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AGRONEGÓCIO FOI O ÚNICO SETOR A EMPREGAR EM ABRIL NO PR

Segundo Caged, no mesmo período houve demissões nos setores de serviços, comércio e indústria

Por: Fonte: FAEP
29/05/2020 às 14h15 Atualizada em 29/05/2020 às 14h24
AGRONEGÓCIO FOI O ÚNICO SETOR A EMPREGAR EM ABRIL NO PR
As consequências do isolamento social tiveram efeito danoso em praticamente todos as atividades produtivas

A pandemia do novo Coronavírus infringiu um severo golpe à economia brasileira. As consequências do isolamento social tiveram efeito danoso em praticamente todos as atividades produtivas. Consequência do desaquecimento econômico, logo veio o fechamento de vagas de trabalho. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo governo federal no último dia 27 de maio, em abril deste ano o saldo foi de 860.503 vagas de trabalho a menos em todo Brasil. Na comparação em com 2019 número de demissões aumentou 17,2%, enquanto as admissões caíram -56,5% no mesmo período. 

Mas nem todos os setores amargaram resultados tão desanimadores como este. Como aponta o bordão: “O agro não para”, o setor do agronegócio (que compreende agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura) não apenas foi o que menos demitiu neste período, segundo o Caged, como em alguns Estados, como o Paraná por exemplo, houve criação de novas vagas de emprego. 

De acordo com os números do Caged, de janeiro a abril houve 2.058 admissões e 1.576 desligamentos no agronegócio paranaense, resultando num saldo positivo de 482 postos de trabalho. O Paraná foi o quarto Estado que mais gerou vagas neste segmento, atrás apenas de Minas Ferais, São Paulo e Goiás. 

Pode parecer pouco, mas quando olhamos os resultados de outros setores temos a dimensão real do problema. No mesmo período o setor de serviços no Paraná perdeu 24.407 postos de trabalho, o comércio perdeu 14.387 postos e a indústria marcou 13.921 vagas de trabalho a menos. 

Segundo o economista do Departamento Técnico do Sistema FAEP/SENAR-PR, Luiz Eliezer, o levantamento corrobora a ideia de que o agro é o setor menos afetado pela pandemia. “Os setores que mais demitiram foram serviços, comércio e indústria – nesta ordem. Eles foram os segmentos impactados mais rapidamente pelo isolamento social. Já o agronegócio tem uma dinâmica diferente, trata-se de uma atividade essencial, que não pode parar. Este foi um dos fatores para manutenção dos empregos”, avalia. 

Além disso, segundo Eliezer, o agro vem sendo muito beneficiado pela alta do dólar, “Então mesmo durante a pandemia tivemos aumento da demanda para exportação. Isso repercute tanto na agroindústria quanto no setor primário da produção”, observa. Outro fator que contribuiu positivamente para o desempenho do agronegócio paranaense foi a safra cheia no Estado, que também demandou força de trabalho. “Para efeito de comparação, o Rio Grande do Sul, Estado que registrou o pior desempenho na geração de empregos no setor do agronegócio em abril, também amargou uma quebra severa nesta safra de verão”, aponta. 

Coragem e confiança 

Mesmo no agronegócio, contratar novos trabalhadores durante um período tão incerto da nossa economia requer uma dose de coragem. Este foi o caso do suinocultor César Luiz Petri, de Marechal Cândido Rondon. Nos últimos 60 dias ele conta que contratou sete pessoas novas para trabalhar nas granjas de suínos e até o final do ano deve contratar mais oito funcionários. “Não é algo corriqueiro, estamos passando por um processo de ampliação na atividade, vamos mais que dobrar a produção, então precisamos de mais gente”, conta o produtor. 

Segundo ele, a ampliação da atividade estava sendo planejada há três anos. “Por mais planejado que seja, têm coisas que não estão nas mãos da gente. Num momento como esse não tem como não ter algum grau de receio. Mas não tínhamos como parar agora, o financiamento já está na conta bancária, tínhamos que seguir com o planejado”, observa Petri. 

Também o presidente do Sindicato Rural de Umuarama, Gerson Bortoli, decidiu contratar um funcionário em abril para atuar na sua propriedade. Na condição de dirigente sindical, ele tem observado que os produtores, de modo geral, não têm deixado de tocar seus negócios, apenas adotando todos os cuidados para manter o vírus longe da propriedade. “O pessoal tem se mantido estável, mas como outros setores vem sendo afetados [pela pandemia] alguns estão receosos. No dia-a-dia estão tocando tranquilos, mas empreendimentos novos a gente nota que o pessoal está segurando um pouco”, avalia. 

 

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