por 29 dias. O ano letivo começou com um mês de atraso, justamente, porque os docentes suspenderam as atividades em protestos as condições de ensino no estado e também por descordarem do chamado “pacotaço” que  continha projetos de lei do Executivo com cunho  de austeridade fiscal.

O “pacotaço” já indicava mudanças na ParanáPrevidência. A proposta inicial, porém, era diferente.


O Fundo de Previdência seria extinto, com o saldo sendo transferido para o Fundo Financeiro. A proposta também criava um regime de previdência complementar para os novos servidores do Estado, através da administração de uma nova fundação em que todos os poderes e municípios poderão aderir – a Fundação PREVCOM Paraná.


A participação do Estado passaria a ser de 22% até 2016, mantendo em 11% a contribuição dos servidores que queiram se aposentar até o teto de R$ 4,6 mil. Acima disso, os servidores teriam de pagar um fundo complementar. Não estava prevista mudança alguma no Fundo Militar.


A insatisfação do funcionalismo público foi tamanha que resultou, primeiramente, na invasão do Plenário da Assembleia e, depois, na insistência dos deputados em votar o “pacotaço”, na invasão do pátio do Legislativo Estadual.

Diante da mobilização, o governo do Paraná e os deputados recuaram e as propostas foram retiradas de pauta.

 

Leia na íntegra a nota do Governo do Paraná:

O governo do Estado lamenta a decisão da assembleia dos professores do Paraná. Todos os itens acordados em março com a categoria estão sendo cumpridos. O governo determinou hoje que as eventuais faltas de professores e funcionários da Educação sejam descontadas em folha de pagamento. Diretores e chefes de núcleo estão orientados a fazer as anotações e encaminhar os dados à Secretaria de Estado da Educação do Paraná. A nova paralisação vai comprometer gravemente o cronograma de estudos e, consequentemente, o rendimento escolar os alunos, já que o calendário escolar teve que ser refeito uma vez.

Cabe ressaltar que a Procuradoria Geral do Estado já ingressou com medidas judiciais para decretar a greve ilegal e abusiva. Ao contrário do que ocorreu durante a greve do início deste ano letivo, a partir de agora serão anotadas as faltas para posterior desconto salarial.

Apontado como um dos principais motivos da retomada da paralisação, o projeto de lei 252/2015, que trata da revisão do plano de custeio do Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Paraná, foi amplamente debatido durante cinquenta dias. Ficou claro que o projeto não altera em nada o pagamento de proventos a aposentados e pensionistas do Estado. Não há mais nada que possa ser dito contra a intenção do governo estadual de proteger o sistema previdenciário o equilibrar o caixa do Tesouro Estadual.

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