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Otimismo na agricultura

A próxima safra brasileira deve, de novo, ser recorde

Carlos Roberto Francisquini
Por: Carlos Roberto Francisquini
09/01/2013 às 10h28 Atualizada em 09/01/2013 às 10h36
Otimismo na agricultura
Foto sem data de uma plantação de soja.



 

 

 

 

 

São Paulo

Celso Ming


 

Enquanto o desempenho da indústria continua mergulhado em dúvidas, o da agricultura vai de bom a melhor.

A próxima safra brasileira deve, de novo, ser recorde. A produção de grãos de julho a novembro supera em 2% a do período em 2011 – aponta a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Para a produção anual, a estimativa é ainda mais animadora: esperam-se 180 milhões de toneladas, 8% maior do que a anterior.

O tempo está jogando a favor. Enquanto o agricultor do Centro-Oeste dos Estados Unidos se recupera da seca, a maior desde 1956, o do Brasil comemora a boa perspectiva de preços das commodities agrícolas e o clima favorável para o plantio.

A procura por crédito rural no ciclo 2012/2013 também é recorde. Entre julho e outubro, o Ministério da Agricultura registrou R$ 45 bilhões em financiamentos rurais – 25% acima do acumulado nos meses de 2011. Até junho próximo, estão programados R$ 133 bilhões em repasses. Foram R$ 106 bilhões na safra passada.

Dos R$ 115 bilhões em crédito rural previstos pelo Plano Agrícola e Pecuário 2012/2013, 82% contam com juros favorecidos. A combinação desse incentivo com a expectativa de grande safra puxou o investimento em colheitadeiras, retroescavadeiras e tratores. As vendas de máquinas agrícolas automotivas saltaram 9% no período de cinco meses compreendido entre julho e novembro (inclusive) de 2012 ante igual intervalo de 2011.

Nesse mesmo tempo, o faturamento do segmento de implementos agrícolas (colheitadeiras, plantadeiras e pulverizadores) também cresceu, embora menos: 3%. Celso Casale, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas, calcula nesta safra avanço próximo dos 10%. “Temos linhas de crédito a serem liberadas pelo BNDES a juros de 3,5% ao ano e limite de 10 anos para pagamento que, por si só, asseguram esse resultado”.

Dos R$ 115 bilhões em crédito rural previstos pelo Plano Agrícola e Pecuário 2012/2013, 82% contam com juros favorecidos. 

O Banco do Brasil (BB), com empréstimos a juros de 5,5% ao ano, controla mais de 60% da carteira de crédito rural brasileira, cujo índice de inadimplência é de meros 0,5%. Para esta safra, já liberou R$ 27 bilhões – 49% do estimado até junho do ano que vem (R$ 55 bilhões).

Para o vice-presidente de Agricultura do BB, Osmar Dias, a farta procura de crédito rural está só em parte ligada às atraentes cotações das commodities agrícolas: “O destino dos recursos não se concentra nos segmentos de exportação. Espalha-se pela produção inteira, o que demonstra a boa fase de todo o setor agrícola”.

Para o analista Flávio França Junior, da consultoria Safras & Mercado, a redução dos juros básicos (Selic) desde agosto de 2011 também ajudou. “Não só o otimismo do produtor incentiva a procura de crédito, mas o contrário também acontece. A grande aprovação de linhas de crédito atua decisivamente para promover sucessivas boas safras e aumenta a movimentação desse mercado”. Se todos os recursos já programados forem aplicados, a expansão do financiamento rural terá alcançado, em junho de 2013, nada menos que 344% de expansão em somente 10 anos.

É uma pena que a agricultura pese menos de 5% na atividade produtiva. Tivesse uma participação maior, o avanço do PIB em 2013 seria mais alto. fonte - O Estado de São Paulo

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