
| Vereador Walcir Joaquim (PSDB) e professora Mara Lúcia Dariva Orlandi durante visita de cortesia a redação do Circulandoaqui na tarde desta quarta-feira. A professora lançou luz para uma ideia aparentemente simples de oferecer oportunidade de negócio e diversão em Cambará |
Cambará
C.Roberto Francisquini
A feira da lua de Cambará terá um dia histórico nesta quinta-feira (21). O projeto de lei que institui a feira livre noturna na cidade será votado e pelas primeiras impressões deve passar sem ressalvas pelo Parlamento cambaraense.
Alvo de debate desde que foi instalada na cidade há mais de um ano, a feira da lua ganhou a simpatia do público e se tornou em uma fonte de negócios para pequenos agricultores e artesãos. Realizada sempre as segundas-feiras a partir das 17h, a feirinha atrai atenção de consumidores em busca de hortifrútis fresquinhos, entre outras iguarias. Mas também é palco para quem deseja apenas se divertir e passar horas olhando o movimento. É uma atração à parte.
O problema é que sem uma regulamentação, o local virou terra sem lei e a feira da lua atraiu todo tipo de negócios, contrariando a proposta idealizada pela professora Mara Lúcia Dariva Orlandi, que lançou luz para uma ideia aparentemente simples de oferecer aos pequenos produtores rurais, ligados ou não, a Associação Cambaraense de Agricultora Familiar – ACAF, e artesãos do município que pudessem ter um local com horário diferenciado para comercializar seus produtos e aumentar a renda da família.
Ao longo destes quase dois anos, foi possível ver de tudo um pouco sendo comercializado na feirinha. De roupas e calçados a artigos industrializados e mercadorias adquiridas no Paraguai, isto sem contar que, com a venda de bebidas e sem banheiro, os usuários passaram a utilizar os sanitários dos bares e lanchonetes que circundam a Praça Dr, Miguel Dinizo, onde a feira está instalada, causando revolta nos proprietários que alegam pagar impostos para servir de apoio para quem não paga, gerou uma série de debates sobre a legalidade da feira.
A prefeitura municipal através da Sala do empreendedor iniciou o processo de legalização. Um projeto de lei foi encaminhado à Câmara Municipal para pôr ordem na praça.
O projeto foi analisado pelos nove vereadores, emendas foram feitas e, enfim, será votado em sessão extraordinária nesta quinta.
A professora Maria Lúcia comemora o resultado e alegou que embora, muito satisfeita, não esperava que sua ideia iria ganhar corpo. Ela esteve na redação do Circulandoaqui na tarde desta quarta-feira (20) e com um sorriso no rosto afirmou estar feliz. “A princípio não esperava que a ideia fosse tão longe, mas agora, quando vejo que as coisas encaminharam bem e o resultado disto tudo vai gerar benefícios para a comunidade no geral, só tenho que comemorar” resumiu.
O Vereador Walcir Joaquim (PSDB) também esteve na redação do Circulandoaqui com a professora. O edil afirmou que foram feitas diversas emendas no projeto, entre as quais, fica vedado a comercialização de qualquer produto industrializado, especialmente artigos piratas ou de origem duvidosa, ilícitos e adquiridos no Paraguai. Exceto bebidas.
Será obrigatório a apresentação de nota fiscal de compra ou do produtor, menos para os produtos artesanais.
“Como diz no artigo quarto, a feira da lua tem o objetivo de fomentar a economia local, a agricultura familiar e o artesanato local, podendo ser concedidos benefícios fiscais aos feirantes do munícipio de Cambará, aos agricultores em regime de economia familiar e aos artesãos, conforme previsão legal” frisou, o vereador.
Se aprovado, o projeto reza ainda que a data da feira da lua será realizada as segundas-feiras e em caso de mau tempo, não será transferida para o dia seguinte (terça, ou quarta) como acontecia habitualmente, gerando confusão nos órgãos de segurança da cidade e também nos consumidores.
A sessão extraordinária da Câmara acontece às 10h desta quinta-feira (21) no plenário da Câmara Municipal de Cambará.
Histórico
Ideia de Professora vira lei em Cambará
A professora Mara Lúcia Dariva Orlandi, idealizou a feira da lua de Cambará, após participar do concurso Agrinho em 2014. Ela contou que o programa a fez despertar para a questão dos pequenos produtores da cidade, alguns deles pais de seus alunos. Para a Professora do Escola Municipal Ignes Panichi Hanze, na época, hoje é Pedagoga na instituição, Mara desenvolveu uma horta na escola em conjunto com seus alunos. O projeto prosperou e para fechar a cadeia produtiva/comercial, lançou a ideia da realização de uma feira livre noturna. Diretores, funcionários, Professores e os alunos da escola se lançaram no projeto e uniram-se com gente experiente como o pessoal da ACAF, Sindicato Rural, Emater-Pr e alguns produtores.
Este engajamento mutuo propiciou o lançamento da primeira feira da lua a céu aberto da cidade. O local foi em frente onde é hoje a Secretaria Municipal de Educação.
O resultado foi surpreendente. Alguns feirantes que participam da tradicional feira livre às sextas-feiras pela manhã, gostaram da ideia e se mobilizaram para levar a iniciativa até a praça central. A partir daí não parou mais.
O vereador Walcir Joaquim, que disse ter colocado o projeto na Câmara um ano antes, aproveitou o ensejo e passou a cobrar a regulamentação.
O tema do projeto do SENAR daquele ano era Pequenos Grãos Valorizando o Amanhã. A proposta da Professora foi bem aceita pela comissão julgadora em Curitiba, na final do Concurso Agrinho promovido pelo Senar-PR em parceria com Sindicatos Rurais de todo o Estado Paraná. Mas não foi suficiente para que ela ganhasse o prêmio principal, no entanto, acendeu a luz para uma iniciativa bem positiva.
Nesta quinta, portanto, se aprovado, como se prevê, marcará o início de um novo capítulo desta história.