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Adolescentes antes da hora

"Se as crianças não sentirem que tem seu próprio valor pelo que são, acabam comprando a ideia de que só serão bons se forem como aqueles grandes, que não são ideais"

Carlos Roberto Francisquini
Por: Carlos Roberto Francisquini
18/07/2018 às 18h58 Atualizada em 18/07/2018 às 19h14
Adolescentes antes da hora

 

 

 

Ana Carolina B.C.Boriollo


 

 

Namorar, ficar, pegar, pedir para sair com a galera, falar de um jeito meio atravessado, meio irônico e até mesmo sádico... Mas isso não estava programado para depois dos 14 anos? (Questionam os pais). Com dez ou até mesmo nove, os pequenos já andam assustando os adultos, parecendo adolescentes de 15 ou 16 anos, para desespero de quem esperava ter algum sossego após as fases mais turbulentas da infância dos filhos. Tem gente que acha bonitinho vê-los crescendo rápido, acompanhando as transformações globais, mas em exagero faz mal! É ruim para as crianças. Quando elas começam a antecipar manias de garotos e garotas, começam a atropelar seu processo de amadurecimento.


Até os 11 anos, as crianças ainda não tem estrutura psíquica capaz de processar as emoções que aparecem em situações complexas vividas pelos adultos. E por isso são chamados de crianças. Ainda não tem noção clara de si mesmas, não conseguem organizar todos os pensamentos e sensações físicas para gerar uma compreensão daquilo que estão vivendo. Um beijo sensual, um gole de cerveja, ou uma tragada ainda não encontram lugar para se encaixar, não dá prazer real. No máximo, faz eles se sentirem mais importantes, mas depois, é claro vem o rebote.


Assim sentem-se sobrecarregados e desgastados, abrindo caminho para agressividade e a depressão. Tentando ser o que ainda não podem, eles correm o risco de ficar sem nenhum lugar no mundo. Dá medo. E se não tiverem dos pais uma segurança e demonstração de que podem continuar a serem crianças, acabam acreditando que já fazem parte do universo dos grandes. Mas o problema é que sua maneira de serem adultinhos não é nada agradável, pois tornam-se sarcásticos, depreciativos, respondões e desobedientes e vão copiando dos adolescentes atitudes que lhes é possível copiar.


E nessa imitação dos maiores é que existe o perigo. Imitar faz parte do aprendizado, mas só vai bem quando os pais ficam firmes como referência e mostram atitudes que aprovam que os filhos podem assumir como suas.


Se as crianças não sentirem que tem seu próprio valor pelo que são, acabam comprando a ideia de que só serão bons se forem como aqueles grandes, que não são ideias. E pior, se sentirão tristemente inferiores. Então vão tentar crescer rápidos, ou parecer crescidinhos.


Dos seis aos onze anos, as crianças tem tudo para ser agradavelmente tranquila. Ainda não é hora de ser rebelde. Pelo contrário, é hora de ser “certinho”, de copiar os pais, de se pentear, de se vestir, andar e falar como eles. É a fase que as crianças vêem os pais como modelos em tudo que fazem.


É tarefa dos pais assumir o lugar de importância máxima de seus seguidores, falando de si mesmo, contando como foi seu dia, o que fizeram e o que sentiram diante das situações. Ensinar a sentir. E, é claro, dar limites, sempre. Só pode ser referência para uma criança quem cuida dela, e só quem dá limites cuida de verdade. E é assim que se mostra a eles seu real valor no mundo. O valor de quem merece ser cuidado, e que terá seu tempo certo de amadurecimento, pois se não for no tempo certo, atropela-se a fase de crescimento e sobram peças bambas na estrutura. E dessa forma a adolescência vem para ocupar um lugar vazio e tende a ser mais longa do que precoce, pois quanto mais cedo ela começa, mais tarde ela termina, e muitas vezes nem termina.  

 

*Ana Carolina Barreiros Casquel Boriollo 

é Psicóloga em Cambará.

CRP 08/07384-Pr

Fale com a Dra. Ana Carolina

[email protected]


 

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