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Pesquisa proporciona atendimento especializado a pacientes com diabetes

Há mais de 12 anos, projeto da UENP leva atendimento especializado que garante melhoria da qualidade de vida da comunidade do Norte do Paraná

Carlos Roberto Francisquini
Por: Carlos Roberto Francisquini
01/07/2019 às 19h53 Atualizada em 02/07/2019 às 10h52
Pesquisa proporciona atendimento especializado a pacientes com diabetes
Professor Ricardo Castanho durante atendimento a paciente do Projeto Feridas

 

 

 

 

 

 

 

Texto e fotos: Tiago Angelo

 


 

 

A cada sete segundos, uma pessoa morre no mundo em decorrência do diabetes. Os dados da Federação Internacional de Diabetes (IDF) referentes à mortalidade são alarmantes. Aproximadamente cinco milhões de pessoas, com idade entre 20 e 79 anos, morreram em 2015 em decorrência da doença. Naquele ano, estima-se que 8,8% da população mundial, entre 20 e 79 anos, vivia com diabetes mellitus Tipo 2. Se aplicarmos essa prevalência à população brasileira, o número de pessoas com a enfermidade no País era em torno de 14 milhões. O Brasil ocupava a 4a posição mundial em número de pessoas com diabetes mellitus. Dados mais recentes, de 2017, informam que 425 milhões de adultos são afetados atualmente no mundo pela doença.

 

Em busca de melhores resultados para o controle da enfermidade, em 2010, o professor Ricardo Castanho Moreira, do curso de Enfermagem da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), iniciou estudo que avaliou o método de gerenciamento para avaliação e acompanhamento de pessoas com diabetes, um protocolo para as consultas de enfermagem e acompanhamento multiprofissional. A pesquisa de doutorado, orientada pela professora Maria de Fátima Mantovani, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), trouxe como objetivo avaliar o efeito do uso desse método sobre o controle glicêmico de pessoas com diabetes mellitus tipo 2 e nos fatores de risco para complicações crônicas.

“Tratou-se de uma pesquisa clínica, com acompanhamento ao longo de 12 meses, do tipo antes-depois, realizada no município de Bandeirantes, Norte do Paraná. A amostra foi de 80 participantes, divididos em dois grupos: intervenção e comparativo”, explica. O pesquisador destaca ainda que o controle glicêmico é considerado o principal fator para prevenção das complicações crônicas.

 

“O resultado da Pesquisa foi extremamente positivo, uma vez que se constatou que o método de gerenciamento de casos é eficaz para melhorar o controle da glicemia e reduzir as complicações que afetam a qualidade de vida das pessoas com diabetes, podendo ser implantado no Sistema Único de Saúde” Professor Ricardo Castanho Moreira


 

 

Pesquisas internacionais apontam que a taxa glicêmica alta é a variável que está diretamente envolvida na determinação das complicações crônicas do Diabetes mellitus, e por isso, o controle glicêmico (do açúcar no sangue) é a principal meta para sua prevenção. “A Hemoglobina glicada (HbA1c) é considerada padrão ouro na análise de controle glicêmico e a meta proposta para adultos com “Diabetes mellitus tipo 2 é inferior a 7%”. Este é um parâmetro importante, pois para cada redução absoluta de 1% na média da Hemoglobina glicada (exame que calcula a média da glicemia dos últimos 4 meses), reduz 37% o risco de complicação microvascular e em 32% o risco de alguma complicação relacionada ao diabetes”, ressalta Ricardo.

 

O professor explicou que no início do estudo somente 7,5% dos participantes do grupo intervenção e 15% do grupo comparativo alcançaram essa meta. Ao término do estudo houve um aumento no percentual absoluto de pessoas que alcançaram o controle glicêmico de 14,10% no grupo intervenção e 5,51% no grupo comparativo. “Observamos uma redução absoluta no valor da Hemoglobina glicada de 1,29%”.

 

 Taxa glicêmica alta pode determinar complicações crônica do diabetes

 

Destaca-se que no grupo intervenção, a população que obteve maior benefício do acompanhamento pelo gerenciamento de casos foi aquela com menos anos de estudo e menor renda.

 

“O resultado da pesquisa foi extremamente positivo, uma vez que se constatou que o método de gerenciamento de casos é eficaz para melhorar o controle da glicemia e reduzir as complicações que afetam a qualidade de vida das pessoas com diabetes, podendo ser implantado no Sistema Único de Saúde”, destaca o professor.

 

Atendimento especializado 

Estudantes do curso de Enfermagem da UENP realizam estágio no Projeto Cuidado de Enfermagem a Pacientes com Feridas

 

A experiência conquistada com a pesquisa, além de contribuir para os avanços da ciência sobre o diabetes, tornou-se um dos projetos de extensão mais importantes e duradouros da UENP, atendendo pessoas como seu José Carlos Alves, de 65 anos, de Bandeirantes, que recebe tratamento pelo Projeto Cuidado de Enfermagem a Pacientes com Feridas. O primeiro problema que ele teve foi na perna esquerda, em 2009. “Saiu uma ferida, eles chamam de ‘zipela’. Tem relação com o diabetes”, conta.

 

Os recorrentes traumas nos pés por conta do diabetes o fizeram, recentemente, buscar atendimento do projeto que é coordenado pelo professor Ricardo Castanho.  “Eu pisei num prego, numa ‘taba’ da casa do cachorro. Na hora, passei álcool gel – quando foi três dias, ‘pioro’. Eu tive que fazer uma cirurgia. Fiquei nove dias lá. Agora estou tratando da cirurgia aqui”. É o terceiro episódio de complicação no pé (ferida) que ele trata no projeto.

 

O senhor Luiz Carlos de Oliveira, 59 anos, é atendido pelo projeto desde seu início. Lá atrás, era uma ferida muito difícil de tratar, depois que amputou o pé direito, por complicações ocasionadas por um “estrepe que enfincou no pé entre o dedão e outro dedo”, relata o paciente. “Nesse período, o professor Ricardo fez visitas, fez curativos e orientações. Pois não crescia o coro certinho, pois tinha de entregar sorvete, acabava forçando muito o pé”, lembra. Agora o problema do seu Luiz é a prótese que está machucando o pé. “Faz uns dois meses. Estava ruim de sarar sozinho. Está bastante bom agora, quase fechando”, partilha o senhor Luiz Carlos.

 

O Projeto de extensão é realizado desde 2004, em parceria com profissionais da Secretaria de Saúde de Bandeirantes, Santa Casa, Unidades Básica de Saúde e profissionais de diversas áreas da nossa região. São realizadas por ano, em média, 350 consultas. O trabalho proporciona ainda ao graduando de Enfermagem da UENP, que participa do projeto, formação profissional qualificado para atuação junto à equipe de saúde com competência e ética após a formação. 

 

“Há pessoas com lesões que apresentam impacto negativo em sua qualidade de vida. Muitos pacientes que atendemos são por complicações do diabetes: úlceras nos dedos, no pé, ou já com uma amputação de perna ou de pé. Esse trabalho de prevenção tem o objetivo de atuar para que não ocorram casos como esses ou para que se reduzam. Há pessoas que estão com diabetes descontrolado e não apresentam, de imediato, nenhuma sintomatologia. Só que com o tempo, o risco dessas complicações aumenta”, alerta o coordenador do projeto.

 

O tratamento especializado garante melhor qualidade de vida a pacientes

 

Por isso, ressalta o professor, a importância do tempo para o cuidado. “Enfatizamos, durante as consultas, a necessidade de conscientização da pessoa com diabetes sobre a importância da alimentação com baixo teor de açúcar e gorduras, redução do sal na alimentação, prática de atividade com orientação profissional, controle do estresse, adesão ao tratamento medicamentoso prescrito pelo médico e frequência regular nas consultas com os profissionais de saúde”, finaliza o professor.

 

A pesquisa está cadastrada no Registro Brasileiro de Ensaios Clínicos, com identificador RBR-6twwh2 e aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Setor de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Paraná com o protocolo no 1121.046.11.05. Em 2019, com a criação da Clínica Universitária de Enfermagem Multiprofissional no Campus de Bandeirantes da UENP, os atendimentos do Projeto Feridas passaram a ser realizados no local.   

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