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AUTOS & CIA Opinião

Etanol, questão de soberania nacional

24/07/2019 14h50
Por: Nathália Bonhole
Etanol, questão de soberania nacional

Hélio Brambilla

 


 

Num momento histórico em que sob o pretexto de preservar, assistir religiosa e em socialmente os cerca de 20 milhões de habitantes que residem na Amazônia, a ONU, ONGs e Vaticano vêm trabalhando incansavelmente para internacionalizar esse imenso território, sendo o Brasil o maior perdedor, por deter a maior parte dessa área. O chamado corredor “Triplo A” (Andes, Amazonas e Atlântico) é um exemplo que ameaça territórios de seis países, surripiando em torno de 2 milhões de km quadrados.

 

Com nossa soberania ameaçada, um dos pilares de nossa independência são os combustíveis. Plinio Corrêa de Oliveira sempre defendeu a produção de um combustível alternativo no Brasil. Quando ainda menino, com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, ele sentiu na pele com toda a sua família e a sociedade brasileira o fato de não termos independência em relação aos combustíveis.

 

Situação não muito diferente ocorreu – e de forma mais acentuada – durante a II Guerra, pois a frota nacional havia aumentado muito, e nossas fontes de abastecimento ficavam todas no além-mar, e os petroleiros corriam o risco de ser bombardeados.

 

Com o surgimento da Petrobras na década de 1950 as coisas não mudaram muito, pois ela foi plasmada pelo monopólio estatista, tão em voga no comunismo e no nazismo, e, em vez de confiar na iniciativa privada como, por exemplo, nos Estados Unidos, em que o Estado só entrava como regulador do mercado, quis o Estado brasileiro monopolizar a produção e o refino de seu petróleo.

 

Com as guerras árabo-israelense de 1967 e 1973, quase fomos a pique, pois o petróleo subiu assustadoramente, aumentando de forma desenfreada nossa dívida externa. Não sendo economista, Plinio Corrêa de Oliveira analisava a situação sob outros pontos de vista. O mais sensível, contudo, era a soberania nacional, refletida nos dois pilares: alimentação e mobilidade. A defesa, sem dúvida, é pilar importantíssimo, mas sem comida e sem combustível ficaria seriamente neutralizada.

 

No início da década de 90, portanto, logo depois que a nova Constituição, dita cidadã, abriu as portas para a esquerda socialista ao colocar inúmeras restrições à iniciativa privada, de ter conversado com o saudoso Prof. Plinio, num dos intervalos de suas aulas.

O assunto versou combustíveis e a capacidade de o Brasil tornar-se independente nesta matéria tão crucial. Lembro-me de ele ter arrematado a conversa afirmando que estava disposto a colocar a TFP nas ruas para de fender o álcool combustível, posteriormente designado de etanol.

A mentalidade socialista dos governantes da época, com seus tabelamentos e condicionantes, tentava sufocar a indústria sucroalcooleira para favorecer a Petrobras... E havia razão suficiente para eles fazerem isso! Nos governos petistas apareceu um "tabelamento branco” de combustíveis com fins populares, mas com a roubalheira escancarada que vimos mais tarde, que teve como efeito prejudicar o setor sucroalcooleiro, pois o "tabelamento da gasolina” afundou boa parte das usinas produtoras de álcool, levando 1/4 delas à falência.

Estamos focando tão-só a questão dos combustíveis, pois os 13 milhões de desempregados que ainda vagueiam pelo país o dizem. Agora, parece que as coisas começaram a mudar. No último Congresso sobre Etanol, realizado nos dias 17 e 18 de junho no Centro Fecomércio, de São Paulo, organizado pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar, com mais de 1.500 participantes, o panorama descortinado apresentou desafios, mas a situação é totalmente outra. 

Foram dois dias de painéis, debates e projetos e contou com a presença do governador João Dória, vários ministros, senadores, deputados federais e estaduais. Apesar de o preço baixo do açúcar no mercado internacional, em virtude dos subsídios de até 20% dados por produtores da Índia e da Tailândia, o Brasil já vem tomando providências junto à Organização Mundial do Comércio para enfrentar esta situação.

 

Com isto a produção foi direcionada do açúcar para o etanol, quando atingiremos um record de produção, garantindo preço estável da gasolina e quase 50% abaixo no preço do etanol. Por isso, quase metade de nossa frota de 50 milhões de veículos é abastecida com o combustível pouco poluente renovável e competidor.

 

Conhecemos um avanço enorme tanto na quantidade quanto na e qualidade na produção de álcool, uma vez que as tecnologias mudaram tanto que hoje produzimos mais de 35 bilhões de litros, ou seja, mais do equivalente a 500 mil barris de petróleo/dia de álcool.

 

Entraram em atividade duas plantas de usinas, uma em Alagoas e outra em São Paulo, para produzir o etanol de segunda geração, ou seja, extraído do bagaço da cana, do qual se extrai o álcool celulósico, ademais de aproveitar os resíduos usados para aquecer as caldeiras e produzir eletricidade.

A capacidade instalada gera mais energia do que a usina hidrelétrica de Itaipu... Do vinhoto se retira o gás inflamável para cozinha, granjas etc.  e o resíduo é bombeado como adubo nos canaviais.

 

Também já são quase dez usinas que estão extraindo álcool do milho nas regiões da fronteira agrícola, onde a grande produção da segunda safra (safrinha) torna competidora a extração. E dos resíduos se fabrica a ração para animais e, em breve, teremos mais 3 bilhões de litros de etanol de milho adicionados ao mercado.

 

A grande novidade, sobretudo, com o fracionamento das passagens aéreas, que fez com que aumentasse em 20% viagens de ônibus, foi a apresentação do modelo de automóvel da Toyota com tecnologia híbrida, ou seja etanol e elétrica.

 

O modelo apresentado e testado no ano passado era o Prius que viajou de São Paulo à Brasília com êxito total, mas como a plataforma é semelhante ao do Corolla, já fabricado no Brasil em larga escala, a tecnologia está sendo aparelhada para a produção em série já em outubro de 2019.

 

Como já deve ser do conhecimento do leitor, a energia do motor vem de uma bateria alimentada por um ponto externo de recarga (tomada), bem como por um gerador interno de combustão, no caso movido a etanol e gasolina, não precisa parar para abastecer, mas numa parada a negócio ou pernoite ela é carregada na tomada.

Na estrada ele gastaria, em média, um litro de etanol a cada 30 km. Se tomarmos o preço do etanol hoje em São Paulo, R$ 2,39 / litro, um percurso como  Rio de Janeiro–Salvador, 1.567 km seria feito com apenas 52 litros de etanol, o que corresponde R$ 124,28. Basta comparar com uma passagem de ônibus para o mesmo trecho, mais de R$ 300 por pessoa; ou ainda de avião, a partir de R$ 1.500,00 por pessoa. No caso de um carro com 4 pessoas, pouco mais de 30,00 reais por pessoa. 

 

Até a derrocada da Venezuela, a gasolina naquele país era distribuída de graça aos venezuelanos, em razão de suas grandes reservas de petróleo, mas hoje eles precisam ficar até três dias na fila para abastecer o veículo, em razão do racionamento de gasolina imposto ao país.

Caso não queiram enfrentar a fila têm de pagar até U$ 20 no mercado paralelo por 60 litros de gasolina, só que o salário mínimo deles hoje não chega a U$ 8. E mais. Apenas 40% dos postos estão operando, pois a manutenção de um carro é muito dispendiosa, uma pessoa precisa trabalhar cinco anos (ganhando o salário mínimo) para pagar uma bateria elétrica para o veículo (Revista Época 10/06/19, págs. 64 a 66).


Na Cuba comunista não é diferente, pois de maior produtora de açúcar do mundo no início do século XX, com oito milhões de toneladas, nesse ano só produzirá cerca de um milhão de toneladas, enquanto o Brasil produz mais de 30 milhões de toneladas, e todos os seus produtos já especificados.

 

Enquanto isso a Petrobras se arrasta para conseguir sair do “buraco negro” em que foi jogado pelos governos socialistas de FHC, Lula e, sobretudo, no governo Dilma – com um “tabelamento branco” sobre os combustíveis –, que somado à roubalheira, quase destruiu a petroleira e levou 100 usinas de açúcar e álcool a falência.

 

Na Venezuela, em Cuba, no Brasil lulodilmista, a história se repete. O comunismo e o socialismo levam qualquer país à miséria, ou como bem dizia Margaret Thatcher: "O socialismo dura até acabar o dinheiro dos outros”.

 

Coincidentemente enquanto fechava o artigo, saiu notícia relevante sobre as tristemente famosas "campeãs nacionais”, ou seja, as empresas multinacionais brasileiras financiadas pelo BNDS (leia-se dinheiro meu e seu).  A Odebrecht pediu recuperação judicial pois sua dívida está em torno de U$ 100 bilhões; a Petrobras melhorou um pouco e deve quase U$ 300 bilhões e a JBS quase U$ 50 milhões. O PT pensou que Dilma fosse capaz de governar o Brasil por sua experiência em gerenciar uma lojinha de 1,99, em Porto Alegre - RS, que aliás faliu...

* * *

 

De outro lado, todas as previsões são de safra recorde de 238,9 milhões de toneladas (OESP, 12/06/19). Apesar do clima que prejudicou a safra de verão, fazendo que experimentasse até 30% de quebra em Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul, a segunda safra, sobretudo de milho, superou todas as previsões e passou de 100 milhões de toneladas. Com isso no cômputo geral vamos ter os recordes de produção de grãos.

 

Agradeçamos a Deus e a Padroeira Nossa Senhora Aparecida, que nos deu um país de dimensões continentais, com muita terra agricultável e sobretudo um povo batalhador e empreendedor que vem assegurando a sua soberania com alimentos baratos e abundantes, com combustíveis que suprem a demanda com folga, e alimenta mais de um bilhão de pessoas mundo afora, gerando mais de 30 milhões de empregos diretos e mais de US$ 100 bilhões de exportações, preservando 65% da vegetação nativa encontrada aqui por Pedro Álvares Cabral há mais de 500 anos.

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