
| José Francisco Haggi Oftalmologista – Membro do corpo clínico do Hospital de Olhos Norte Pioneiro |
O ceratocone é uma doença que afeta a córnea, parte mais anterior do olho, sendo uma ectasia que leva ao progressivo afinamento central ou paracentral desta porção do olho, resultando no abaulamento corneano em formato de cone. A manifestação é geralmente bilateral e assimétrica.
Trata-se de condição rara, encontrada em todas as raças, nas diferentes partes do mundo, com prevalência que varia de 4 a 600 casos por 100.000 indivíduos. História familiar está presente de 6 a 8% dos casos, sugerindo herança familiar. Seu aparecimento mais comum ocorre na puberdade, geralmente entre os 13 e os 18 anos de idade, progride por aproximadamente 6 a 8 anos e, após, tende a permanecer estável.
O ceratocone pode estar associado a doenças sistêmicas como as síndromes de Down, Turner, Ehlers-Danlos, Marfan, além de atopias, osteogênese imperfeita e prolapso da válvula mitral. Condições oculares às quais pode estar relacionado são a ceratoconjuntivite vernal, aniridia, amaurose congênita de Leber e retinose pigmentar.
O paciente com ceratocone refere principalmente baixa visual, visão borrada, mudança frequente na pescrição de óculos e intolerância ao uso de lente de contato.
O diagnóstico é feito através do exame oftalmológico em consultório, além de exames complementares como a topografia corneana que avalia a superfície e regularidade da córnea, paquimetria para saber a espessura da mesma e tomografia corneana que fornece dados quantitativos e qualitativos importantes para avaliação do ceratocone.
A abordagem do ceratocone varia de acordo com a gravidade da doença. O objetivo do tratamento é a reabilitação visual e/ou controle da progressão da doença. Casos leves tem a correção da ametropia (“grau do olho”) por meio de óculos. Com o avanço da doença pode ser necessário o uso de lentes rígidas gás permeáveis. Na maioria dos casos a cirurgia é indicada quando a correção por meio de óculos ou lentes de contato não são satisfatórias. Podendo ser realizado implante de anel intra-estromal para regularização da curvatura corneana, cross-linking para estabilizar e/ou retardar a progressão do ceratocone e nos casos mais avançados a opção de tratamento é o transplante corneano, onde a córnea é transplantada total ou parcialmente a depender do estágio da doença.
Por ser uma doença que afeta principalmente pessoas jovens, o ceratocone tem grande impacto na saúde pública dos países, pois é nesta fase da vida que os pacientes estão em escolas, faculdades ou começando a carreira profissional. Deste modo a consulta regular ao oftalmologista é de grande importância para detecção do ceratocone, bem como de outras doenças oculares.