
Curitiba
Agência de Notícias do Paraná
O governador Beto Richa afirmou nesta sexta-feira (21/09), em entrevista concedida no Palácio Iguaçu, em Curitiba, que a operação realizada pela Polícia Federal nesta semana em escritórios da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) foi abusiva e desnecessária. Ele classificou a ação como “policialesca”.
Richa disse que a Sanepar é reconhecidamente a melhor empresa pública de saneamento do Brasil e conta com um quadro funcional dos mais qualificados do País. “Não tem negligência. A Sanepar presta bons serviços para a população paranaense. É a melhor empresa de saneamento do Brasil e a mais eficiente”, disse.
O governador solidarizou-se com os sete mil servidores da companhia. Ele destacou que enquanto a média brasileira de tratamento de esgoto é de 30% a Sanepar atende 64% dos seus usuários com o serviço. “Estes índices rendem à empresa reconhecimento nacional e internacional”, afirmou.
Richa disse que o Estado realiza investimentos consideráveis para oferecer um tratamento de esgoto e de água cada vez melhor aos paranaenses. Ele destacou que R$ 2 bilhões estão sendo investidos em saneamento no Paraná e que o valor é bem superior aos R$ 1 bilhão investido nos últimos dez anos. “Um número que mostra a nossa preocupação com a qualidade e a eficiência dos serviços”, disse o governador.
DANOS - A Sanepar e seus diretores irão mover ações na Justiça para reparar os danos sofridos pela companhia e pelos dirigentes em razão da ação policial. “Na Sanepar não tem nenhum bandido e nunca foi sonegada nenhuma informação ao Ibama e Polícia Federal”, destacou. “Eu estranho que uma operação, que está em curso desde 2008, aconteceu só nesse momento de eleições municipais. Foi uma operação policialesca e desnecessária”, disse.
O governador lembrou ainda que a Polícia Federal está em greve e que existem problemas muito mais sérios para serem resolvidos do que operações “extemporâneas” como a da Sanepar. “Tenho o direito de imaginar que houve outros objetivos, que não o real, de investigar o que está acontecendo no saneamento do Paraná. Da forma que se deu a operação tudo é possível. Não havia a menor necessidade disso acontecer assim”, afirmou.
Segundo o governador, a Polícia Federal deveria reunir suas forças e ajudar o Paraná a combater o crime organizado na região de fronteira. “Temos tantos problemas e a Polícia Federal, mesmo em greve, poderia nos ajudar no patrulhamento das nossas fronteiras, que é porta de entrada para drogas e armamentos. Estamos precisando da ajuda da União para conter a criminalidade”, afirmou.
De acordo com a Polícia Federal, as investigações que motivaram a operação nas dependências da Sanepar ainda não foram concluídas e estavam sob segredo de Justiça. “Na operação foram mostradas imagens fortes que não dizem o local e nem quando foram feitas. Havia sofás e garrafas no leito do rio com o objetivo de sugerir que quem joga esses lixos é a nossa Sanepar. Isso é inadmissível”, disse o governador.