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Código Florestal brasileiro pode causar inflação na China

O Código Florestal trata de floresta avançando sobre agricultura, não do contrário

Carlos Roberto Francisquini
Por: Carlos Roberto Francisquini
17/11/2012 às 10h46 Atualizada em 17/11/2012 às 10h56
Código Florestal brasileiro pode causar inflação na China
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A conclusão é da empresa de consultoria inglesa Business Monitor International. A empresa, que presta consultoria sobre ambiente de mercado a investidores internacionais, viu o que a imprensa brasileira não consegue enxergar devido aos preconceitos que carrega sobre o Código Florestal e o maniqueísmo ruralista/ambientalista: O Código Florestal trata de floresta avançando sobre agricultura, não do contrário.


De acordo com a matéria publicada no blog oficial da empresa, o novo Código Florestal afetará a produção de soja no Brasil o que terá reflexo na China, que compra 60% da soja nacional. A soja comprada do Brasil é usada na alimentação do rebanho que fornece grande parte da proteína animal consumida na China. Uma alta no preço internacional da soja em função das restrições à produção brasileira pode levar a uma redução na produção de proteína animal e, conseqüentemente, a inflação de preços dos alimentos na China.

A grande pergunta que me vem à mente é: Por que uma coisa tão obvia permanece obscura na mente dos articulistas de jornal, gente urbana, no Brasil?

Veja matéria original, em inglês, no blog da Business Monitor International

Tem tempo, embora a Business Monitor International tenha feito uma leitura correta do Código Florestal na agricultura brasileira, a conclusão da consultoria está equivocada. O Código Florestal causará um efeito deletério na agricultura nacional, mas isso não será sentido na China.

Isso porque a soja continuará crescendo em área usando espaço hoje ocupado com pecuária. Além disso, as restrições feitas aos médios produtores, que ficaram de fora das benesses do novo Código Florestal depois dos vetos, fará com que suas terras sejam compradas e remembradas por grandes produtores capitalizados que são economicamente capazes de assumir o ônus ambiental imposto pela nova lei depois do vetos. Os médios imóveis não podem ser desmembrados, restando portanto a concentração fundiária como solução para as novas regras.

No médio prazo a grande agricultura encontrará um grande espaço para expansão da produção sem novos desmatamentos, como querem os ecólatras das ONGs, mas farão isso engolindo a pecuária dos médios produtores que fornecem para o mercado brasileiro.

Ou seja, a soja da China está garantida. O que está em risco são os médios produtores brasileiros e o mercado interno de carne. Quem vai pagar caro pelos vetos do Executivo no Novo Código Florestal será o povo brasileiro que não encontrará mais o seu bife aos preços praticados hoje em dia.

O grande mérito da consultoria inglesa foi perceber o efeito da lei no Agro. Coisa que os jornais no Brasil não conseguem fazer.

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