

Dylan Della Pasqua
O mercado brasileiro de soja apresentou um ritmo lento de negócios durante o mês de abril, reflexo da queda nos preços no mercado físico. O avanço da colheita e, principalmente, o recuo do dólar frente ao real prejudicaram a comercialização no período, apesar da reação dos contratos futuros em Chicago. A saca de 60 quilos iniciou abril a R$ 67,00 em Passo Fundo (RS) e encerrou a R$ 63,00. No mesmo período, a cotação caiu de R$ 64,50 para R$ 61,00 em Cascavel (PR).
Em Rondonópolis (MT), o preço baixou de R$ 61,00 para R$ 57,50. O referencial também recuou em Dourados (MS), com o preço baixando de R$ 59,50 para R$ 56,50. Em Rio Verde (GO), o comportamento foi semelhante, com a saca baixando de R$ 62,00 para R$ 58,50. A queda nos preços internos foi determinada pelo câmbio. O dólar comercial acumulou uma desvalorização de 8,5% em abril, por conta de melhoras no cenário político e um certo otimismo do mercado com o futuro da política econômica. A moeda americana recuou da casa de R$ 3,23 para R$ 2,96. No mercado internacional, o período foi de muitas oscilações. No balanço do mês, os contratos com vencimento em julho, negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), acumularam uma alta de 1,5%, encerrando a sessão do dia 29 de abril a US$ 9,92. A valorização foi consequência de pontuais indicações de aumento na demanda pela soja americana. Isso ocorreu em um momento em que a demanda, tradicionalmente, se volta para a América do Sul, onde há maior disponibilidade do produto com o avanço da colheita. No médio prazo, no entanto, Chicago não deverá sustentar esta tendência de alta. Os fatores fundamentais apontam para um quadro se superoferta mundial. Brasil e Argentina colherão a maior safra da história. Nos Estados Unidos, o plantio teve início e não há fatores que impeçam os produtores a cultivarem uma nova área recorde com a oleaginosa.