
Por Carlos Roberto Francisquini
A APAE, uma das instituições mais importantes da rede de assistência a pessoas com deficiência de Cambará, vive dias de rearranjo institucional e também de expectativa. Após a intervenção determinada pela Federação das APAES do Estado do Paraná, a APAE local caminha para ser administrada diretamente por pais de alunos, numa eleição marcada para 6 de abril.
O anúncio foi feito pelo interventor Wherter Fontes da Silva, durante entrevista concedida à Rádio Circulando FM na manhã desta quinta-feira.
“A APAE de Cambará será administrada por pais de alunos”, afirmou ele, em tom direto.
Wherter esteve acompanhado da também interventora Karina Keli dos Santos Valin e de Claudia Frediani Ariozo, responsável pela área financeira da entidade. O trio integra a equipe designada para conduzir temporariamente a instituição até a eleição da nova diretoria.
Na entrevista, Wherter confirmou que a diretoria presidida por Kelly Marzenta está formalmente encerrada. Ainda assim, fez questão de registrar um reconhecimento público à ex-presidente.
“A Dra. Kelly sai pelas portas da frente”, afirmou o interventor, destacando que o trabalho realizado por ela permanece como parte relevante da história da instituição.
Segundo ele, a inspeção realizada pela equipe interventora encontrou detalhes administrativos que inviabilizaram a continuidade da diretoria anterior. Não se trataria, de acordo com o relato, de irregularidades graves, mas de falhas no cumprimento de requisitos estatutários.
“São pequenas coisas que impedem a continuidade do trabalho”, explicou.
O ponto central identificado pela intervenção diz respeito à ausência de comprovação formal de que membros da diretoria eram sócios contribuintes da entidade.
De acordo com o estatuto da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais, qualquer pessoa que pretenda integrar uma chapa para a diretoria precisa cumprir um requisito básico: ser sócio da instituição e realizar contribuição mensal, independentemente do valor.
“Não importa o valor. Mas é preciso que tenha esse depósito e que seja comprovado”, explicou Wherter.
Segundo ele, durante a verificação documental não foram encontrados registros que comprovassem a contribuição mensal de integrantes da diretoria anterior, o que acabou inviabilizando juridicamente a continuidade do grupo na gestão.
“É uma pena que a diretoria não tenha se atentado a esse protocolo”, acrescentou o interventor.
Diante do cenário, a solução encontrada foi recorrer à base mais direta da instituição: os pais dos alunos atendidos pela APAE.
Desde o início da intervenção, a equipe designada pela federação vem realizando reuniões com familiares dos estudantes matriculados, com o objetivo de organizar uma nova chapa.
O resultado desse movimento é a formação de uma única chapa composta exclusivamente por pais de alunos.
Pelo estatuto, esses pais possuem direito adquirido de participação no processo eleitoral, não sendo obrigados a realizar contribuição mensal para se candidatar ou votar.
Até o momento, no entanto, a definição de quem ocupará a presidência ainda não foi anunciada.
Até o dia 6 de abril, quando ocorrerá a assembleia eleitoral, todas as decisões administrativas da APAE permanecem sob responsabilidade da diretoria interventora.
A missão da equipe é garantir a continuidade dos serviços prestados pela entidade, que atende dezenas de alunos com deficiência intelectual e múltipla, enquanto organiza a transição institucional.
Se não houver mudanças no cenário atual, a eleição confirmará um modelo de gestão que retoma as origens da própria rede: uma APAE comandada diretamente por famílias que convivem diariamente com os desafios da inclusão.
Em Cambará, esse movimento pode representar mais do que uma simples troca de diretoria.
Pode marcar um novo capítulo na história da instituição, agora escrito pelos próprios pais dos alunos que ela atende.