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Número de crianças e adolescentes obesos aumenta 11 vezes em 40 anos

Um estudo liderado pelo Imperial College, de Londres, e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), realizado em 2016, revelou que a obesidade atinge 124 milhões de crianças

Por:
26/04/2018 às 09h34
Número de crianças e adolescentes obesos aumenta 11 vezes em 40 anos

 

Central Press

 


 

 

O aumento nos índices de obesidade infantil no mundo é alarmante.

 

Um estudo liderado pelo Imperial College, de Londres, e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), realizado em 2016, revelou que a obesidade atinge 124 milhões de crianças – um salto quase duas vezes superior ao aumento no número de adultos obesos.

 

Em 1975, o segmento da população entre 5 e 19 anos acima do peso era de 11 milhões. Já o de adultos, saltou de 100 milhões para 671 milhões.

 

Nas últimas 4 décadas, o índice de obesos no mundo cresceu de 0,7% para 5,6% entre meninas; e de 0,9% para 7,8% em meninos.

 

O Brasil encontra-se acima da média mundial: 9,4% das meninas e 12,7% dos meninos estão obesos.

 

A obesidade pode ser desencadeada por fatores ambientais, biológicos, hereditários e psicológicos, mas, segundo especialistas, certamente são os hábitos os principais causadores.

 

"Menos de 5% dos casos são decorrentes de doenças endocrinológicas e a hereditariedade só se manifestará se o ambiente permitir", explica a endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM-PR), Rosana Bento Radominski.

 

Segundo ela, os índices de sedentarismo e a alimentação inadequada no ambiente familiar são os principais colaboradores para o crescimento exponencial no número de crianças e adolescentes obesos.

 

“As crianças estão passando muito tempo em frente ao computador e celular e fazendo pouca atividade física”, reforça a médica.

 

“Além disso, é preciso uma mudança de hábitos na alimentação de toda a família para que a criança seja motivada a se alimentar melhor”.

 

A médica ressalta ainda que há poucas opções de medicamentos para auxiliar no emagrecimento infantil. O tratamento é baseado em atividade física e reeducação alimentar.

 

Tratar a obesidade não é uma questão estética. Problemas de saúde relacionados ao excesso de peso vêm afetando crianças cada vez mais novas.

 

Complicações como hipertensão arterial, colesterol e triglicerídeos elevados, resistência à insulina (que pode evoluir para o diabetes tipo 2) e até mesmo apneia de sono são alguns desses problemas.

 

“A obesidade nos meninos é ainda mais grave devido ao acúmulo de gordura abdominal, que traz maior risco de problemas cardiovasculares”, alerta a médica.

 

Aspectos psicológicos

 

A família também deve considerar os aspectos psicológicos da obesidade infantil. Segundo os especialistas, conforme o avanço na idade, maior a probabilidade de sofrer preconceito e bullying devido ao excesso de peso.

 

Isso afeta a interação da criança com os grupos, a socialização e pode levar, até mesmo, a um quadro de depressão.

 

"É um círculo vicioso: a criança sofre com a diferença, se isola e tende a praticar menos atividades físicas e compensar a tristeza na alimentação", revela a endocrinologista.

 

Outro fator importante a ser observado é se o quadro de obesidade não é decorrente de fatores psicológicos. Muitas vezes, desequilíbrios emocionais e até mesmo casos de abuso sexual desencadeiam a doença.

 

Nesses casos, o acompanhamento de psicólogos e uma equipe multidisciplinar é essencial.

 

Conduta saudável

 

Rosana Bento Radominski ressalta a importância da participação de toda a família no tratamento e prevenção da obesidade.

 

“Comer de forma saudável não é recomendação exclusiva para o paciente obeso. Toda a família deve cuidar da alimentação e não deve haver diferenciação entre magros e obesos.

 

Uma dieta nutricional equilibrada faz bem a todos”, afirma. A atividade física também deve ser equilibrada e fazer parte do cotidiano.

 

"Não basta matricular a criança em uma academia.É preciso incentivar hábitos diários mais saudáveis como caminhar todos os dias, procurar subir escadas e brincar, por exemplo", reforça a médica.

 

Outra dica importante é regular o tempo da criança em frente às telas de computador, celular e televisão - o que não deve exceder mais que duas horas diárias.

 

E também buscar ajuda em grupos de apoio ao tratamento da obesidade. O tema “Obesidade na infância” será abordado por Rosana Bento Radominski no VI Encontro Brasileiro de Endocrinologia Pediátrica (EBEP), que acontece em Curitiba, de 24 a 26 de maio.

 

O assunto fará parte da mesa “Obesidade e Metabolismo”, coordenada por Silmara Leite, presidente da SBEM-PR. “Debater o tema obesidade infantil entre os endocrinologistas é de extrema importância.

 

É importante que a população tome medidas urgentes na mudança de hábitos para termos uma população mais saudável futuramente”, alerta Silmara.

 

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