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Os filhos pedindo Limites

Dar limites de maneira adequada é falar no presente, e não cobrar pelo passado ou punir pelo futuro

Carlos Roberto Francisquini
Por: Carlos Roberto Francisquini
05/01/2019 às 12h58 Atualizada em 05/01/2019 às 13h56
Os filhos pedindo Limites

 

 

 

Ana Carolina Barreiros Casquel Boriollo


Nós, pais “maduros” de hoje em dia, com filhos adolescentes, viemos de uma ressaca de um certo moralismo autoritário e crescemos no grande agito liberal, que desmontou muitos sistemas de valores.


 Sabemos muito bem que nossos filhos necessitam de regras e limites para viver e crescer. Mas também sabemos que eles merecem liberdade, mas necessitam da nossa ordem protetora, afinal de contas, somos responsáveis por eles.


Ouvimos o tempo todo: “Eles precisam de limites”! Só não sabemos exatamente como fazer isso. Como é esse negócio de saber frear nas vontades deles e na hora certa e não deixar que eles façam tudo como querem.


Tememos ser injustos e errados, soltar demais, sermos liberais demais e com a melhor das intenções, acabamos, muitas vezes, ameaçando nossos mocinhos.


É claro que isso não é de propósito, evidentemente, e eles até se assustam muitas vezes, com algumas de nossas reações.


Limite é não puro e simples e não um jogo de palavras, é uma atitude dos pais que se mostram com autoridade e nunca tirando sua culpa e responsabilidade. As palavras dos adultos seguem os mais nobres motivos, mas nem sempre cabe aos nossos pequenos ouvirem as justificativas, e sim cabe a eles ouvirem o não e processar essa raiva e frustração que sentem em cada um desses momentos. Somente assim eles poderão crescer e amadurecer de fato, transformar suas vontades impulsivas em desejos, planos, projetos e é claro em autoestima.


Dar limites de maneira adequada é falar no presente, e não cobrar pelo passado ou punir pelo futuro. Isso significa ouvir muitos choros e protestos e requer disposição para dar colo, ou pelo menos, compreender a raiva dos pequenos jovens.  Dar limites também é questão de saúde, e isso cada vez mais vem se tornando uma questão social.


"...construímos nossos filhos quando mantemos uma postura coerente e afetuosa, dizendo “não” com a mesma firmeza que dizemos “sim”.

Limites são a base do desenvolvimento emocional dos pequenos, indispensável principalmente conviver e respeitar a diversidade de ideias, rostos e jeitos. Sustentar um não, quando é necessário, sem negociações ou justificativas e amparar o filho na frustração que isso causa, é indispensável, mesmo parecendo tão difícil.


Muitas vezes, parece até rigidez autoritária fazer com que os mocinhos obedeçam, cheguem no horário que foi estabelecido, não permitir que fiquem horas no celular, vídeo game, que gostam tanto. Tudo isso parece soar para os pais como “deixe só mais um pouquinho”, "seja legal”, “eles merecem, tadinhos”.


Na verdade, o que eles querem é somente que os adultos os ajudem a administrar os impulsos que comandam aquela imensidão de pedidos e desejos. Eles estão implorando para serem humanizados e com limites aprendem que não se morre se os impulsos não forem satisfeitos.


Entender que a vida resiste a estas emoções, sensações e frustrações é o principal passo para o amadurecimento. E o grande aprendizado nesse processo é que existe uma outra sensação de prazer além daquela satisfação imediata, que é a noção básica do desejo, a energia que permite querer e lutar pelas coisas na vida, ou seja, a essência que faz alguém se sentir feliz. É isso que construímos nos nossos filhos quando mantemos uma postura coerente e afetuosa, dizendo “não” com a mesma firmeza que dizemos “sim”

É esse limite acolhedor que irá permite a formação emocional dos nossos filhos. E assim compreenderemos a magia que se opera cada vez que nossos mocinhos reclamarem livremente a cada vontade supérflua não atendida. Veremos como esse intenso trabalho irá se reverter rapidamente em saltos de amadurecimento. Percebendo que, nós, pais seremos os maiores apoiadores do crescimento dos nossos filhos, garantindo sempre o essencial a sua saúde e dando a eles asas para que saibam voar.

 

 

 

                                                                   Ana Carolina Barreiros Casquel Boriollo

 Psicóloga CRP 08/07384

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