
Quando ao anoitecer a constelação do ORION aparece no zênite, torna-se urgente ao agricultor tomar decisões sobre que culturas irá semear no período do outono e inverno. Ele terá de examinar várias condições económicas, climáticas, pessoais e regionais.
Momento ótimo para o trigo
O trigo encontra-se num momento muito favorável. Os países produtores do cereal apresentam estoques baixos, com especial ênfase na Argentina, nossa principal fornecedora. Os estoques da última produção desta já estão praticamente esgotados. Por esta razão e do câmbio alto, os preços estão elevados com tendência crescente. Outro fator importante é que a janela para o plantio do milho 2ª safra está se fechando devido ao atraso da soja.
Comparando o custo de produção do milho com a do trigo, o do milho atualmente está entre 30 a 40% acima do trigo. Os custos com semente, tratos culturais, mão de obra, colheita e frete do milho estão em torno de R$ 4.600 por alqueire contra R$ 3.400 do trigo. Em contrapartida os lucros esperados das duas culturas se equiparam. Portanto o risco financeiro assumido pelo produtor do trigo é bem menor, ainda mais que o trigo está melhor adaptado ao clima do período de inverno.
O sistema integrado de rotação de culturas com o trigo traz enumeras vantagens:
• Melhor distribuição e cobertura da palhada e adubação para o cultivo da soja
• Controle melhor das ervas daninhas de difícil controle
• Quebra do ciclo das doenças e pragas
• Melhor aproveitamento da mão de obra e maquinário
Outro fator a ser considerado é a retirada de nutrientes pelos grãos da área de lavoura, que no milho é praticamente o dobro da do trigo. Como os produtores costumam adubar o milho só levemente superior à do trigo, a sobra de nutrientes no solo após esta é superior à do milho.
Veja tabela de retirada a seguir:
Retirada de nutrientes pelos grãos por cultura
| Cultura / produtividade | N | P2O5 | K2O | S | Mg |
| em % |
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| trigo | 2,3 | 0,9 | 0,5 | 0,22 | 0,1 |
| milho | 1,7 | 0,9 | 0,6 | 0,19 | 0,2 |
| soja | 5,6 | 1,1 | 2,1 | 0,44 | 0,2 |
| em Kg/alq |
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| trigo 160 sc | 221 | 86 | 48 | 21 | 9,6 |
| milho 360 sc | 367 | 194 | 129 | 41 | 43,2 |
| soja 160 sc | sobra | 106 | 201 | 8 | 9,6 |
O norte e oeste do Paraná são região de produção de trigo que quase sempre apresentam qualidade panificadora superior às outras regiões. Isto atraiu grande número de moinhos. Estes preferem a produção local, também pela redução dos custos de frete e alguns oferecem um preço até 10% superiores pela qualidade industrial diferenciada.
A seleção das cultivares torna-se um fator decisivo na escolha dos produtores, porque pode elevar as produtividades, garantir a qualidade industrial permitindo um preço diferenciado e melhorar a adaptabilidade às condições individuais.
Programa de melhoramento da Tamona Agropecuária Ltda
O programa de melhoramento de trigo Tamona criou, nas últimas 4 décadas, cultivares e linhagens pela incorporação de tecnologias que atendem as expectativas dos produtores rurais, dos moinhos e dos fabricantes dos derivados desta cultura, entre elas as padarias.
São 40 anos de cruzamentos e seleções sob as condições de clima subtropical.
Tudo isto para oferecer ao mercado a melhor relação custo/benefício para quem produz e para quem consome. Este é o efeito que garante a sustentabilidade na produção de trigo no Estado.
Para o pesquisador Dr.Rüdiger Boye agrônomo dedicado há mais de 50 anos ao melhoramento genético e responsável pelos programas da Tamona comemora a parceria com a Cooperativa Integrada.
O objetivo, segundo Dr. Rüdiger, é o de oferecer aos cooperados da Integrada novas tecnologias especialmente adaptadas e testadas durante os últimos 20 anos, sob as rígidas condições subtropicais do Paraná.
“Sustentabilidade, este é o objetivo”, diz o pesquisador e agrônomo que tem dedicado mais de 50 anos ao melhoramento genético do trigo e responsável pelos programas da Tamona na Região Norte do Estado do Paraná. “O principal foco do nosso trabalho de melhoramento da Tamona é a sustentabilidade, que tem por objetivos reduzir os custos de produção de forma a maximizar a lucratividade do trigo, mesmo em condições adversas como estiagens prolongadas ou preços reduzidos”, comentou.
Dr. Rüdiger, frisou ainda que os fatores incorporados às cultivares são alto perfilhamento, resistências múltiplas às principais doenças, a chuvas na época da maturação dos grãos e maior enraizamento levando à tolerância em períodos de estiagens. “Por exemplo, no ano de 2019 houve geadas e estes materiais também apresentaram melhor desempenho”, exemplificou. “Todos estes fatores estão associados à alta produtividade”, apontou.
Além dos fatores fitossanitários e fisiológicos, Dr. Rüdiger diz que o programa da Tamona foca na facilidade de comercializar o grão, desenvolvendo cultivares com caraterísticas industriais superiores como trigo branqueador e qualidade melhoradora. “Estas combinações levam a uma necessidade menor de sementes por m², redução de aplicações de defensivos e uma venda diferenciada, reduzindo custos, riscos e aumentando o lucro”, assegura.
A Integrada este ano terá 2 cultivares no seu programa que são RBO 303 e RBO 3B6, ambas de ciclo médio, adaptadas às regiões produtoras de trigo do Paraná e caraterizadas assim:
Comparação de raízes e perfilhamento entre RBO 303 e Sossego
RBO 303 sustentável, estabilidade de produção, alto qualidade panificadora e alto PH.
RBO 3B6 alta produtividade, sustentável e com farinha branqueadora.
A Agrinova Sementes de Faxinal terá as cultivares RBO 303 assim com RBO 2B5. Esta se caracteriza:
RBO 2B5 precoce, alta produtividade, estabilidade de produção e farinha branqueadora
O programa da Tamona continua desenvolvendo cultivares para cada vez mais atender às demandas de toda a cadeia produtiva, com novos lançamentos planejados para as próximas safras.
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