
Fonte: Redação Jovem Pan

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), o esquema desviou R$ 8,4 bilhões ao longo de quase 20 anos, por meio de recursos arrecadados com o reajuste da tarifa de pedágio do Anel de Integração do Paraná, malha de rodovias do estado, além de obras e concessões, em troca de vantagens indevidas. As propinas somam R$ 35 milhões ao ex-governador e a outros agentes públicos.
As investigações mostram que o esquema começou em 1999, com a elevação de tarifas de pedágio pagas pelos usuários e com a realização de apenas 25% das obras previstas. Na época, as concessionárias se comprometeram a duplicar 995,7 quilômetros de rodovias no início dos contratos, mas apenas 273,5 quilômetros foram duplicados até hoje, conforme informou a força-tarefa da Operação Lava Jato.
A partir de 2011, quando Beto Richa assumiu o governo, os pagamentos de propina foram direcionados a políticos e agentes públicos do DER e da Agepar — órgão responsável por fiscalizar as concessões rodoviárias do estado. Entre os beneficiados estavam Beto e Pepe Richa, irmão do então governador, e Nelson Leal Júnior.
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Beto Richa chegou a ser preso em 25 de janeiro, na 58ª fase da Operação Lava Jato, mas foi solto por decisão do presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro João Otávio de Noronha. Na mesma decisão, o ministro expediu uma ordem de salvo-conduto em favor do político e do seu irmão José Richa Filho para que eles não sejam presos no âmbito da Operação Integração II.
De acordo com a acusação, Beto Richa recebeu R$ 2,7 milhões em espécie, que foram usados para comprar imóveis por uma empresa em nome da esposa e um dos filhos do ex-governador. Desse montante, a maior parte, cerca de R$ 2,6 milhões, teriam sido lavados por Richa por meio da compra de imóveis com a ajuda do contador Dirceu Pupo Ferreira, que também teve a prisão preventiva decretada na mesma operação do ex-governador.