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Afinal, depois de morrer, sabemos que morremos

De acordo com um estudo americano, a consciência mantém-se durante alguns segundos após a morte

Carlos Roberto Francisquini
Por: Carlos Roberto Francisquini
27/10/2017 às 15h02
Afinal, depois de morrer, sabemos que morremos

Notícias ao minuto


 

No momento da morte, estamos ou não conscientes? Esta é uma pergunta curiosa, que cientistas de todo o mundo estão tentando responder e muita gente gostaria de saber.


Como compartilhou o site Zap, a morte começa com uma parada cardíaca – a cessação do impulso elétrico que cria batimentos cardíacos. Como resultado, o coração para. Mas isso “apaga” a nossa mente imediatamente? Não. De acordo com um estudo americano, a consciência se mantém durante alguns segundos após a morte.


Há algum tempo que os cientistas estudam as EQM – “experiências de quase morte”, e entre as conclusões mais notáveis que resultaram destes estudos está a descoberta de que uma onda de eletricidade invade o cérebro momentos antes da morte cerebral.


Um estudo 2013 da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, publicado na PNAS e divulgado na época na revista National Geographic, examinou os sinais elétricos no interior do crânio de ratos, e permitiu concluir que, antes da morte, os animais entram num estado de hiperalerta.


O maior estudo de sempre sobre experiências de quase morte, publicado em 2014 no jornal Ressuscitation, encontrou provas de consciência após a morte por vários minutos.


Agora, os cientistas começam a pensar que as EQM são causadas por fluxo sanguíneo reduzido, juntamente com o comportamento elétrico anormal dentro do cérebro. Assim, o famoso “túnel de luz branca” que algumas pessoas dizem ter visto quando morreram (e foram ressuscitadas) pode ter origem nesse aumento da atividade neural.


Sam Parnia, director de investigação da Unidade de Cuidados Intensivos e Ressuscitação da Universidade de Nova Iorque, está a investigar exatamente como é que o cérebro morre. Em trabalhos anteriores, o cientista estudou EQMs e realizou experiências em animais, observando-os momentos antes e depois da morte.


“Muitas vezes, as pessoas que tiveram estas experiências descrevem-se como se estivessem flutuando pela sala, conscientes da presença da equipe médica trabalhando no seu corpo. Os pacientes dizem ver os médicos e enfermeiras trabalhando e ouvem as suas conversas, coisas que estavam acontecendo, que de outra forma não seriam conhecidas por eles”, diz Parnia.


Mas a grande questão é: se as pessoas estavam tecnicamente mortas, como sabiam o que estava acontecendo à sua volta?


De acordo com Sam Parnia, mesmo depois de a respiração e o batimento cardíaco terem parado, continuamos conscientes de 2 a 20 segundos. Esse é o tempo durante o qual o córtex cerebral – região responsável pelo pensamento, tomar de decisões, e decifrar a informação recolhida pelos sentidos – pode ficar ativo sem oxigênio.


Durante este período, perdemos todos os reflexos do tronco encefálico, incluindo o maxilar e o pupilar. As ondas cerebrais do córtex tornam-se depois indetectáveis. Mesmo assim, podem passar horas até que o pensamento seja completamente desligado. Com informações do portal Zap. 

 

 

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