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Secretaria da Agricultura busca soluções para conter crise na avicultura

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01/09/2012 às 11h00
Secretaria da Agricultura busca soluções para conter crise na avicultura

 

 

 

 

 

 

 

 

Da Agência de Notícias do Paraná


 

O Paraná vai encaminhar ao governo federal propostas para amenizar a crise no setor da avicultura. O secretário da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, reuniu nesta sexta-feira (31) representantes da cadeia produtiva da avicultura e das principais instituições bancárias para discutir soluções e alternativas para o endividamento que ameaça produtores e empresas integradoras. 

A produção paranaense de aves, que era de 120 milhões a 125 milhões de cabeças, foi reduzida para 110 milhões de cabeças por mês. O setor envolve 42 empresas integradas e 18 mil avicultores em todo o Estado e gera 550 mil empregos diretos e indiretos. O problema pode colocar em risco o modelo de integração adotado no Estado e comprometer a renda em centenas de municípios. 

A crise na avicultura ganhou maior proporção após o aumento dos custos de produção, causado basicamente pelos preços do milho e da soja, que compõem a ração animal. Essa alta é resultado da seca que dizimou praticamente metade da produção de grãos dos Estados Unidos e vem após uma seca que também reduziu o volume da produção de grãos na América do Sul, incluindo o sul do Brasil. 

PROPOSTAS – Conforme orientação de Ortigara, foi constituído um grupo de trabalho que irá detalhar as propostas que serão encaminhadas pela secretaria ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O secretário irá solicitar reunião em Brasília, junto com as principais lideranças da avicultura, para pedir linha de crédito especial para a avicultura, sobretudo para as empresas que mantiverem o modelo de integração. 

Entre as propostas que serão apresentadas ao governo federal está a criação de um Prêmio de Escoamento da Produção (PEP) do milho para a agroindústria integradora. Com esse mecanismo, é possível trazer milho de grandes regiões produtoras no Centro-Oeste do País para a região Sul, especialmente para os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina onde estão os tradicionais importadores de milho do Paraná. O objetivo dessa remoção é reduzir a pressão de demanda e preços do grão na região Sul. 

A proposta foi bem recebida pelo presidente do Sindiavipar, Domingos Martins. Segundo ele, o setor da avicultura é o mais organizado e competente no Paraná, vinha crescendo a níveis chineses e ajudou a puxar o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil e do Paraná com as exportações realizadas nos últimos anos. “Onde há avicultura, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é alto”, comentou Martins. 

PRODUÇÃO – O Paraná é líder na produção de frangos e as empresas paranaenses estão sentindo com mais intensidade essa pressão. Desde o início do ano, o preço da soja já subiu 100% e do milho, 43%. “Não há como repassar esses custos para o consumidor”, afirmou Martins. 

Ele informou que as indústrias conseguiram repassar 18% de aumento para o custo do frango e derivados e lamentou que o setor varejista, sabendo da pressão de custos, subiu o preço dos produtos entre 30% a 40%, o que faz recuar o consumo. “Com dificuldades para exportar em consequência da crise financeira mundial e com o consumo em baixa no mercado interno, não estamos conseguindo superar essa fase crítica da crise”, declarou. 

O setor cooperativista também manifestou preocupação com os rumos da integração, na qual muitas cooperativas atuam. Segundo o representante da Organização das Cooperativas do Paraná, Flávio Turra, os custos de produção do frango subiram 35%, o que provocou uma defasagem de 15% entre os custos das empresas integradoras e os preços praticados para o mercado varejista. 

“Essa situação levou a empresa integradora a gastar seu capital de giro com o custo da ração e hoje ela está sem fôlego financeiro para manter o repasse de alimentação para os produtores integrados”, explicou Domingos Martins. Segundo o empresário, a ração que era comprada a prazo agora tem que ser paga à vista e as integradoras estão sem capital de giro, quadro que intensifica a crise do setor. Além disso, Martins disse que as empresas integradoras já reduziram os alojamentos de pintainhos em 10%. 

INVESTIMENTOS – Segundo o assessor da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Carlos Augusto Albuquerque, a preocupação é com o produtor integrado. De acordo com ele, muitos fizeram investimentos em suas propriedades e não estão recebendo os lotes para a engorda. Em alguns casos, as indústrias suspenderam o repasse de pintainhos e em outros, suspenderam o repasse de alimentação, situação que está prejudicando o setor. 

“Muitos produtores fizeram financiamentos para implantar ou modernizar suas granjas e agora estão com dívidas e não recebem os lotes ou os pagamentos por eles”, disse Albuquerque. “Como resolver esses problemas”, indagou. 

Os representantes do setor bancário acenaram com a possibilidade de prorrogação das dívidas e apoio financeiro para aquisição de ativos das empresas que queiram interromper suas atividades, mediante a apresentação de diagnósticos e criação de linhas de crédito por parte do governo federal. 

Participaram da reunião representantes do Sindiavipar, da Ocepar, Faep, do Banco do Brasil, BRDE, Bradesco e Banco Itaú.

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