
Por Carlos Roberto Francisquini
Com informações de Amanda Ribeiro - Correspondente Especial
Cinco cidades do Norte Pioneiro do Paraná realizaram, no dia 1º de agosto, uma caminhada simultânea contra a violência de gênero, organizada pela Comissão das Mulheres Advogadas da OAB Jacarezinho. O ato, que mobilizou entidades civis e empresariais como a CMEG, o Comitê Mulher Sicredi, Secretaria de Assistência Social de Cambará, teve como objetivo conscientizar a população de que a violência contra a mulher não é um problema distante, mas uma realidade presente e urgente em todas as comunidades.
O ato aconteceu de forma simultânea nas cidades em Jacarezinho, Cambará, Ribeirão Claro, Andirá e Carlópolis em uma mobilização inédita. Em Cambará, a mobilização ganhou fôlego extra com o engajamento da Câmara da Mulher Empreendedora e Gestora de Negócios (CMEG) e do Comitê Mulher Sicredi. A correspondente Amanda Ribeiro, que acompanhou o ato local, relatou uma participação expressiva e o envolvimento espontâneo da população.
"Conversamos com comerciantes e transeuntes que se surpreenderam, mas também se solidarizaram. A caminhada, mesmo breve, ecoou nos olhares atentos da comunidade", relatou.
As ruas do comércio cambaraense tornaram-se um corredor de empatia e alerta. Faixas e cartazes, levados por mãos firmes e vozes determinadas, lembravam que a violência doméstica não se limita ao noticiário sensacionalista ou aos números frios dos relatórios policiais. Ela habita os lares, os corredores dos tribunais, os becos do silêncio.
A iniciativa levou à população um recado difícil de ser ignorado. A violência contra a mulher não é um drama distante, ela acontece aqui, agora, entre nós.
É o que destacou advogada Dra. Caroline Maríns, integrante do Conselho da Comissão das Mulheres Advogadas da OAB Jacarezinho ao vivo pela Rádio Circulando FM. Dra. Caroline, foi categórica ao reforçar o propósito da ação.
“Somos acostumados a ver esse problema na televisão, como se fosse algo distante. Mas não é. A violência contra a mulher está ao nosso redor, é cotidiana e estrutural. Precisamos romper o silêncio, trazer luz para esse tema e agir com urgência”, afirmou.
O recado da Comissão foi claro. O combate à violência exige mais que campanhas pontuais. Requer políticas públicas eficazes, formação continuada, redes de acolhimento e, sobretudo, o engajamento da sociedade civil. A marcha, nesse sentido, foi mais que um símbolo. Foi um chamado à responsabilidade coletiva.
A advogada disse ainda que “ao longo dos anos, o discurso da proteção à mulher ganhou contornos institucionais, mas ainda sofre de uma crônica subvalorização”, comentou.
Dados alarmantes continuam a ser relativizados. Vítimas são revitimizadas em delegacias, tribunais e redes sociais. E a cultura do silêncio segue como um dos principais aliados da impunidade.
“A ação promovida no Norte Pioneiro é, portanto, mais que um evento local. É um gesto civilizatório. Um lembrete de que, em tempos de retrocessos e banalizações, é preciso andar, juntas, na direção da dignidade e da justiça”, completou Amanda Riberiro.