

Hélio Brambilla
Uma semana após a ascensão dos militares ao poder em 1964, Plinio Corrêa de Oliveira escreveu, com o discernimento que lhe era peculiar, um manifesto intitulado “Janguismo sem Jango”, em que analisou o perigo representado pelos criptocomunistas esgueirados de seus arraiais na tentativa de “pegar carona” no novo governo, para depois mais facilmente tentar desviá-lo de seus objetivos.
Ao contrário do que costuma afirmar certa mídia, a intervenção militar só foi levada a cabo em razão do anseio de milhões de brasileiros que saíram às ruas, nas históricas marchas da Família com Deus pela Liberdade, pedindo um basta ao governo comunista e corrupto de João Goulart.
Ainda há pouco, fomos testemunhas – quando não partícipes – de grandes manifestações populares em que milhões de pessoas voltaram às ruas para pedir o nosso Brasil de volta, ou ainda para clamar que nossa bandeira é verde amarela e jamais será vermelha.
O brado manifestou-se tão forte e insistente que o governo Temer foi obrigado a dar uma guinada para colocar o país nos eixos. Com efeito, o noticiário dos jornais está abarrotado de notícias sobre o superávit comercial das exportações brasileiras que vêm batendo recordes sobre recordes.
Além de o atual governo já ter criado aproximadamente 1.300.000 empregos, o maior êxito no período Temer continua sendo o agronegócio, pois exportou 96 bilhões de dólares nesse último ano, com superávit de US$ 81 bilhões, índices sem precedentes. De importador de alimentos há 50 anos, o Brasil se tornou um dos maiores exportadores, como mostra a tabela abaixo:
| Principais Produtos | Ranking Mundial | Participação no Comércio Internacional (Exportações) | |
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| Produção | Exportação |
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| Açúcar | 1° | 1° | 48% |
| Café | 1° | 1° | 27% |
| Suco de Laranja | 1° | 1° | 76% |
| Soja em grão | 2° | 1° | 42% |
| Carne de frango | 2° | 1° | 39% |
| Carne bovina | 2° | 1° | 20% |
| Milho | 3° | 2° | 19% |
| Óleo de soja | 4° | 3° | 12% |
| Farelo de soja | 4° | 2° | 22% |
| Algodão | 5° | 4° | 8% |
| Carne suína | 4° | 4° | 11% |
Estes e outros dados constam do relatório/livro de quase 100 páginas, Agropecuária no Brasil – Uma Síntese, do arguto Dr. Evaristo E. de Miranda, chefe geral da EMBRAPA – Monitoramento por Satélite, lançado há poucos dias, a pedido da Confederação Nacional da Agricultura. O autor ressalta que o setor é responsável por 32 milhões de empregos, ou seja, mais de 33% do total no país.
Ademais, gera um valor bruto de produção (VBP) de quase R$ 600 bilhões e em 2016, no seu conjunto, gerou R$ 1,47 bilhão (Valor Econômico, julho/17). Para este ano o prognóstico é de que haja um aumento de mais de 10%, fechando em aproximadamente R$ 1,6 bilhão, cerca de U$ 493 milhões, representando mais de um terço de todo o PIB da Rússia, do idolatrado Putin...
Caso considerássemos apenas o agronegócio – independente do nosso PIB – o Brasil seria o 25º país do mundo (FMI, novembro/17). Alimentamos 210 milhões de brasileiros e o desafio, segundo a Embrapa, é alimentar mais de 2 bilhões de pessoas nos próximos 40 anos.
Fecharemos o ano com a produção recorde de 242 milhões de toneladas, aumento de 31,07% em relação ao ano passado (184 milhões de toneladas). Com este volume extraordinário de alimentos e riquezas lançados no mercado, a inflação caiu, a produção de veículos aumentou, os índices da Bolsa de Valores de São Paulo atingiram índices históricos.
Mas nem tudo são rosas. O grande problema são os elementos esgueirados de governos recentes que permanecem à espreita, aguardando apenas a ocasião de pôr as cabeças de fora, aliás, cobertas com boinas vermelhas marcadas pela estrela. Ou seja, pessoas magnetizadas pela ideologia revolucionária de alto poder destrutivo. Tinha razão Osvaldo Aranha, o “guru” de Getúlio Vargas, que em 1945 afirmou ter sempre acreditado que o homem não havia inventado ainda armas capazes de vencer as ideias.
Duas ameaças principais rondam os espectros político, social e econômico:
1) Ameaças internacionais:
a) Um pesadelo causando mal-estar generalizado na população – o contubérnio da cúpula do PT, Frei Beto incluído, além de outros elementos da esquerda católica dando cartas a políticas demolidoras do país.
Imaginemos quando Lula, com a cúpula do partido, excogitou a política intervencionista do Estado totalitário induzindo a economia. Poderíamos até imaginar Lula dizendo:
“Cumpanhêro Palofi, Dilma querida, é necessário fazer o que vamos chamar de ‘Campeões Nacionais’, ou seja, promover simples açougueiros a bilionários das proteínas animais e então, cumpanhêros, vamos dar a eles empréstimos do BNDES a rodo, e, assim, eles crescerão e nos darão um ‘troquinho’ ou ‘um trocão’. Com isso, a gente fica mais uns 50 anos no poder”.
Alguém da roda poderia ter levantado a questão: – “E se isso não funcionar?” – “Ora – teria respondido Lula – “a gente entrega tudo ‘pros cineses’”, ou seja, a China vai levando tudo a preço de banana, comprometendo com isso o amanhã de nossos filhos e netos. Chinês ou russo, é bom lembrar...
b) O secretário geral do Ministério da Agricultura, Elmar Novack, esteve na Inglaterra em outubro/17, ocasião em que foi inquerido sobre o rompimento dos acordos ambientais do Brasil com a Noruega. À pergunta provocadora de “quantos campos de futebol o Brasil havia preservado” fez brotar pronta e categórica resposta de nosso representante.
Foi tamanha a sua indignação que ele afirmou aos jornalistas e às ONGs presentes ter fotos de 40 satélites atualizando informações de nosso território, 24 horas por dia, demonstrando que preservamos um território maior que os 28 países das União Europeia juntos!
E de quebra, mais o equivalente a quatro vezes o território da Noruega... Diante da resposta segura e chamejante do brasileiro, os jornalistas tiveram de fazer cara de paisagem desmatada e carbonizada. Perguntaram o que eles quiseram e ouviram o que não queriam...
c) Estávamos fechando a edição desta matéria quando tomei conhecimento da notícia de que o plano de cortar o Brasil em dois com o tal “Corredor Ecológico Amazônico” começou a ser executado.
O Ministro Sarneyzinho e o diretor do FMI assinaram um acordo em 19 de dezembro último, em que o FMI “compra” três milhões de hectares de terra por U$ 60 milhões. E este grande quinhão brasileiro ficará, a partir dessa eventual operação, com a “soberania compartilhada” entre FMI, ONGs e Brasil (por enquanto)...
Na verdade, o total cobiçado é de 136 milhões de hectares do Brasil, além de uma parte boliviana, peruana, equatoriana, colombiana, venezuelana e guianas. Este malfadado plano já havia sido denunciado pelo General Vilas Boas, comandante do exército brasileiro. São as garras do “supergoverno” ecotribalista querendo abocanhar o nosso território.
Infelizmente, tenho quase certeza moral do que escrevo, de que tal iniciativa contará com as bênçãos do Papa Francisco, que tentará consolidá-lo com um já propalado “Sínodo Amazônico/2019”.
2 Ameaças internas:
a) Ao que tudo indica o Ministério Público trocou de comando, e os ventos vão lentamente mudando de direção do campo político para o social. O juiz Sergio Moro vem insistindo que a operação Lava Jato vai continuar, mas sem o povo nas ruas, ela não se sustenta.
‘Em outras palavras, sem a pressão popular, está se tornando difícil tocar para frente as investigações e trancafiar os responsáveis por tantos e tantos ‘malfeitos’... Não adianta ficar acumulando pilhas de processos se não fizer justiça prendendo os “cabeças” de tantos roubos.
Não punir ninguém inocente, mas também não deixar um só criminoso impune, pois especialistas afirmam que o rombo representado pelos malfeitos do governo petista nos 13 anos de governo – propinas, lucros cessantes das empresas – pode alcançar R$ 3 trilhões. Os menos otimistas estimam até R$ 10 trilhões.
O jornal “OESP” (7/11/17) noticiou que o governo havia divulgado relatório sobre as concessões de subsídios que – em 14 anos – custaram R$ 3,5 trilhões. Portanto, não parece exagerado os que jogam o total para cima.
“O Globo” (20/10/17), sob o título “retomada árdua”, afirma que a recessão só será revertida em 2024. Se levarmos em conta o que prognosticou o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, caso o PT tomasse a presidência do País, sua recuperação tardaria uns 50 anos.
Portanto, ao que parece, o pêndulo do Ministério Público oscilará mais para o social do que para o político. Basta ver o escândalo provocado pela tal proposta da Reserva do Cobre, no Pará, a gritaria internacional contra a exploração de nossas riquezas minerais.
Afinal, ninguém está defendendo a devastação de florestas, mas a exploração de minérios com responsabilidade, bem diferente da China que explora degradando tudo e não é responsabilizada nem cobrada por ninguém, por exemplo.
Sabe-se que em razão do uso não adequado da terra, da poluição, da má utilização de defensivos agrícolas, a China está em vias de perder quase 500 mil km² devido a desertificação de seu território. Ou seja, o equivalente ao Estado de Minas Gerais. Mas disso os ecoterroristas não falam...
b) Em sentido contrário, recente artigo na imprensa brasileira do Sr. Blairo Maggi, Ministro da Agricultura, demonstra que o Brasil é de longe o país que mais preserva e mais produz no mundo, ao utilizar tão-só 9% do seu território para agricultura, 16% para pastagens e ainda preserva 61% de matas nativas.
Segundo ele, o imobilizado mantido pelos proprietários nas reservas legais e APPs alcança um total de mais de R$ 3 trilhões. Imaginem se um apartamento no Leblon, na Barra da Tijuca, ou Alphaville em São Paulo tivesse por obrigação deixar 20%, 35% ou até 80% de “preservação imobiliária ambiental!”
Pois bem, fique o leitor sabendo que os agropecuaristas são obrigados a fazer isso. E assim mesmo, a zoeira em torno deles não cessa seja aqui seja no exterior. Será por quê?
c) Outro clamor da intelligentsia e da esquerda católica foi contra o decreto que definia a farsa de “trabalho em condições semelhantes à escravidão”. Afinal, sem definição, matéria desta seriedade ficará ao arbítrio dos fiscais...
O Ministro Gilmar Mendes chegou a ironizar o caso, dizendo que executa jornadas exaustivas de trabalho, se somar o expediente no STF e no TSE. Depoimentos de várias pessoas que foram trabalhar no Japão afirmaram que chegaram a trabalhar até 16 horas por dia. Os dados sobre a China são herméticos, não se sabe ao certo quantas horas o operário chinês é obrigado a trabalhar por míseros dólares de salário mínimo...
Também os movimentos dos sem-teto, sem-terra, índios e quilombolas começam a agitar novamente, pois sentem ventos favoráveis partindo do Ministério Público. Relembrando: no Mato Grosso do Sul, 126 fazendas continuam invadidas; no Paraná, em Guaíra e Terra Roxa, são 18 propriedades entre grandes, médias e pequenas invadidas por índios.
Até um “latifúndio” de dois hectares, onde vivia há mais de 50 anos um casal hoje nonagenário, foi tomado pelos índios sob os olhos complacentes das autoridades... Hoje este casal vive numa casinha na periferia da cidade.
d) Todos fomos testemunhas da rebelião havida em setores da Justiça do Trabalho contra a Reforma Trabalhista.
e) A invasão da maior fazenda produtora de cebola do Brasil, além de legumes e tubérculos, em Correntina, na Bahia, por parte de hordas de bandidos que destruíram os pivôs de irrigação, tratores e depósitos, provocou prejuízos calculados em 60 milhões à empresa produtora.
Quando voltaremos a ter segurança jurídica no Brasil? Não é em vão que ONGs internacionais voltaram a agir a todo vapor por aqui com o slogan: “Farm here [seus respectivos países] and forest there [Brasil]”.
Com todo o respeito, poderemos nos dirigir ao Presidente da República para lhe dizer que ao assumir o Governo, nós o prevenimos – depois de ouvir mais de cinco milhões de produtores – e recomendamos: “O grande perigo é o dilmismo sem Dilma”.
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| Sr. Hélio Brambilla, autor do artigo, com o Cardeal Edmund Burke em sua recente visita ao Brasil |
Se a intervenção estatal cessar, o céu será o limite para o desenvolvimento do agronegócio brasileiro. Aliás, ele é necessário para alimentar os quase 8 bilhões de habitantes do planeta. Já alimentamos quase 1 bilhão e meio de pessoas! Este número ainda pode se multiplicar se governo, ONGs, movimentos sociais e outras mazelas permitirem...
A velocidade do avanço brasileiro é lembrada por Evaristo de Miranda: “Se alguém disser que está a par do agronegócio com os dados de ontem, já está desatualizado; só se ficou plugado até a meia-noite para poder falar no dia seguinte que os dados estão atualizados”.
No ano que encerramos as comemorações de 300 anos do descobrimento miraculoso da imagem de Nossa Senhora Aparecida, no rio Paraíba, que Ela vele pelo Brasil e pelos brasileiros para que cumpram a grandiosa missão histórica que lhe está reservada pela Providência.
