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| Paulo Leal recebeu a comenda das mãos do presidente da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP), Alexandre Lima - foto/Ale Carolo |
Ale Carolo
Da redação CanaMix
O cambaraense Paulo Sergio de Marco Leal recebeu a medalha do Mérito Canavieiro 2015, a honraria é conferida pela União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida).
Dr. Paulo Leal, que é Presidente da Feplana - Federação Nacional dos Produtores de Cana do Brasil, foi destaque na prestigiada revista CanaMix que dedicou grande espaço em suas páginas para abordar o assunto. O Circulandoaqui publica na íntegra a reportagem veiculada pela revista. Em seu discurso, o presidente da Feplana destacou o potencial do setor de açúcar, álcool e bioenergia como gerador de riquezas e divisas para o Brasil, mas também criticou os equívocos cometidos pelo atual Governo Federal, especialmente por conta da retirada do (Cide).
Desde a primeira edição, em 2012, a NorCana tem destacado personalidades do setor agroindustrial e do segmento político pelos serviços prestados em defesa da manutenção e fortalecimento da cultura canavieira na região Nordeste. Este ano a medalha do Mérito Canavieiro foi entregue ao presidente da Federação Nacional dos Produtores de Cana (Feplana), Paulo Sergio de Marco Leal. A honraria é conferida pela União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida).
Paulo Leal recebeu a comenda das mãos do presidente da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP), Alexandre Lima. Representantes de associações e sindicados dos fornecedores de cana, além de autoridades políticas, prestigiaram a solenidade que aconteceu na noite do dia 5 de outubro, na sede da AFCP, em Recife, PE. Na oportunidade, Paulo Leal destacou a importância das entidades nordestinas ligadas ao setor sucroenergético para o fortalecimento da atuação da Feplana, como representante de classe em Brasília, DF.
Em seu discurso, o presidente da Feplana destacou o potencial do setor de açúcar, álcool e bioenergia como gerador de riquezas e divisas para o Brasil, mas também criticou os equívocos cometidos pelo atual Governo Federal, especialmente por conta da retirada gradual da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) e a opção de se manter artificialmente congelados os preços da gasolina, causando uma concorrência desleal com o etanol. "Nesses anos de congelamento, os custos de produção subiram assustadoramente, sem contar os custos ambientais e trabalhistas aos quais tivemos que nos adaptar", disse Leal.
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| Kátia Abreu tem defendido a elevação da Cide sobre a gasolina como forma de aumentar a competitividade do etanol e a sua participação na matriz energética nacional - Foto/Marcelo Camargo/Agência Brasil
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De acordo com Paulo Leal, a retirada gradual da Cide, até zerar em 2012, causou um imenso descompasso entre os preços da gasolina e do etanol. A importância desta Contribuição encontra eco inclusive dentro do próprio Governo, uma vez que a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Kátia Abreu, tem defendido a elevação da Cide sobre a gasolina como forma de aumentar a competitividade do álcool combustível (etanol) e a sua participação na matriz energética nacional.
Outro defensor da Cide é o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim. No fim de setembro, durante a Conferência Internacional de Energia realizada na Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro (Amcham), Tolmasquim disse que "para o mercado do etanol, seria muito importante sair a elevação da Cide. Outra coisa importante é que a desvalorização do real ajuda o etanol, já que o etanol é produzido em reais no Brasil e o petróleo é alinhado ao mercado externo".
Durante a NorCana, Paulo Leal conversou com a reportagem da Terra&Cia sobre o grave problema do aumento do custo de produção. "Com o fim da queima da palha da cana, a mecanização, que deveria ser uma aliada para reduzir nossos custos de produção, chegou como vilã, pois tivemos novamente que sistematizar nossos canaviais, além de mudar as variedades de cana que ainda não estavam adaptadas ao corte mecânico, diminuindo desta forma a vida útil dos canaviais."
Como próximos desafios, Leal destaca a necessidade de reestabelecer a situação financeira da indústria, que iniciou a temporada no Centro-Sul, em abril deste ano, devendo quase uma safra e meia, cerca de R$ 80 bilhões. O presidente da Feplana também lamenta que, de 2008 para cá, mais de 80 usinas quebraram, mais de 40 não moeram este ano e quase 50 entraram em recuperação judicial. "Precisamos de um programa robusto de recuperação de ativos, não só para o setor industrial como também para o setor agrícola."
Paulo também questiona a lentidão no desenvolvimento de um motor flexfuel - que funciona com etanol hidratado ou gasolina - com melhor desempenho. "Não é possível que se passaram mais de duas décadas e ainda não houve melhorias no desempenho desses motores. Parece-nos que isto interessa a alguém."
A Feplana tem defendido algumas bandeiras em Brasília, alinhadas ao que o setor busca. Paulo Leal tem defendido a criação de um seguro-renda ou uma política de garantia de preços mínimos que, segundo ele, ainda encontra objeção em alguns Ministérios. "Precisamos fortalecer nossas associações, de forma a melhorar as negociações com as indústrias e a convivência com os associados. Também temos que incentivar e apressar a transgenia da cana, além de mostrar à sociedade os benefícios ou as externalidades positivas do etanol."
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| De acordo com Paulo Leal, a retirada gradual da Cide, até zerar em 2012, causou um imenso descompasso entre os preços da gasolina e do etanol - Foto/Ale Carolo |
Segundo Leal, "a sociedade brasileira aparenta não ver as externalidades positivas do etanol, pois esquece que se trata de uma energia limpa, renovável e genuinamente brasileira. A sociedade olha apenas o preço e abastece seu veículo com combustível mais barato, que nem sempre é o melhor para o País, nem sempre é o melhor para os brasileiros", observa.
Em recente discurso em Brasília, Paulo Leal criticou o aumento de juros do Plano Safra. "Saímos de 6,75% para 8,75%, causando um prejuízo aos nossos produtores de R$ 1,8 bilhão, saindo de 4,5 bilhões para 3 bilhões, diminuindo, assim, o financiamento do Programa ABC (Agricultura de Baixo Carbono) e aumentando de 4,5% para 9% os juros do ModerFrota. Mais uma vez, nosso setor está servindo como mourão de aroeira, suportando o PIB nacional e, agora, ainda, sendo penalizado com o aumento de juros. É preciso não esquecer que parte desse dinheiro é oriundo dos recursos obrigatórios dos bancos nacionais. Assim, não dá para engolir esse aumento de juros criado pelo Governo." (AC)
Saiba mais: www.canamix.com.br