

Via Mdemulher
A chegada de uma recessão econômica assusta e nos faz olhar para o próprio bolso. Que bom. Para que as finanças estejam sob controle, é preciso encará-las – sempre. "Em épocas de crise, os preços sobem, aumentando nossos gastos", diz a planejadora financeira Myrian Lund, de São Paulo. "Temos que fazer escolhas, economizar de um lado para garantir do outro. Uma planilha com contas fixas e variáveis é essencial para que possamos visualizar e comparar nossas despesas mês a mês." Muitas vezes, as pessoas se endividam justamente por falta de planejamento. Um em cada quatro brasileiros (ou 24,5% da população) tem dívida atrasada superior a 200 reais, segundo pesquisa divulgada no final de 2014 pela Serasa Experian, empresa de informação financeira. Saber organizar as contas pode significar a diferença entre uma vida de conforto duradouro e um frenético e constante tapar o sol com a peneira.
"O brasileiro não está acostumado a lidar com dinheiro, mas, gostando ou não, precisa tomar decisões financeiras. Embora algumas escolas de ensino médio e fundamental já estejam introduzindo finanças pessoais no currículo, ela ainda não é uma disciplina obrigatória. Isso colabora para que sejamos semianalfabetos financeiramente. Mas as pessoas devem conhecer os principais produtos oferecidos pelos bancos, ter ideia dos juros e saber quão caro ou barato sai um financiamento. Em tempos de recessão, a melhor coisa é apertar o cinto! Não é hora de trocar a geladeira nem o carro, nem de fazer reforma na casa, muito menos pensar em uma viagem supérflua. Obrigue-se a sempre revisar suas contas: ‘Será que o meu plano de celular é o ideal? Estou contratando mais canais de TV a cabo do que preciso?’ Até porque uma das coisas que a crise afeta é a inflação – você ganha o mesmo salário, mas tudo fica mais caro. Moral da história: sua renda disponível diminui. Outro ponto é que não contamos com o desemprego até sermos surpreendidos por ele. Então, prudência (acompanhar o noticiário e fazer escolhas financeiras conscientes) é a melhor forma de encarar e superar essa fase. E, se a economia não vai bem, não é o momento de abrir um negócio. Quem quiser empreender precisa pensar duas, três vezes antes! Fazer um excelente plano de negócios é vital para a saúde do seu investimento. Claro que dá para ganhar dinheiro, mas não será fácil. Outro ponto que afeta homens e mulheres é a compulsão. Muita gente desconta no consumo exagerado alguma angústia de vida. Lembre que não é gastando dinheiro que você vai resolver seus problemas emocionais – aliás, muito pelo contrário. O dinheiro deve servir como uma solução, não como uma muleta. Ou então poderá trazer problemas psicológicos e também financeiros."
"Há uma grande diferença entre problemas e preocupações com dinheiro. Um problema, primariamente, consiste em não ter o suficiente para arcar com as próprias despesas. Já as preocupações têm caráter psicológico. Até os ricos passam por elas, mesmo possuindo mais que o suficiente para suas necessidades. Habitualmente usamos o dinheiro para solucionar nossos problemas. Mas há quem acredite que ele pode resolver tudo e que, se a conta tiver mais zeros, até o casamento será melhor. Só que, eventualmente, esse valor extra surge e fica claro que ele não era a solução do relacionamento nem trouxe mais felicidade. Nossas preocupações também variam muito de acordo com o contexto. Repare: em épocas prósperas, as dívidas não parecem um problema tão grande. Mas, depois de passar pelo trauma de um colapso, a tendência é ficarmos mais cautelosos. Uma crise muda também a forma como avaliamos nossos ativos. É diferente ver uma casa como um investimento ou um lar. No segundo caso, ela pode ganhar ou perder valor, mas, como você continua podendo morar nela, se sente mais segura. A dificuldade financeira abala a confiança a longo prazo - fica mais difícil se animar a investir sem saber o que a espera no futuro. Mas também não dá para sair gastando de qualquer jeito; devemos sempre avaliar nossas prioridades. Essa não é uma tarefa simples, pois nossos desejos, colegas e as propagandas não dão o melhor tipo de orientação. Por isso, o autoconhecimento é crucial, especialmente de nossos defeitos. Por exemplo, para algumas pessoas é duro ser realista quanto a investimentos. Elas veem a oportunidade, mas não pensam seriamente no risco. Outras são tímidas ao investir. Acreditam que, se não aplicarem muito, estarão seguras – o que é uma troca emocional, em vez de um princípio de economia."
"O que fazer em tempos de crise? Ah, se eu soubesse a resposta! Essa pergunta representa tudo que está errado com a maioria das dicas de finanças pessoais. Assume-se que a ação de um indivíduo tem peso equivalente ao das macrotendências econômicas e sociais e que, portanto, podemos contorná-las com um gerenciamento inteligente do orçamento. Por mais que eu queira, isso não é verdade. As dicas de boa parte dos gurus financeiros (que recomendam economizar no restaurante ou na conta do smartphone) não tratam dos problemas reais. Nossos maiores custos são com saúde, educação e moradia. E essas despesas cresceram em um ritmo maior do que a inflação ao longo de várias décadas. Já o custo da maior parte dos itens que chamamos de ‘luxo’, por outro lado, diminuiu nesse período. Acreditar que abdicar de pequenos confortos (como o cafezinho depois do almoço ou a manicure de toda semana) vai resolver seus problemas financeiros é ridículo. Parem de culpar as pessoas pelas crises econômicas. Nosso comportamento, mesmo que esteja longe de ser perfeito, não foi responsável pela dificuldade geral. A era da desigualdade em que estamos tornou ainda mais difícil gerenciar nossas finanças porque, quanto menos recursos financeiros temos, menos realizamos. O mais perturbador é que poucos admitem isso. Existe uma ideia de que os pobres (e até a classe média) estão desperdiçando dinheiro num consumismo frívolo. Desculpe, mas essa não é a causa dos problemas financeiros do mundo. Para a mulher é ainda mais difícil: ela ganha menos que o homem, passa mais tempo fora do mercado de trabalho e vive mais. Justamente por isso, como sociedade, precisamos garantir igualdade salarial e maior proteção aos que chegam à velhice. Nos Estados Unidos, a maioria dos idosos em situação de pobreza são mulheres."