
C.Roberto Francisquini
As obras de reforma do Estádio do Operário, um dos mais bonitos de Cambará, estão concluídas. O velho estádio recebeu investimentos na casa dos R$350mil e sua restruturação além de comemorada pelos moradores vizinhos ao local, também devolveu a honra ao prédio histórico, palco de grandes Derbys no passado e que vinha sofrendo com o abandono de quase duas décadas.
Localizado na Vila Santana o velho Operário foi motivo de muita discussão e reclamações da vizinhança. Esquecido e abandonado em meio a vegetação que tomou conta do gramado e demais dependências, o estádio passou a ser frequentado por usuários de drogas e sofreu com a ação de vândalos e a depredação. Além disto, os vizinhos reclamavam da proliferação de animais peçonhentos e do mau cheiro que exalava do seu interior. Por se tratar de um local privado a prefeitura nada pode fazer para evitar a degradação da Praça esportiva e por pouco a história do Operário não acabou em ruínas. O resgate do campo foi encabeçado por Alceu Bernardelli, (o Vermeio), Marcio Albertini e Luiz Dariva. Eles iniciaram o garimpo das documentações que depois de reunidas possibilitou na formação de uma nova diretoria.
Com a ajuda de alguns empresários, o local recebeu os primeiros investimentos tais como: roçagem do mato, limpeza dos vestiários, reparos do muro que desabou em grande parte, entre outros investimentos básicos. Luiz Dariva assumiu a presidência e junto com os demais membros foi decidido pela venda de um imóvel no centro da cidade, que servia de sede social do clube, e com o dinheiro iniciou-se a reforma completa, concluída no início de janeiro deste ano. A antiga arquibancada de madeira foi substituída por uma de estrutura metálica. Os vestiários agora têm vasos sanitários, chuveiros e pisos azulejados.
Em assembleia foi eleita a nova diretoria que já tomou posse e prepara os detalhes para a aguardada reinauguração que ainda não aconteceu por falta de liberação do Corpo de Bombeiros. Há alguns detalhes que precisam ser ajustados para atender as exigências do órgão.
Mauro Carvalho, o Chumbo, é o novo presidente. Ele também é Secretário de Esportes do município e tem boas ideias para ocupar o local. A primeira iniciativa foi levar para o estádio o projeto social mantido pela prefeitura, que oferece escolinha de futebol para meninos e meninas.
Mesmo sem a liberação dos Bombeiros, o projeto iniciou as atividades nesta semana. Professor Mazza e Esquerdinha vão utilizar o local nas terças e quintas. Nos demais dias da semana (segunda, quarta e sexta-feira) o projeto é aplicado no Estádio João Pereira Lima, na Vila Rubim.
À Folha, Chumbo disse que a ideia é disponibilizar atividades esportivas para os meninos e meninas que residem nesta área da cidade. “Tem muitas crianças e adolescentes nesta região da cidade que por alguma razão não conseguem ir até a Vila Rubim, então acho importante ocuparmos este espaço para proporcionar atividades para todos”, frisou.
Mazza
“As drogas matam, as drogas matam, fiquem longe delas”. Este é o grito de ordem que o veterano Eid Menezes, o Mazza como é mais conhecido, ex-goleiro, radialista e um dos símbolos do esporte na cidade, faz aos seus comandados antes do início dos treinos. É como uma espécie de mantra para os meninos que respondem aos berros. “É isto aí garotada, agora vamos aos trabalhos”.
Mazza tem um longo histórico de vida ligada ao esporte na cidade. Atuou como goleiro profissional, mas ficou nacionalmente famoso com o bordão “Tá na Boca do Povo”, ao anunciar os gols do Matsubara na época em que foi narrador esportivo e transmitia ao vivo os jogos do verdão cambaraense pelas ondas do rádio. Com o fim do time do Matsubara, Mazza passou a treinar os garotos e chegou a revelar alguns deles para o futebol brasileiro.
Ele está a frente do projeto e disse que é uma satisfação enorme estar de volta ao velho Operário. “Aconteceram coisas incríveis neste lugar”, recorda.
A emoção do 'Vermeio'
Alceu Bernardelli, o Vermeio, como é historicamente conhecido na cidade, completa 80 anos neste ano. Ele foi centroavante do Clube Operário e guarda grandes recordações da época de ouro do futebol de Cambará.
Ele estava visivelmente emocionado ao ver o campo lotado de crianças novamente. “Sonhei com este dia”, afirmou. Na ocasião, Bernardelli entregou ao garoto Leonardo De Faveri (14), a camisa oficial do Operário usada por ele nos jogos oficiais na década de 1950. “Esta camisa está comigo há mais de 60 anos, sempre tive o sonho de um dia entregá-la a um garoto do nosso time”, disse, “Este dia chegou”, completou.
A entrega foi simbólica.
Leonardo é o centroavante do time e disse que ficou honrado com a homenagem. “Não tenho palavras para descrever o que estou sentindo neste momento, estou verdadeiramente orgulhoso e honrado por vestir esta camisa que tem tantas histórias e representa um passado glorioso do futebol cambaraense”, resumiu.