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Inovação tecnológica muda o perfil da sericicultura

Muitos produtores saíram da atividade e deram lugar para outros mais jovens que estão identificando na tecnologia uma oportunidade de expansão e de rentabilidade no campo.

Carlos Roberto Francisquini
Por: Carlos Roberto Francisquini
07/11/2017 às 10h17
Inovação tecnológica muda o perfil da sericicultura

AEN


 

A renovação do perfil do produtor e a inovação tecnológica que estão ocorrendo na sericicultura projetam fortalecer a atividade no Paraná nos próximos anos. O Estado é o maior produtor de fio de seda no País, sendo responsável por 84% da produção nacional. A meta é expandir a produção para atender a demanda mundial do produto com qualidade, que é o diferencial da produção no Paraná e que o torna competitivo até com a China, maior produtora de fio de seda do mundo.


De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento o perfil do sericicultor está diferente. Muitos produtores saíram da atividade e deram lugar para outros mais jovens, que estão identificando nas inovações tecnológicas uma oportunidade de expansão e de rentabilidade no campo. De acordo com Gianna Cirio, engenheira agrônoma do Deral, o resultado dessa nova onda deverá ficar mais evidente e promissor dentro dois anos, quando as novas áreas implantadas deverão estar em produção.


Pelos menos 50 produtores entraram há pouco tempo na atividade. Os primeiros reflexos já são visíveis, na ampliação da área plantada com amoreiras cujas folhas servem de alimentos para os bichos da seda, que vão gerar o fio da seda. Agora são 3,9 mil hectares, que deverão entrar em produção dentro de dois anos.


De acordo com o Deral, estão presentes hoje na sericicultura 1867 pequenos produtores, com área média de até 2 hectares cada um, que somam 3,78 mil hectares em 161 municípios no Estado, a maioria concentrada nas regiões Norte e Noroeste. Atualmente são cerca de 2017 barracões ativos que abrigam os casulos. Nessa área ainda são cultivadas as amoreiras. A atividade movimentou R$ 39 milhões em faturamento na safra 2015/16, a última apurada pelo Deral.


Esse cenário representa cerca de um terço da conjuntura que existia em 2007, ano que antecedeu a grande crise mundial que fez recuar as atividades econômicas em todo o mundo, e a sericicultura paranaense sofreu com esse impacto. De acordo com Gianna Círio, naquela época havia 15 mil hectares ocupados com o cultivo da amoreira, espalhados em 229 municípios, com cerca de seis mil produtores.


MERCADO 


 Atualmente países como a França, Itália, Suíça e até o Japão, onde se concentra a alta-costura, são os maiores compradores de fio de seda brasileiro, tendo o Paraná como líder na produção. A Bratac é uma indústria que processa os fios da seda. Sediada em Londrina, ela trabalha com 30% da capacidade ociosa e agora está empenhada em ocupar esses nichos existentes no mercado mundial.


Antes da crise internacional de 2009, havia mais empresas além da Bratac atuando neste mercado. Porém elas não resistiram às dificuldades financeiras e foram fechando.


Para a técnica do Deral, o elemento que manteve a atividade no Paraná foi a qualidade elevada da produção. A Bratac detém todo o processo de produção, desde o fornecimento de larvas até a compra e beneficiamento dos casulos de seda. Os produtores trabalham num sistema integrado, responsáveis pela criação do bicho da seda até a formação dos casulos.


A preocupação com a qualidade do fio fez a empresa desenvolver toda uma tecnologia para proteção do bicho da seda, tendo como carro chefe a adoção de mecanismos para evitar a contaminação dos bichos por agrotóxicos, que é fatal para a formação de fios defeituosos. Essa preocupação é compartilhada com as prefeituras que têm na sericicultura uma fonte de renda expressiva com a arrecadação de impostos diretos.


INOVAÇÃO


  O trabalho de inovação tecnológica com a sericicultura vem sendo impulsionado pelo trabalho de pesquisa do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), pelas universidades e capitaneado pela Emater, responsável pela implantação no campo.


Há dois anos, a Emater implantou redes de referências em 15 municípios do Noroeste do Estado, onde demonstram todos os avanços tecnológicos disponíveis para a atividade, desde o campo, com novas variedades de amoreiras pesquisadas pelo Iapar, técnicas de poda, adubação, espaçamento, irrigação até a mecanização dos barracões onde as atividades são automatizadas.


As instalações, com ergonomia moderna, permitem ao agricultor controlar e monitorar a produção em canteiros elevados, que facilitam e agilizam a atividade. O manejo com os bichos da seda também foi automatizado com roldanas sobre os canteiros elevados, o que reduziu e muito o trabalho manual e exaustivo.


Para se ter uma ideia do sucesso das redes de referência, de fevereiro a abril deste ano pelo menos 350 produtores foram visitá-las, interessados em iniciar na atividade ou melhorar a produção já existente.


Outra preocupação é com a vedação dos barracões, com sistemas de cortinas como as adotadas pela avicultura. Essas inovações atraíram os jovens para a atividade, disse Gianna. Segundo ela, a renovação do perfil do sericicultor foi impulsionada também pela recente crise econômica que passa o País, que expulsou muitos jovens do mercado de trabalho nas cidades, que voltaram a morar no campo com seus pais.


Para aproveitar esta tendência, os técnicos da Emater fizeram um trabalho de sensibilização dos produtores de casulos, incentivando os produtores mais antigos a convencerem seus filhos a ficarem na atividade, mas com autonomia para implantar novos processos de trabalho que modernizam e aliviam o uso de mão de obra.


RENTABILIDADE


  Estudos realizados nas Unidades de Referencias pela Emater apontam para cobrir o custo operacional médio, são necessários produzir cerca de 357 quilos de casulo de primeira, por hectare, por ano. A partir disso, a renda gerada já passa a ser apropriada pelo agricultor. A produtividade média no Paraná, atualmente, é de 622 quilos por hectare/ano, ainda inferior à meta de 943 quilos por hectare/ano, que seria o suficiente para proporcionar ao agricultor cobrir o custo de produção e obter uma renda de um salário mínimo por mês.


Essa renda não é pouca, se for considerar que a área necessária para atingi-la é mínima, em torno de dois hectares, lembra a técnica da Emater. De acordo com Gianna, atingir estes níveis não é difícil, a exemplo de 12 produtores no município de Cianorte que alcançaram produtividade de 1,4 mil quilos de casulo, o que lhes garante uma renda de quase dois salários mínimos por mês.


De acordo com Gianna, o trabalho das unidades de referência da Emater é orientar o produtor para aumentar a produtividade média na produção de casulo no mês para elevar a rentabilidade. “O potencial da atividade é grande e a empresa que compra e comercializa o casulo tem demanda para absorver toda a produção”, disse a técnica.

 

 

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