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De frente para o medo

O tratamento de fobias como o medo de altura e a ansiedade social envolve a exposição gradual à situação temida. Acontece que nem sempre é possível fazer isso na vida real. Psicólogos entã

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19/01/2017 às 10h07
De frente para o medo

  

(Foto:Ricardo Chicarelli)

 

Mie Francine Chiba/Via Folha de Londrina

 


 

 

O simulador desenvolvido pela empresa londrinense Oniria disponibiliza cenários adaptados a cada tipo de fobia

 

O tratamento de fobias como o medo de altura e a ansiedade social envolve a exposição gradual à situação temida. Acontece que nem sempre é possível fazer isso na vida real. Psicólogos então começaram a usar a tecnologia em benefício desse tipo de tratamento. Conforme evolui, a Realidade Virtual (RV) traz um "senso de presença" cada vez maior, fazendo com que o paciente se sinta de fato vivenciando uma situação que lhe causa medo. A vantagem é que a RV permite que o terapeuta tenha controle sobre o ambiente virtual, expondo o paciente ao cenário temido de forma gradual e sem precisar sair – pelo menos nessa etapa do tratamento - da sala de consulta. 



Isso é o que explica a professora Verônica Haydu, do Departamento de Psicologia Geral e Análise do Comportamento da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Ela é responsável por um Projeto de Pesquisa que utiliza o Oculus Rift e um simulador da empresa londrinense Oniria para o tratamento de diferentes fobias. O projeto tem a colaboração de estudantes de graduação e pós-graduação. O simulador, chamado Virtua.Therapy, disponibiliza cenários adaptados a cada tipo de fobia. Medo de altura, ansiedade social, claustrofobia e medo de falar em público são as fobias que hoje podem ser tratadas pelo simulador. "O simulador é útil porque não se pode expor o paciente a uma situação real", comenta Marcos Cavalheiro de Oliveira, mestrando em Análise do Comportamento, que direciona os seus estudos ao tratamento do medo de altura. 



ANSIEDADE 
No caso da ansiedade social, o paciente é exposto ao cenário de uma praça de alimentação de um shopping. Por meio de um joystick, ele pode caminhar pelo cenário e executar tarefas que representam um desafio para quem sofre dessa fobia, como sacar dinheiro de um caixa eletrônico com uma fila de pessoas observando, negociar com o atendente ao comprar um lanche, procurar uma mesa vazia na praça de alimentação lotada ou conversar com um desconhecido. "A intenção do simulador é provocar ansiedade como se a pessoa estivesse no cenário real", observa Bruna Canali, mestranda em Análise do Comportamento. O tratamento da ansiedade social utilizando RV é o tema de seus estudos. 
O ambiente é controlado, e o terapeuta pode determinar variáveis como, por exemplo, a quantidade de pessoas na praça de alimentação. No cenário relacionado ao tratamento do medo de falar em público, o paciente precisa falar para uma plateia em uma sala de aula e em um auditório, e o número de pessoas presentes também pode ser definido pelo terapeuta. Até mesmo as ações da plateia podem ser determinadas: as pessoas podem estar ou não prestando atenção ao que o paciente fala, fazer uma pergunta ou entrar e sair do recinto. Em um ambiente controlado, o terapeuta pode ainda alterar a sequência dos acontecimentos, de forma a colocar as experiências do usuário na ordem que ele sente mais dificuldades. 



No tratamento do medo de altura, por exemplo, o paciente é colocado no cenário de um prédio em construção. O acesso aos primeiros andares se dá por escada, e nos demais o paciente precisa usar o elevador. Nos últimos andares, o elevador é panorâmico. Alguns dos primeiros andares têm paredes faltando, mas o último andar não tem parede nenhuma e ainda possui um fosso no meio. Já para lidar com a claustrofobia, o paciente é colocado dentro de uma casa virtual e ele precisa enfrentar desafios como entrar em um elevador ou em uma pequena adega de vinhos. "O terapeuta pode conduzir o paciente de espaços maiores para menores", afirma Natália Corrêa Silva, graduanda do 4º ano do curso de Psicologia. 



Para quem passou a vida inteira enfrentando fobias que podem trazer graves implicações nos âmbitos social, profissional e de estudos, Verônica ressalta que os resultados com o tratamento usando Realidade Virtual são rápidos. No máximo, são realizadas 13 sessões com os participantes dos subprojetos e, por meio de testes, já é possível notar progressos significativos na vida dessas pessoas, dizem a professora e os estudantes. "Tudo o que pode ser representado graficamente é possível de se trabalhar", acrescenta Verônica Haydu, sobre as fobias que podem ser tratadas usando RV. 

 

 

Aos interessados, estão abertas na Clínica Psicológica da UEL as inscrições para o subprojeto de ansiedade social para atendimento gratuito. Mais informações: (43) 3371-4237.

 


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