
Por Carlos Roberto Francisquini
O ar que sopra sobre Cambará, no norte do Paraná, já não traz o frescor do interior. Moradores da cidade têm convivido com um odor fétido e persistente que, segundo denúncias, tem origem em uma área de descarte de material orgânico supostamente utilizado como fertilizante. A situação, além de incômoda, levanta sérias questões sobre a legalidade da atividade e os riscos à saúde pública e ao meio ambiente.
De acordo com relatos, o mau cheiro torna-se especialmente intenso no fim da tarde, atingindo diversos bairros da zona urbana. O foco do problema estaria em um canavial nas proximidades da cidade, sentido bairro Taquaral, onde foi identificado um grande acúmulo de resíduos orgânicos, principalmente cama de frango misturada com amônia e outros compostos químicos.
O material estaria sendo comercializado por um empresário da cidade vizinha, Andirá. No entanto, pairam dúvidas sobre a legalidade da operação: não se sabe se há alvará para o armazenamento e comercialização da carga, tampouco se a atividade atende às normas ambientais vigentes.
Uma visita ao local, segundo moradores e ambientalistas, é suficiente para constatar o descaso. Não há qualquer tipo de proteção do solo, e o forte odor é descrito como "insuportável". A situação levanta suspeitas sobre contaminação do lençol freático, riscos à fauna local e, principalmente, aos moradores de Cambará, que têm exigido ações urgentes das autoridades municipais.
“A gente não consegue mais nem abrir a janela no fim do dia. O cheiro é tão forte que dá náusea, parece que a cidade inteira está em decomposição”, relata uma moradora do bairro Vila Santana, que preferiu não se identificar por medo de represálias.
Além do desconforto, especialistas alertam que a exposição contínua a compostos como amônia pode causar problemas respiratórios, irritações nos olhos e até agravar condições de saúde pré-existentes, como asma e bronquite.
A Prefeitura de Cambará ainda não se manifestou oficialmente sobre o caso, e a Câmara de Vereadores permanece em silêncio, não cobram uma fiscalização imediata e rigorosa por parte dos órgãos ambientais e da vigilância sanitária. O Ministério Público também pode ser acionado para investigar possíveis crimes ambientais e riscos à saúde coletiva.
Enquanto isso, os moradores seguem respirando ar de incerteza e de um cheiro que virou símbolo do abandono ambiental.
Rádio CirculandoFM