
Cambará
Maristela Misquevis
Ana Alice Rodrigues Ferreira Frediani dá algumas dicas importantes para que a criança tenha saúde bucal, qualidades que a seguirirá por toda a vida. “A criança que é cuidada desde pequenininha, desde os seis meses ou quando surge o primeiro dentinho tem menos problemas de saúde na vida adulta”
A jovem cambaraense Ana Alice Rodrigues Ferreira Frediani se formou em odontologia na Universidade Estadual de Londrina – UEL, acabou se apaixonando pela odontopediatria durante um trabalho realizado com crianças carentes em Londrina. Ela está de volta à sua terra natal para fazer um trabalho diferenciado, preventivo e lúdico com as crianças. “Quero retribuir com o meu trabalho à cidade em que nasci e vivi com muito orgulho” frisou Ana Alice.
Circulandoaqui: Ana Alice, o que te levou a seguir a carreira de odontopediatra, quais suas influências e seus objetivos na área?
Ana Alice - A princípio a escolha de estudar odontologia foi um pouco difícil, sempre gostei da área biológica. Quando eu estava no segundo ano do ensino médio, visitamos uma faculdade e então conheci o curso de odontologia que me chamou muito atenção, pesquisei na internet sobre o curso, as áreas de atuação e escolhi este curso para prestar vestibular. Além disso, tenho uma tia que atuou nessa área em Cambará, que foi uma grande inspiração para mim, sempre admirei o trabalho dela e isto acabou me influenciando bastante nesta escolha. Quando eu estava no terceiro ano do curso, comecei a participar de um projeto que atendia crianças carentes, ali foi meu primeiro contato com a odontopediatria, gostei muito da parte de prevenção. Trabalhamos numa região bem carente de Londrina e isso foi uma experiência que me engrandeceu muito, melhorou a visão que eu tinha sobre odontologia, abriu meus olhos para o que eu queria. No quarto ano comecei ter a disciplina na faculdade, a parte curativa e tratamento, que até então era apenas preventiva, foi quando tive a certeza que era isto que queria fazer. Então voltei para Cambará para trabalhar com odontopediatria. Comecei o curso de especialização em Curitiba na Universidade São Leopoldo Mandic. Estou bem empolgada.

Circulandoaqui: Você defende a prevenção como a melhor forma de cuidar da saúde bucal. Qual idade ideal para primeira visita ao dentista?
Ana Alice – A partir dos seis meses. Prevenção é a parte essencial da odontologia, se conseguimos prevenir, diminuímos muito as chances de ter que tratar lá na frente. Se a criança é cuidada desde pequenininha, desde os seis meses ou quando surge o primeiro dentinho, os pais vão ser orientados quanto aos cuidados sobre a higiene bucal, sobre a alimentação da criança. Se houver esse acompanhamento desde cedo no futuro evitará maiores problemas como uma prótese ou implante e se precisar vai ser uma coisa muito menor do que se não tivesse todo o cuidado preventivo.
Circulandoaqui: Geralmente as crianças tem muito medo de ir ao dentista, como você lida com isto? Como os pais devem tratar este assunto com a criança?
Ana Alice – O medo, na verdade, não vem da criança, quem passa esse medo geralmente são os próprios pais, que acabam passando suas experiências anteriores, alguma experiência negativa. Quando os pais falam sobre dentista com a criança, ela ainda não tem ideia de como será a consulta, dizem, não vai ter agulha, não vai ter dor, então se instala o medo na criança, por falar em dor, agulha, etc. Então os próprios pais passam essa ansiedade para a criança. Quando ela vem para cá, tentamos tirar esse medo. Durante a consulta é tudo muito lúdico, o consultório é cheio de bexigas, brinquedos, tudo o que é feito é explicado antes para a criança, são várias técnicas de manejo dependendo do medo da criança. Às vezes na primeira consulta ela nem chega a sentar na cadeira, mas com o tempo a criança percebe que não há o que temer. Com muita paciência, muito carinho e conversa a criança acaba se soltando e é possível fazer o tratamento. A ajuda dos pais para tirar esse medo é fundamental, principalmente de não fazer a primeira visita ao dentista no momento que ela está com dor para que a criança não associe dentista a uma coisa ruim. É bom que ela já conheça o dentista, que os pais o valorizem e não vejam como uma coisa supérflua, meramente estética e sim de cuidado com a saúde da criança.
Circulandoaqui: É sabido que a saúde bucal está vinculada a saúde geral da pessoa. Quais os danos futuros que podem ocorrer na criança que não cuida corretamente dos dentes?
Ana Alice – Muitos problemas de saúde podem começar na boca. Se a criança já tem alguma doença, de coração ou diabetes, por exemplo, muitas vezes esta patologia pode se agravar por conta de uma infecção na boca. Além disso, a criança que tem o dente cariado pode afetar na sua vida social, ela não vai sorrir como se deve, vai ter vergonha de conversar, pois pode gerar problemas na dicção e muitas vezes não vai conseguir interagir com outras crianças. A falta de cuidados atrapalha também na alimentação da criança, ela deixa de comer por não ter a força mastigatória o que pode gerar problemas nutricionais graves.
Circulandoaqui: Qual seu plano de trabalho para se destacar na odontopediatria?
Ana Alice – A minha intenção é fazer a prevenção, diminuir o índice de cárie na cidade, começar pequenininho, aqui no consultório e poder expandir pra outras cidades, fazer um trabalho preventivo nas escolas. Recentemente tive a oportunidade de palestrar para alguns alunos de um colégio daqui e eles foram muito receptivos, interagiram, tiraram suas dúvidas, muitos ainda não tiveram a sua primeira experiência no consultório odontológico. Cambará não tem muitos profissionais atuando nesta área. Outra coisa importante é que para atuar na odontopediatria, tem que gostar de criança, ter paciência, quem escolhe essa área já está preparado para isso, escolhe porque realmente gosta.
Circulandoaqui: Você pretende fazer um trabalho com crianças carentes aqui em Cambará?
Ana Alice - Eu pretendo fazer sim. No momento ainda não consigo porque ainda estou fazendo minha especialização, mas pretendo montar um projeto em breve, pois foi em um trabalho assim que eu acabei optando pela odontopediatria. No Brasil não temos muito incentivo para a saúde bucal, o país ainda é muito carente nessa área. Muitas crianças tem um celular, no entanto nunca foram ao dentista. É uma questão de educação também.
Circulandoaqui: Existe uma dúvida sobre o uso do flúor nas crianças. O que você tem a dizer sobre isso?
Ana Alice – O uso do flúor já foi comprovado pelas pesquisas atuais que ele deve ser usado em crianças desde o nascimento do primeiro dentinho com a supervisão dos pais para que a criança não engula. A quantidade deve ser mínima, a criança tem que ter o hábito de usar o flúor por ser um agente extremamente importante para combater a cárie, ele fortalece a estrutura dental e combate os microrganismos causadores da cárie. Deve-se usar o creme dental com flúor, mas é importante uma conversa com o dentista para ter a orientação correta. O uso inadequado pode causar a fluorose que são aquelas manchas nos dentes. Mas o que foi acordado para o uso do flúor é que as consequências na vida da criança, caso ela venha a ingerir um pouco de flúor, serão menos danosas se não tivesse usado, como por exemplo, a perca dos dentes antes da hora. Por isso a importância da supervisão dos pais.
Circulandoaqui: Quantas escovações diárias a criança deve fazer? Quais as orientações gerais sobe a higiene bucal da criança?
Ana Alice – Três escovações no mínimo. Antes de dormir é a mais importante de todas, pois à noite ficamos muito tempo com a boca fechada e isso diminui muito a salivação. Principalmente aquela criança que toma mamadeira à noite com açúcar, a mãe deve fazer a higienização. É importante salientar o uso de um bom creme dental em quantidade mínima para a criança, uma escova de cabeça pequena e cerdas macias e o uso do fio dental. Para os bebês as mães podem usar o dedo envolvido em gaze para fazer a escovação, com isso construir o hábito da higiene bucal da criança.