

Ricardo Maia/ Redação Bonde
A colheita do trigo começa no Paraná registrando baixos índices de produtividade em algumas regiões produtoras, principalmente no Norte do Estado. O excesso de chuva em julho elevou a incidência de doenças, comprometendo a produção e a qualidade dos grãos. Até o momento, segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), 1% de uma área plantada de 1,32 milhão de hectares foi colhida. Ainda não há números sobre a produtividade, mas uma avaliação prévia dos consultores de campo aponta para uma redução no resultado.
O recolhimento do cereal segue ligeiramente adiantado se comparado com o mesmo período do ano passado, quando foram semeados 1,39 milhão de hectares, 5% superior em relação a área atual. Carlos Hugo Godinho, técnico do Deral, afirma que a brusone e a giberela são as doenças que mais apareceram nesta safra de trigo. As moléstias se proliferaram devido ao clima úmido, ambiente ideal para uma infestação.
Com os resultados atuais, Godinho afirma que a atual estimativa de safra, que é de 3,96 milhões de toneladas, pode não se confirmar. Segundo ele, há um risco dessa safra ser semelhante ao ciclo 2013/14, quando foram recolhidas no campo 3,83 milhões de toneladas de trigo, volume 5% inferior se comparado à estimativa atual.
Godinho destaca que a colheita do grão deve ganhar força a partir de setembro. Contudo, o especialista observa que muitos produtores estão aproveitando o clima seco para intensificar a colheita do trigo. A comercialização segue adiantada no Estado. Até agora, 5% da safra já foi comercializada, contra 2% em comparação com o mesmo período do ano passado.
João Bosco, representante da Integrada Cooperativa Agroindustrial, afirma que ainda é cedo para fazer uma avaliação sobre a qualidade do trigo. "Por enquanto, os grãos que têm chegado na cooperativa estão dentro dos conformes", observa Bosco. Segundo ele, houve casos de doenças, mas não chegou a matar as plantas.
Até o momento, a Integrada recebeu 9 mil toneladas de trigo. A cooperativa espera receber nesta safra 300 mil toneladas, 10 mil toneladas a mais no comparativo com o mesmo período do ano passado. Bosco afirma que o temor maior é se houver um alto índice de precipitação em setembro, período em que a colheita da safra se intensifica.
No Brasil, segundo dados da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab), deverão sair das lavouras 6,99 milhões de toneladas de trigo. Na safra passada, o País recolheu 5,97 milhões de toneladas. Uma das justificativas para o incremento na produção se deve à expectativa de aumento de 31,7% em produtividade para o atual período. Neste ciclo, a estimativa de produtividade é de 2.851 quilos por hectare, ante 2.165 kg/ha registrado na safra passada.
A área nacional destinada para o cereal recuou no atual período. De acordo com o último levantamento da Conab, foram semeados neste ano 2,45 milhões de hectares, ante 2,76 milhões de hectares cultivados na safra passada.
Preços
O preço da saca de trigo segue dentro dos padrões esperados para o período. Em julho, o valor da saca ficou em R$ 33,51, ante R$ 34,06/sc em junho e R$ 38,01/sc em julho de 2014.