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Excesso de compromissos pode comprometer desenvolvimento na primeira infância

Especialista em educação infantil do Colégio Positivo dá algumas dicas

Carlos Roberto Francisquini
Por: Carlos Roberto Francisquini
01/06/2015 às 15h03 Atualizada em 01/06/2015 às 15h18
Excesso de compromissos pode comprometer desenvolvimento na primeira infância

 

 

Claudio Stringari

Imagem/reprodução de internet

 


 

 

Natação, defesa pessoal, segunda língua, piano, violão, capoeira, futebol, terceira língua... com a melhor das intenções, os pais criam agendas com inúmeros compromissos que acabam por sobrecarregar, frustrar e aumentar a ansiedade das crianças. "Colocamos à disposição dos nossos filhos todas as possibilidades de sucesso, futuro brilhante e carreira profissional invejável, que na maioria das vezes, nós não tivemos e, acabamos assim, por projetar os nossos desejos, deixando que reais aptidões e habilidades que os nossos filhos possam realmente a vir apresentar um dia fiquem sufocados por tantas outras metas que devem realizar", afirma a gestora de Educação Infantil do Colégio Positivo, Merylin Franciane Labatut. 


Tudo começa com a boa intenção dos pais que, rapidamente incluem os filhos, cada vez mais cedo, nesse ritmo frenético. O que eles não percebem, porém, é que estão limitando a autonomia e a criatividade dos pequenos. Nessa linha de pensamento, escolas brasileiras adotam medidas para incentivar as escolhas próprias e atraídas por temáticas que causem interesse, encantamento ou curiosidade das crianças na Educação Infantil, período da primeira infância.

Esse tem sido um dos temas de estudo do Colégio Positivo. Semanalmente, a equipe pedagógica se encontra para discutir as necessidades e propor ações que possibilitem que os alunos tenham momentos de trabalhar com materiais desestruturados (como os elementos naturais, gravetos, pedras, terra, água, luz) e desestruturados concretos (como tampas, caixas, botões, carretel e tecidos, entre outros).

"A proposta central para a Educação Infantil visa a trabalharmos com as "Estações", espaços dentro e ou fora da sala de aula, nos quais os alunos partem do princípio do desejo de descobrir o que pode construir ou aprender em cada uma das estações, sem inúmeras interferências ou mediações do professor. É o momento do fazer nada, com inúmeras possibilidades de descobrir o "tudo" ou quase tudo", explica a gestora.

Segundo ela, o momento de "não fazer nada" é essencial na primeira infância. "É a partir dele que as crianças constroem as maiores teses sobre como dividir, seja o brinquedo ou o espaço; o momento adequado de partilhar, seja o lanche ou o colo da professora; entendem que suas atitudes podem machucar o amigo por dentro e por fora e como é importante saber que as escolhas geram consequências para si, para o outro e para o todo que o cerca".

Mas os momentos de "não fazer nada" não devem ser os únicos na vida da criança. "As atividades esportivas e culturais são bem-vindas, melhor ainda se acontecerem na dosagem certa, com equilíbrio entre as necessidades da infância e o desejo em querer realmente realizá-las com encantamento, desafio e curiosidade, combustíveis essenciais para essa fase da vida", justifica Merylin.

Com dicas simples, a gestora afirma que é possível reduzir a ansiedade dos pequenos e levá-los a um desenvolvimento na velocidade certa, com mais qualidade e relações reais:

1 - Promova um campeonato de jogos de tabuleiros. A brincadeira diverte, integra e promove o aprendizado - enquanto jogos eletrônicos isolam, irritam e viciam a criança.

2 - Garanta que todos da família tenham tempo para descansar, refletir e ficar junto. Que tal um fim de semana preguiçoso?

3 - Estudar é importante, mas as crianças devem ter tempo para brincar. Quando ela está em alguma brincadeira ela está negociando, inventando, criando soluções, aprendendo a vencer, a perder, a ceder, ouvir o outro, rir, ver coisas dando certo, ver outras dando errado.

4 - Respeite as escolhas de seu filho. Não é porque você sonhou em ser jogador de futebol que ele deve treinar todo dia e desde cedo. O tempo vai revelar suas verdadeiras aptidões.

5 - Dizer "não" é essencial para uma boa educação. Estabeleça limites e pare tudo, quando achar necessário.

6 - Não precisa quebrar a cabeça para criar alguma atividade para entreter as crianças. Criatividade, muitas vezes, nasce do tédio. Por isso, o tempo para "fazer nada" deve ser valorizado.

7 - Ensine a cultivar espaços silenciosos durante o dia e tempo para esvaziar a mente.

 

 

Educação ambiental na escola

Silvia Mattar*

A educação ambiental na escola, envolvendo todo o quadro de professores, funcionários e alunos, vem como um processo de reconhecimento de valores e esclarecimento de conceitos, objetivando o desenvolvimento das habilidades e modificando as atitudes em relação ao meio e aos princípios sociais e ambientais da coletividade.

Diante da problemática ambiental amplamente discutida, a escola aparece como um espaço onde o aluno dá sequência ao processo de formação de valores e socialização. O que nela é feito, dito e valorizado representa um exemplo daquilo que a sociedade deseja e aprova. Comportamentos ambientalmente corretos devem ser aprendidos na prática, no cotidiano da vida escolar, contribuindo para a formação de cidadãos responsáveis.

A educação ambiental torna-se mais urgente uma vez que, quando aplicada da forma correta, representa uma importante ferramenta transformadora da sociedade, catalisando a formação de novos valores e impulsionando o conhecimento do ser humano para várias direções - inclusive a percepção ambiente ao seu redor. Integrar programas de educação ambiental na escola possibilita a aproximação do ambiente natural ao aluno, fazendo com que este perceba que faz parte do ambiente e que deve cumprir um papel na proteção do meio em que vive.

Trabalhar a Educação Ambiental na escola como forma de programas paralelos envolve a construção de atitudes e competências com toda a comunidade escolar que, baseada no Seminário de Belgrado (1975), estruturam-se em: consciência, conhecimento, atitudes, aptidões, capacidade de avaliação e de ação autocrítica no mundo. Torna-se possível, diante dessa perspectiva, dentro da comunidade escolar, aplicar ações que abrandem as necessidades locais com intervenções no dia a dia. 

Ao implementar um programa de Educação Ambiental, facilita-se aos alunos e aos professores a compreensão fundamental dos problemas existentes, da presença humana no ambiente, da sua responsabilidade e do seu papel crítico como cidadão. Desenvolvem-se, assim, as competências e valores que conduzirão a repensar e a avaliar de outra maneira as suas atitudes diárias e as suas consequências no meio em que vivem. Esse processo permitirá aos alunos e professores não só a atualização de seus conhecimentos na área ambiental, mas também conhecer e levantar os problemas ambientais ao seu redor.

Os conteúdos ambientais permeando todas as disciplinas do currículo e contextualizados com a realidade circundante auxiliarão o aluno a perceber a relação entre os fatos e a ter uma visão holística. A Educação Ambiental procura manter o respeito pelos diferentes ecossistemas e culturas humanas da Terra. O dever de reconhecer as similaridades globais, enquanto se interagem efetivamente com as especificidades locais é resumido no seguinte lema, segundo a Unesco (1999): pensar globalmente, agir localmente.


* Silvia Mattar é Gestora do Ensino Fundamental II do Colégio Positivo, Bióloga, mestre em Gestão Ambiental.


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