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Retinopatia Diabética

Dr. José Haggi Sobrinho fala sobre o assunto

14/03/2020 08h06 Atualizada há 6 meses
Por: Carlos Roberto Francisquini Fonte: Dr. José Francisco Haggi
Retinopatia Diabética

 

De acordo com os dados recentes da Organização Mundial de Saúde (OMS), aproximadamente 150 milhões de pessoas são atualmente afetadas pelo Diabetes Melito, número que pode duplicar até o  ano de 2025. Este aumento ocorrerá especialmente nos países em desenvolvimento, especialmente devido a fatores como crescimento populacional, envelhecimento, dietas inadequadas, obesidade e sedentarismo.

O Diabetes Melito é a causa mais freqüente de cegueira nos países industrializados entre as populações ativas, correspondendo a 30% dos pacientes cegos. As alterações oculares que podem conduzir a cegueira no Diabetes são: retinopatia diabética (70%); catarata, glaucoma e neuro-oftalmopatia.

A retinopatia diabética constitui a principal complicação do diabetes e parece se desenvolver como afecção de causa multifatorial, a exemplo de outras tardias como a arteriopatia, neuropatia e nefropatia.

 Cerca de 1 a 3 % da população mundial está acometida pelo Diabetes Melito. Segundo dados da sociedade brasileira de diabetes, a prevalência na população brasileira com idade entre 30 a 70 anos é de 7,6%. Aproximadamente 85% dos casos se manifestam após os 40 anos de idade, e apenas 5% antes dos 20 anos. A Retinopatia Diabética ocorre em quase todos os pacientes com Diabetes Melito tipo 1 e em mais de 60 % dos pacientes com Diabetes tiipo 2.

Fatores de risco para o desenvolvimento da Retinopatia Diabéica são: tempo de evolução do Diabetes; mal controle glicêmico; genética; Hipertensão Arterial; tabagismo; gravidez e nefropatia.

Diagnóstico da Retinopatia Diabética é feito através de exame de fundo de olho; exame de angiografia e Tomografia de Coerência óptica (OCT). A Retinopatia Diabética pode ser dividida em proliferativa e não proliferativa. No primeiro caso há isquemia associada com o desenvolvimento de vasos anômalos na retina, o que não ocorre no tipo não proliferativo.

Os estágios iniciais da retinopatia diabética não apresentam sintomas. Por isso recomenda-se que todas as pessoas com diabetes consultem um oftalmologista pelo menos uma vez por ano. Somente o exame com a pupila dilatada pode detectar se há alguma alteração no fundo do olho (região onde se localiza a retina) antes mesmo que os sintomas apareçam. Quanto mais cedo forem tratadas as alterações, maiores serão as chances de preservar a visão.

Á medida que a doença progride, os sintomas da retinopatia diabética podem incluir: visão embaçada, pontos ou manchas escuras flutuando na visão, visão que muda periodicamente de borrada para clara, visão noturna prejudicada, perda da visão central ou periférica. Os sintomas geralmente afetam ambos os olhos.

Tratamento consiste em controle rigoroso do Diabetes Melito com acompanhamento médico, possibilidade de fotocoagulação a laser e uso de medicação anti angiogênica quando da presença de edema macular e neovasos. Casos avançados podem necessitar de tratamento cirúrgico especializado.

Além de manter um bom controle dos níveis glicêmicos, todo paciente com diabetes deve fazer o exame do fundo de olho pelo menos uma vez por ano. Caso apresentem alguma alteração da retinopatia diabética, consultas mais frequentes podem ser necessárias. Na gravidez, os cuidados com a visão devem ser redobrados. Para proteger a visão, mulheres grávidas com diabetes precisam fazer uma consulta com o oftalmologista a cada 3 meses, no mínimo

 

Perguntas e respostas:

1-      Quais os sintomas do paciente com Retinopatia Diabética ?

Nos estágios iniciais a Retinopatia Diabética pode ser assintomática. Á medida que a doença progride, os sintomas podem incluir: visão embaçada, pontos ou manchas escuras flutuando na visão, visão que muda periodicamente de borrada para clara, visão noturna prejudicada, perda da visão central ou periférica. Os sintomas geralmente afetam ambos os olhos.

2-      Quais as complicações oculares do Diabetes?

 O Diabetes afeta vários seguimentos do olho, podendo causar catarata, glaucoma e principalmente doenças na retina, entre elas o descolamento de retina e a retinopatia diabética, todas importantes causas de baixa visual.

3-      Quais os fatores de risco para Retinopatia Diabética ?

 Tempo de evolução do Diabetes; mal controle glicêmico; genética; Hipertensão Arterial; tabagismo; gravidez e doença renal.

4-      Com que freqência devo consultar o oftalmologista ?

Recomenda-se avaliação com o oftalmologista pelo menos uma vez ao ano, porém se houver indícios da doença há a necessidade de um acompanhamento mais freqüente, a depender do estágio da doença.

5-      Quais os estágios da Retinopatia Diabética ?

Fase Inicial (Não Proliferativa) – Ocorrem os microaneurismas, que são pequenas áreas de dilatação dos pequenos vasos sanguíneos da retina. 

Fase Moderada (Não Proliferativa) - Nesta fase, alguns vasos sanguíneos são bloqueados. 

Fase Severa (Não Proliferativa) - Mais vasos sanguíneos são bloqueados e várias regiões da retina param de receber sangue. Com isso, elas não recebem o oxigênio suficientes e enviam sinais ao organismo para formar novos vasos para sua nutrição(neovascularização). 

Retinopatia Proliferativa – É considerada a fase mais avançada da doença. A retina envia sinais, solicitando melhor circulação de sangue. Isso provoca o crescimento de vasos sanguíneos defeituosos e frágeis.

6-      Devo tomar algum cuidado com a Retinopatia Diabética durante a gravidez ?

Na gravidez os cuidados com a visão devem ser redobrados. Para proteger a vista, as mulheres grávidas com diabetes precisam fazer pelo menos um exame de fundo de olho a cada trimestre gestacional.

7-      Quais os métodos dignósticos para a Retinopatia Diabética?

O exame mais comum para diagnóstico da retinopatia diabética é o exame de fundo de olho, realizado por um oftalmologista especialista em retina e onde a pupila do paciente é dilatada. Por meio dele, é possível enxergar anomalias vasculares, hemorragias, pequenos aneurismas, proliferação de novos vasos, dentre outros.

Outros exames incluem fotografias do fundo de olho: o OCT (da sigla em inglês para "tomografia de coerência ótica"), que avalia as estruturas do fundo do olho, e a angiografia de retina, que avalia o interior do globo ocular, em especial vasos sanguíneas e nervo ótico.

O oftalmologista especialista em retina é o profissional apto a realizar os exames de fundo de olho. É importante, ainda, entender o quadro do paciente diabético e seu histórico glicêmico.

8-      Quais os tratamentos para a Retinopatia Diabética ?

O tratamento da retinopatia diabética depende do grau de progressão em que o paciente se encontra.

Nas fases não proliferativas, geralmente é necessário apenas um acompanhamento periódico com o oftalmologista especialista em retina.

Em casos mais avançados, como na retinopatia diabética proliferativa, pode-se realizar tratamento por fotocoagulação a laser.

Hoje, as terapias mais modernas para o tratamento do edema macular diabético incluem os inibidores de VEGF e os polímeros de liberação lenta de esteróides. Ambos são administrados por meio de aplicações dentro do olho, chamadas de intravítreas.

As pessoas com diabetes devem ter atenção com o edema macular diabético (ou EMD), a principal causa de perda de visão na população com idade produtiva. Trata-se de um tipo grave de retinopatia diabética e que atinge a mácula ( área central da visão).

9-      O que leva á perda visual nos pacientes com Retinopatia Diabética ?

 A retinopatia diabética é causa freqüente de perda visual, decorrente de hemorragia retiniana, descolamento de retina, tração retiniana e edema macular diabético (principal causa).

10-  Qual a porcentagem de diabéticos podem vir a desenvolver a retinopatia diabética ?

Cerca de 40 % das pessoas com diabetes podem ter retinopatia diabética

 

Dados sobre o Dr. José Francisco Haggi

Formado em Medicina pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) em 2013

Oftalmologista especialista em Retina e Vítreo pelo Hospital de Olhos do Paraná

Membro do corpo clínico do Hospital de Olhos Norte Pioneiro

Residente em Cambará-PR

 

Bibliografia usada como base: Conselho Brasileiro de Oftalmologia American Academy of Ophtalmology National Eye Institute 

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