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CIRURGIA PLÁSTICA: “Nenhum Cirurgião deve ou quer operar alguém que realmente não necessite”, afirma Dr. Rogério Santos Ferreira

Cirurgião plástico ourinhense alerta sobre um verdadeiro mercado de procedimentos estéticos ilegais que estão pondo em risco a vida de inúmeras pessoas

Carlos Roberto Francisquini
Por: Carlos Roberto Francisquini
09/10/2018 às 15h34 Atualizada em 09/10/2018 às 16h12
CIRURGIA PLÁSTICA: “Nenhum Cirurgião deve ou quer operar alguém que realmente não necessite”, afirma Dr. Rogério Santos Ferreira

C.Roberto Francisquini


 

 

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica – SBCP divulgou recentemente um levantamento que aponta que os procedimentos cirúrgicos seguem de vento em popa no nosso país. Em comparação ao ano de 2014, quando o último documento foi publicado, as intervenções para fins reconstrutores ou puramente estéticos avançaram 23% e 8%, respectivamente.

Em comunicado à imprensa, Luciano Chaves, presidente da SBCP, ressaltou a importância de procurar profissionais capacitados, seja qual for a finalidade. Ele fez um alerta preocupante quanto ao número de pessoas que está atuando no setor sem qualificação. “Há cerca de 12 mil pessoas sem qualificação realizando cirurgias plásticas no Brasil, o que coloca seus pacientes em risco de deformidades, erros irreversíveis e até morte”, alerta.

Esta é a preocupação do Cirurgião Plástico ourinhense Dr. Rogério Santos Ferreira(52).

Na avaliação do médico, as notícias de pessoas que morreram depois passarem por procedimentos cirúrgicos mal sucedidos, levantou o debate. O médico avalia com preocupação os casos recentes veiculados na mídia nacional.

‘Não é coincidência que todos estes procedimentos foram realizados por não especialistas, alguns até por não médicos e em ambientes totalmente inadequados e sem segurança”

 

Nesta entrevista, Dr. Rogério destaca alguns pontos que podem ajudar o paciente na hora em que decidir passar pelo procedimento. O Cirurgião  tem 29 anos de profissão, é graduado em medicina pela Universidade Estadual de Londrina e conta com títulos de Especialista em Cirurgia Geral no Hospital Heliópolis em São Paulo, Cirurgia Plástica no Hospital Brigadeiro em São Paulo, Fellow no Serviço de Cirurgia Plástica do Professor Ivo Pitanguy na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e é membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Acompanhe os principais pontos da entrevista.

 

Circulando: Dr. Rogério, é correto afirmar que estamos vivendo no período da cirurgia plástica moderna?

Dr. Rogério: Talvez moderna não seja o termo mais adequado. Prefiro caracterizar como um período onde junto com toda a medicina a cirurgia plástica se desenvolveu tecnicamente e com maior segurança.

 

Circulando: A tecnologia e seus avanços proporcionaram que a cirurgia plástica se tornasse ainda mais segura e com isto tem levado muitas pessoas aos centros cirúrgicos. Quais as precauções que o paciente deve levar em conta? 

Dr. Rogério: É preciso que se tenha consciência de que toda cirurgia têm seus riscos e há vários fatores que podem influenciar diretamente nestes. Cuidados pautados no bom senso incluem  em primeiro lugar a escolha de um profissional especialista e consequentemente, uma extensa investigação  das condições de saúde, avaliar as condições de segurança onde será realizada a cirurgia, presença de equipe de anestesiologia, ser fiel as recomendações pós operatórias e ter um diálogo aberto com seu cirurgião. Deste diálogo resultará um bom relacionamento médico paciente e será determinado se realmente o paciente têm uma boa indicação cirúrgica e se há uma visão realista  do que a cirurgia pode lhe proporcionar.

 

Dr. Rogério Ferreira na capa da versão impressa da revista Circulando

Circulando: A busca pelo corpo perfeito tem impulsionado o setor e, naturalmente o surgimento de muitas clínicas de estéticas.  Sem fazer juízo de valor, há uma diferença entre cirurgia plástica e procedimentos estéticos?

Dr. Rogério: É importante que o público tenha conhecimento de que para o Conselho Federal de Medicina não existe o reconhecimento da medicina estética como especialidade médica. A formação de um cirurgião plástico transcende em muito a estética, sendo a cirurgia estética e reparadora indivisíveis. É importante que principalmente os procedimentos chamados de invasivos sejam realizados somente por especialistas. Outros não invasivos podem ser feitos por profissionais de outras áreas e são coadjuvantes como tratamentos.

 

Circulando: Reparadora ou estética: há uma idade apropriada para se submeter a um procedimento cirúrgico?

Dr. Rogério: Para cada cirurgia há um aconselhamento da idade ideal e este deve ser baseado no desenvolvimento físico e psicossomático da pessoa, além de outros fatores.

 

Circulando: Cirurgia plástica é mais adequada para mulheres?

Dr. Rogério: Não, a cirurgia plástica pode ajudar homens e mulheres desde que conscientes.

 

Circulando: Em pacientes do sexo masculino tendem a ser mais complexas tecnicamente?

Dr. Rogério: Existem diferenças não só técnicas, mas características de cada sexo.

 

Circulando: Qual o risco de uma cirurgia plástica? Há risco de morte?

Dr. Rogério: Como já disse, apesar de toda segurança, não existe cirurgia ou nada na vida isento de risco. É importante que todos tenham essa consciência, e que dessa consciência resulte uma decisão sensata da importância que cirurgia terá na sua vida. Nenhum cirurgião deve ou quer operar alguém que realmente não necessite.

 

Circulando: Porque estão morrendo tantas mulheres em procedimentos cirúrgicos estéticos no país? 

 Dr. Rogério: Não é coincidência que todos estes procedimentos foram realizados por não especialistas, alguns até por não médicos e em ambientes totalmente inadequados e sem segurança. Nestas circunstâncias os riscos são altíssimos.

 

Circulando: Sobre o uso do silicone industrial em pacientes, o que isto pode causar na saúde da pessoa?

Dr. Rogério: Os danos são gravíssimos, desde infecções, embolias, cicatrizes deformantes, migrações dos produtos e morte.

 

Circulando: Como o senhor reagiu a estas manchetes?

Dr. Rogério: Como médico e ser humano fiquei triste e preocupado. Por demonstrar um verdadeiro mercado negro que brinca com vidas humanas e que as pessoas ainda carecem de esclarecimento e bom senso para reconhecerem quando uma situação não é segura.

 

Circulando: É possível reverter o resultado de uma cirurgia plástica?

Dr. Rogério: Somente em alguns casos.

 

Circulando: Cirurgias plásticas deixam cicatrizes?

Dr. Rogério: Na maioria das vezes sim e o resultado final dessa cicatriz vai depender não só da técnica empregada, mas dos cuidados pós operatórios e de como o organismo do paciente cicatriza.

 

Circulando: Como é o pós-operatório de uma cirurgia plástica?

Dr. Rogério: Varia com cada procedimento, mas é importante ressaltar que poucas especialidades levam tão à sério a importância do pós operatório no resultado final da cirurgia.

 

Circulando: Pessoas hipertensas e portadoras de diabéticos podem fazer cirurgia plástica?

Dr. Rogério: Na indicação da cirurgia o primeiro fator é o critério saúde. Doenças se existirem devem estar controladas e não oferecerem riscos desproporcionais ao procedimento. Em caso contrário deve-se pensar em uma alternativa conservadora.

 

Circulando: A presença e o trabalho do anestesista é sempre necessária?

Dr. Rogério: Existem normas já estabelecidas pelo CFM de acordo com o porte do procedimento, mas em linhas gerais  a presença do anestesiologista é sempre um fator importante na segurança do paciente. Exceção são os pequenos procedimentos ambulatoriais.

 

Circulando: Existe uma época do ano adequada para a realização de uma cirurgia plástica?

Dr. Rogério: O mais importante não é a época , mas sim o período do ano onde o paciente possa cumprir o repouso adequado, o que varia individualmente.

 

Circulando: A prótese de mama deve ser trocada de quanto em quanto tempo?

Dr. Rogério: A maioria dos fabricantes ainda orientam  trocá-las após 10 anos, apesar de acreditarmos que com a melhora da qualidade dos produtos este tempo possa ser maior. De qualquer modo  o cirurgião junto ao seu paciente, decidirão conjuntamente o melhor momento para a troca.

 

Circulando: É possível “copiar” traços corporais ou da feição de celebridades ou mesmo de outras pessoas? 

Dr. Rogério: Como tudo na vida existem atitudes que podem, mas não devem ser tomadas. Para um bom cirurgião, um pedido semelhante deve ser um alerta para um esclarecimento ao paciente que individualidades devem ser respeitadas e não copiadas.

 

Circulando: Para finalizar, qual o recado para a pessoa que deseja passar pelo procedimento estético cirúrgico?

Dr. Rogério: Novamente reforço o conceito que nenhuma cirurgia é totalmente estética ou reparadora, mas uma combinação de ambas. Devem ser lembrados os critérios de segurança que já descrevi, e entender que uma cirurgia é um complemento de um trabalho que se inicia antes de tudo com cuidados pessoais de saúde, atividades físicas e uma estabilidade psico- emocional que lhe dará condições não só de decidir pela cirurgia como se beneficiar dela. 

 

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