
Por Carlos Roberto Francisquini
A Avenida Brasil, coração pulsante de Cambará, nunca esteve tão viva. O asfalto virou palco, o público virou protagonista e o Natal chegou antes da data marcada, embalado pela energia contagiante da Caravana Dacalda, que arrastou uma multidão e transformou a noite em um espetáculo coletivo de encanto e afeto.
Não era apenas um desfile. Era uma experiência. Caminhões iluminados, personagens natalinos, músicas que despertam memórias e aquele sentimento raro de comunidade que faz adultos voltarem a ser crianças.
A Caravana passou e, por onde cruzou, deixou algo maior do que luzes: deixou emoção.
Mais cedo, na mesma data, Cambará foi palco das apresentações de fim de ano do projeto Procuca, iniciativa da Secretaria Municipal de Educação e Cultura que vem moldando talentos, fortalecendo vínculos e revelando futuros.
Alunos subiram ao palco com segurança, expressão e orgulho. Cada apresentação era mais do que um número artístico, era o resultado de meses de dedicação, aprendizado e incentivo. Música, dança e expressão corporal se encontraram em performances que arrancaram aplausos sinceros e olhares emocionados das famílias.
A celebração contou com a presença do prefeito Walcir Joaquim, acompanhado de sua esposa Karen, do vice-prefeito Gil dos Anjos e sua esposa Mercya, além da diretora de Cultura, Lea Fragate, secretários, vereadores e outros membros do governo municipal, que prestigiaram o evento ao lado da comunidade.
Entre aplausos e celulares erguidos, um dos momentos mais aguardados da noite foi a distribuição de brinquedos. Crianças com olhos brilhando seguravam presentes como quem segura sonhos recém-desembrulhados.
Era o Natal longe do plástico e perto do afeto. Um Natal vivido na rua, compartilhado, coletivo.
A força da noite não esteve apenas nos eventos, mas na soma deles. A Caravana da Dacalca trouxe o brilho. O Procuca trouxe o conteúdo. E Cambará trouxe a alma.
Em tempos em que grandes histórias costumam nascer longe dos holofotes, a Avenida Brasil provou que o extraordinário também acontece nas cidades que acreditam em cultura, educação e celebração coletiva.
Naquela noite, Cambará não apenas comemorou o Natal. Ela se reconheceu, se encontrou e brilhou.
Porque, às vezes, tudo o que uma cidade precisa é de uma boa história e coragem para vivê-la junta.
Programação continua nesta terça:
As comemorações natalinas em Cambará continuam nesta terça-feira, com a aguardada revelação dos vencedores do concurso Casa Premiada, organizado pela prefeitura. Ao todo, serão distribuídos R$ 7.500,00 aos três primeiros colocados.
“É uma forma de valorizar o envolvimento da comunidade e estimular o espírito natalino nos lares do município”, destacou Lea Fragate, diretora de Cultura.
A organização informa que, em caso de chuva, o evento poderá ser transferido para outra data, garantindo segurança e conforto ao público. Até lá, Cambará segue vivendo o clima de Natal, reforçando laços comunitários e celebrando a união que marca o período festivo.
O encerrando da programação de logo mais é do grupo SamBeat que anima o público com um repertório marcado pelo melhor do pagode e promete transformar a celebração em um grande encontro popular, onde música e confraternização darão o tom da noite.
O episódio envolvendo os motoqueiros na Praça Principal após o espetáculo de Natal expôs algo que vai além da já conhecida ausência do poder público: revelou, sobretudo, a falta de educação e de senso coletivo.
Quem escolheu esticar a noite nos bares ao redor buscava lazer e convivência, não ser alvo de provocações, barulho excessivo ou atitudes intimidatórias.
O espaço público pertence a todos, e usá-lo sem respeito ao outro transforma diversão em incômodo. Não é apenas uma questão de fiscalização ou de leis, mas de consciência: liberdade sem responsabilidade vira desordem, e a cidade acaba pagando o preço da falta de civilidade.
Lamentável que isso ainda insiste em acontecer em Cambará.
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