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Parafilias: em busca de prazer pessoas apelam para práticas sexuais bizarras

Saiba mais sobre as preferências que não são socialmente aceitas, mas que fazem parte da vida de muita gente

Carlos Roberto Francisquini
Por: Carlos Roberto Francisquini
26/04/2015 às 12h25 Atualizada em 26/04/2015 às 12h27
Parafilias: em busca de prazer pessoas apelam para práticas sexuais bizarras

 

 

 

 

Redação Bonde*

 


 

Parafilia é um padrão de comportamento sexual em que o prazer não se restringe a cópula, mas a total possibilidade de manifestar o desejo e a quem se destina, ou seja, o tipo de parceiro que será alvo e ao mesmo tempo sustentará este desejo. São fetiches que concretizam o prazer que não são socialmente aceitos, mas fazem parte da vida das pessoas de um modo geral. 

A maneira como cada um lida com isso, se a permissão ao prazer não ultrapassa o nocivo e destrutivo e este comportamento não se torna prejudicial ou doentio, a parafilia passa a ser considerada apenas uma variação deste prazer. Para se tornar patológica essa preferência deve ser de grande intensidade e exclusiva, isto é, a pessoa não se satisfaz ou não consegue obter prazer com outras maneiras de praticar a atividade sexual. Pode ser um comportamento perigoso, trazendo prejuízos para a saúde ou segurança das pessoas envolvidas. 

Freud afirmou que a perversão é o negativo da neurose porque o perverso não reconhece o recalque, mecanismo de defesa comum à neurose, além de que a busca e a concretização do prazer é o objeto e alvo da perversão. A interdição, regras e o respeito aos limites e principalmente à lei são ignoradas na perversão. O sentimento de culpa serve como reparação das fantasias inconscientes vividas desde a infância. Exemplo disso é o sentimento de posse que a criança possui em relação ao seu objeto de amor, a mãe, confrontando assim o pai, processo de construção da personalidade através do complexo de Édipo. A culpa se traduz pela necessidade de reparação, em que a criança dirige seus esforços na tentativa de consertar tudo aquilo que foi destruído ou atacado por seus próprios impulsos. O neurótico, por base em seus conflitos internos, entre os princípios de prazer e de realidade, aquela famosa ideia de um "anjinho" e "diabinho", representados pelas instâncias psicanalíticas do aparelho psíquico, Ego e Id, não expressa seu desejo como o perverso. A culpa seria um gesto de amor, a disposição a reconstruir aquilo que fora destruído, imaginário ou real. Para a psicanalista Melanie Klein, as reparações que o sujeito empreende mediante sua culpa não só restauram, em fantasia, o objeto lesado, mas também a si mesmo. A ausência de culpa caracterizaria uma estrutura perversa, em que a realidade reconhecida é recusada por conter limitações, regras e leis sociais normatizadoras. 

 

Aceitação 


Cada vez mais o sexo adquire uma percepção e uma aceitação maior na sociedade, diminuindo a censura ao prazer e possibilitando mais os comportamentos sexuais, escolhas e condutas. O que antes era inaceitável, diante de mentalidades e desmistificações de conceitos deturpados e arcaicos, o próprio conceito de parafilia, em alguns casos, deve ser revisto, sendo considerado apenas como uma expressão do prazer. 

A agorafilia e a agrofilia são desejos da prática do coito em lugares abertos ou ao ar livre, sendo que a agrofilia é o mesmo prazer, só que em campos, bosques e no mato. Já ouviram histórias de pessoas que revelam o desejo em fazer sexo na praia ou numa cachoeira? Já a amaurofilia refere-se àquelas pessoas que são excitadas por um parceiro sexual que não é capaz de vê-los. A venda nos olhos é um recurso de surpreender o outro e assim, estimular o sexo através da percepção. 

Um fetiche bastante curioso e mais comum do que imaginamos é o cisvestismo erótico ou fetichismo transvéstico. Consiste no prazer em se fantasiar para o sexo. Considerado como uma manifestação de prazer e do desejo, o cisvestismo é uma parafilia, um fetiche que consiste em homens heterossexuais a usarem peças íntimas femininas como calcinha, cinta-liga, sutiã, meia calça, etc. Uma manifestação erótica, o cisvestismo pode acontecer para apimentar a relação sexual ou o uso pode ser frequente, mas ainda assim, um fetiche. Os homens podem usá-las na intimidade para se masturbar num momento de autoerotismo. Vale lembrar que criaram a cueca feminina, peça íntima adotada com naturalidade pelas mulheres. Sem a conotação de um fetiche, a cueca feminina agradou e muitas mulheres ressaltaram o conforto delas. Recentemente uma empresa australiana lançou no International Fashion Show, realizado em Las Vegas (EUA), um conjunto de lingerie, um tanto atrevido, exclusivamente para o público masculino. 

Outra parafilia é a necrofilia, pratica de fazer sexo com um cadáver. A prática sexual estranha é alvo de uma lei muito polêmica no Egito. De acordo com o Al Arabiya News, o parlamento egípcio deve votar sobre uma lei que permitirá que os maridos tenham relações sexuais com suas esposas até 6 horas após o seu falecimento. O projeto, introduzido por radicais islâmicos, surgiu em maio do ano passado, quando Zamzami Abdul Bari, um líder religioso, afirmou que o matrimônio continua válido mesmo após a morte. A própria necrofilia não é algo novo, praticada por algumas tribos africanas e considerada um gesto sagrado. Difícil interpretar as intenções de uma pessoa que pratica esta parafilia, mas o prazer está relacionado, primeiro, a se relacionar com a morte. O fascínio em se deparar com a morte e sentir-se imune a ela. Em segundo lugar, uma questão de dominar o corpo do outro sem nenhuma reação contrária e, por último, uma questão de vencer a morte. Dominar e superá-la. 

Em ambos os casos citados, tanto no cisvestismo erótico como na necrofilia, a tentativa de normalizar esses fetiches parece acompanhar o domínio do prazer nas mentalidades contemporâneas. A escravidão ao orgasmo, que não deveria ser encarado como uma obrigação, conduz desejos afoitos e descontrolados. Descontrole esse que se observa numa parafilia em que sua prática resulta em cerca de 600 mortes por ano, a asfixiofilia ou asfixia autoerótica. A prática sexual consiste em reduzir intencionalmente a emissão de oxigênio para o cérebro durante uma estimulação sexual (masturbação) com o intuito de aumentar o prazer no orgasmo. Exemplo mais conhecido desse fetiche foi o ator americano David Carradine, 72 anos, encontrado enforcado em seu quarto de hotel em Bangcoc. De acordo com os policiais, uma corda estava presa em torno do seu pescoço e outra em seu órgão sexual. As duas estavam ligadas uma à outra e penduradas no armário. O quadro descrito sugere a prática de autoasfixia erótica. 

As parafilias devem ser estudadas com mais atenção e práticas assim necessitam de cuidados e atenção redobrada, uma vez que o preço pago, algumas vezes, para se obter prazer é questionável e sacrificante. Pessoas morrem por causa de práticas parafílicas e é preciso entender melhor sobre estas atividades sexuais. 

*Por Breno Rosostolato, psicólogo e professor da Faculdade Santa Marcelina - FASM

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